O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou a gestora de irmandades católicas, Brígida Rachid José Pedro, pelo **desvio de cerca de R$ 12 milhões**.
O montante teria sido drenado de quatro instituições religiosas e assistenciais ao longo de uma década, resultando em seu afastamento determinado pela Justiça.
Segundo informações divulgadas pelo MPRJ, a acusada deve responder pelos crimes de **apropriação indébita** e **lavagem de dinheiro**, após a descoberta de um complexo esquema de drenagem patrimonial.
O Esquema de Desvio e a Empresa de Fachada
A denúncia detalha que Brígida Rachid José Pedro teria orquestrado um **esquema financeiro** sofisticado para desviar os recursos das irmandades.
Para isso, ela teria criado a empresa de fachada Support Serviços Empresariais, aberta em 2011, justamente no período em que a acusada assumiu a gestão das instituições.
O MPRJ ressalta que, apesar de movimentar milhões de reais todos os anos, a Support Serviços Empresariais possuía um **capital social irrisório de apenas R$ 2 mil**, o que levantou fortes suspeitas sobre suas operações.
As Irmandades Católicas Afetadas e o Impacto Patrimonial
As **irmandades católicas** diretamente afetadas pelo suposto esquema de desvio de **R$ 12 milhões** são a Venerável Irmandade do Glorioso Mártir São Braz e seu Patrimônio da Caridade.
Também foram alvo a Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, juntamente com sua Caixa de Caridade, todas no Rio de Janeiro.
O impacto dos anos de desvio é visível, conforme aponta o Ministério Público, no estado de conservação da **Igreja Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte**.
Localizada na Rua do Rosário, no Centro do Rio, a igreja está fechada há anos e apresenta um **avançado estágio de deterioração**, um triste reflexo da má gestão e dos desvios.
As Medidas Judiciais e a Intervenção
Após a denúncia do Ministério Público, o Juízo da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa agiu prontamente.
A Justiça determinou o **afastamento imediato** de Brígida Rachid José Pedro da gestão de todas as irmandades envolvidas no caso de **desvio de R$ 12 milhões**.
Além disso, foi nomeado um interventor, indicado pela Mitra Arquiepiscopal, para assumir a administração das instituições e garantir a sua regularização.
A acusada também foi proibida de acessar as sedes, documentos, contas bancárias ou qualquer estrutura ligada às instituições, bem como de contatar seus funcionários, visando proteger o patrimônio restante e a continuidade dos trabalhos.