Gianni Infantino celebra 10 anos como presidente da FIFA, impulsionando mudanças e enfrentando desafios

O suíço Gianni Infantino completa nesta quinta-feira (26) uma década no cargo mais proeminente do futebol mundial, a presidência da FIFA. Eleito em fevereiro de 2016 em um congresso extraordinário, Infantino assumiu a liderança da entidade em um momento turbulento, sucedendo Joseph Blatter, que deixou o cargo em meio a escândalos de corrupção que abalaram a organização.

Desde sua ascensão, o dirigente tem sido o arquiteto de diversas mudanças significativas, buscando modernizar e expandir o alcance do esporte. Sua gestão tem sido caracterizada pela ambição em aumentar o número de participantes em competições chave e por investimentos crescentes, especialmente no futebol feminino.

No entanto, sua trajetória também tem sido pontuada por críticas e controvérsias, incluindo questionamentos sobre sua proximidade com figuras políticas e a organização de eventos em meio a debates sobre direitos humanos. Conforme informações divulgadas pela própria FIFA e veículos de imprensa esportiva.

O Legado de Infantino: Expansão e Reformulação de Torneios

Uma das marcas mais evidentes da gestão de Gianni Infantino é a expansão do formato da Copa do Mundo masculina. A partir da edição de 2026, que será sediada conjuntamente pelos Estados Unidos, México e Canadá, o torneio passará a contar com 48 seleções, um aumento considerável em relação ao formato de 32 equipes que vigorava há décadas. Essa mudança visa democratizar o acesso ao principal palco do futebol mundial, permitindo que mais nações tenham a oportunidade de competir.

Paralelamente, Infantino também impulsionou a reestruturação da Copa do Mundo de Clubes. Em 2025, o torneio foi realizado com um novo formato, expandido para 32 equipes e com periodicidade quadrienal. A edição inaugural sob este novo modelo, sediada nos Estados Unidos, atraiu um público expressivo, com quase 2,5 milhões de torcedores presentes nas partidas, uma média de 39.547 espectadores por jogo. A competição contou com a participação de quatro clubes brasileiros: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras. O Chelsea sagrou-se campeão, derrotando o Paris Saint-Germain na final.

Futebol Feminino em Destaque: Investimentos e Ampliação

O desenvolvimento do futebol feminino tem sido uma prioridade declarada na gestão de Gianni Infantino. A FIFA tem promovido ativamente a modalidade, com um dos marcos sendo a decisão de ampliar o número de participantes na Copa do Mundo Feminina. A partir da edição de 2031, o torneio feminino também contará com 48 seleções, espelhando a expansão do torneio masculino e buscando aumentar a competitividade e o alcance global da modalidade.

Além da expansão de participantes, a entidade máxima do futebol tem aumentado significativamente os investimentos em premiações para o futebol feminino. Em 2023, foram destinados US$ 152 milhões em prêmios, um montante que representa o triplo do valor distribuído em 2019. Essa injeção financeira busca fortalecer as ligas nacionais, apoiar o desenvolvimento de atletas e treinadores, e elevar o patamar profissional da modalidade em todo o mundo.

Controvérsias e Críticas à Gestão de Infantino

Apesar das conquistas e das reformas implementadas, a presidência de Gianni Infantino não esteve isenta de polêmicas e críticas. Sua aproximação com figuras políticas de destaque, como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, gerou debates. Em dezembro de 2023, Infantino entregou a Trump o Prémio da Paz, uma nova distinção da FIFA. Meses depois, os Estados Unidos realizaram um ataque à Venezuela que culminou na captura de Nicolás Maduro, levantando questionamentos sobre a neutralidade e o posicionamento da entidade em questões geopolíticas.

Outras críticas frequentes à sua gestão envolvem a escolha de sedes para grandes eventos, com alegações de que fatores econômicos e políticos por vezes se sobrepõem a considerações sobre direitos humanos e sustentabilidade. A expansão da Copa do Mundo masculina para 48 seleções, por exemplo, tem sido alvo de discussões sobre a logística e o impacto ambiental de sediar um torneio com tantos jogos e participantes.

O Caminho para a Reeleição e o Futuro da FIFA

Gianni Infantino demonstrou forte apoio de suas bases e foi aclamado para um novo mandato no congresso da FIFA realizado em março de 2023, com a aprovação das 211 associações nacionais filiadas. Seu atual período como presidente se estende até o ano que vem, e sua reeleição para este ciclo fortalece sua posição e a continuidade de suas políticas e projetos para o futebol global.

O futuro da FIFA sob a liderança de Infantino provavelmente continuará a ser moldado pela busca por inovação e crescimento financeiro. A expansão de torneios, a digitalização e a exploração de novas fontes de receita são tendências que devem se acentuar. Ao mesmo tempo, a entidade enfrentará o desafio constante de equilibrar seus interesses comerciais com a responsabilidade social e a promoção de um futebol mais inclusivo e ético em escala global.

Impacto Econômico e Social das Mudanças Implementadas

As transformações lideradas por Infantino têm um impacto econômico e social considerável no universo do futebol. A expansão da Copa do Mundo masculina, por exemplo, não apenas aumenta o número de países participantes, mas também gera novas oportunidades de negócios, patrocínios e receitas televisivas. Para as nações menores, a classificação para o torneio representa um marco histórico, com potencial para impulsionar o desenvolvimento do esporte local e atrair investimentos.

No futebol feminino, o aumento dos investimentos e a ampliação do torneio são vistos como cruciais para reduzir a disparidade de gênero no esporte. Ao oferecer mais visibilidade e recursos, a FIFA busca criar um ambiente mais equitativo, onde atletas, clubes e federações possam prosperar. A Copa do Mundo de Clubes expandida também representa uma nova plataforma para a exposição de talentos e a geração de receita para os clubes participantes.

A Visão de Infantino para o Futebol Global

Em sua visão, Gianni Infantino tem reiterado o compromisso de tornar o futebol verdadeiramente global e inclusivo. A expansão de competições é apresentada como um meio para alcançar esse objetivo, permitindo que mais culturas e regiões se envolvam ativamente com o esporte. A modernização da infraestrutura e a adoção de novas tecnologias também fazem parte de sua agenda, visando aprimorar a experiência de jogadores, torcedores e espectadores.

A gestão financeira da FIFA sob seu comando tem sido marcada por uma recuperação significativa após os escândalos que abalaram a entidade. A busca por transparência e boa governança, embora ainda sob escrutínio, tem sido um dos pilares de sua comunicação. O sucesso financeiro, segundo Infantino, é essencial para reinvestir no desenvolvimento do futebol em todas as suas esferas, desde o futebol de base até as competições de elite.

Desafios Futuros e a Continuidade da Governança

Ao completar dez anos, Gianni Infantino se depara com um cenário complexo. A necessidade de equilibrar interesses comerciais com a integridade do esporte permanece um desafio constante. A pressão por mais transparência, especialmente em relação à escolha de sedes e à alocação de recursos, deve continuar a ser um ponto focal para a governança da FIFA.

O futuro também trará novas discussões sobre o calendário internacional, a sustentabilidade dos eventos e a luta contra o racismo e a discriminação no futebol. A forma como Infantino e a FIFA abordarão essas questões definirá em grande parte o legado de sua gestão e o futuro do esporte mais popular do planeta nos próximos anos.

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