A corrida por minerais estratégicos ganha um novo capítulo em Minas Gerais, com a mineradora australiana St. George Mining em avançadas negociações com a empresa norte-americana REalloys. O objetivo é um contrato de offtake de longo prazo que pode garantir à companhia dos EUA até 40% da produção de terras raras do promissor Projeto Araxá.
A REalloys, uma empresa dos Estados Unidos com expertise integrada em processamento, separação e fabricação de materiais magnéticos, desempenha um papel crucial na cadeia de suprimentos de terras raras. A empresa já fornece produtos para órgãos governamentais norte-americanos, como a Defense Logistics Agency e o Ames National Laboratory, além de atender setores de defesa, aeroespacial, eletrônicos e tecnologia.
Este movimento estratégico sublinha a crescente importância do Brasil no cenário global de minerais críticos, especialmente as terras raras, essenciais para a transição energética e a alta tecnologia, conforme informações divulgadas pela mineradora australiana St. George Mining.
Avanços nos Testes Metalúrgicos e Tecnologia Proprietária
As empresas anunciaram recentemente a renovação de um memorando de entendimento pré-existente, com foco na continuidade dos testes metalúrgicos. Estes testes são realizados em amostras de oxalatos de terras raras produzidas a partir do Projeto Araxá.
Para a realização desses estudos, a REalloys utiliza uma tecnologia proprietária, especialmente desenvolvida para a separação de elementos individuais de terras raras. Essa abordagem visa refinar o processo e otimizar a qualidade do material extraído.
Segundo as companhias, os resultados desses testes são fundamentais. Eles irão orientar a otimização do fluxograma de processamento do projeto, garantindo que o material produzido seja o mais adequado possível para as complexas operações de fabricação de ímãs da empresa norte-americana.
É importante ressaltar que, apesar do notável avanço técnico, a St. George Mining enfatiza que qualquer acordo de offtake definitivo depende da negociação e assinatura de um contrato formal. Este documento estabelecerá todos os termos comerciais e, até sua concretização, o memorando atual não cria obrigações de exclusividade entre as partes envolvidas.
O Potencial do Projeto Araxá: Um Depósito de Classe Mundial
O Projeto Araxá, localizado em Minas Gerais, é um ativo de grande relevância global. Atualmente, ele abriga um recurso mineral estimado em 40,6 milhões de toneladas, com um teor médio de 4,13% de óxidos de terras raras, além de nióbio, conforme dados da St. George Mining.
A mineradora classifica o ativo como um “depósito de classe mundial”, destacando-o como o maior depósito e de mais alto teor de terras raras hospedado em carbonatito da América do Sul. Além disso, é considerado o segundo de maior teor no mundo ocidental, o que reforça sua importância estratégica.
Este projeto é acompanhado de perto pelo mercado internacional, inserido em um contexto de crescente demanda global por terras raras. Esses minerais são considerados estratégicos para a transição energética, a indústria de alta tecnologia e o setor de defesa, em um cenário global que busca reduzir a dependência da China.
A relevância do projeto é tanta que, no ano passado, representantes da St. George Mining se reuniram com integrantes do governo dos Estados Unidos para discutir possíveis acordos de fornecimento. O Projeto Araxá está previsto para entrar em operação até 2027 e está estrategicamente localizado ao lado das instalações da CBMM, a maior produtora mundial de nióbio.
A Relevância dos Contratos de Offtake
Em um mercado global de minerais críticos, fortemente concentrado na China, que domina desde a mineração até o processamento e a fabricação de ímãs, os contratos de offtake assumem um papel central. Eles são cruciais para a viabilização de projetos de minerais essenciais, como as terras raras.
Esses acordos garantem a venda antecipada de uma parcela da produção, geralmente por meio de contratos de longo prazo firmados com governos, fabricantes de ímãs, montadoras, empresas de tecnologia ou agências públicas. Tais parcerias oferecem uma segurança fundamental para o desenvolvimento de novos projetos.
Ao assegurar a demanda futura e proporcionar previsibilidade de receita, os offtakes funcionam como uma espécie de “ancoragem econômica” para os projetos. Na prática, eles ajudam a reduzir o risco de preço, mitigar a volatilidade do mercado e, consequentemente, aumentam a bancabilidade, facilitando o acesso a financiamentos junto a bancos, agências de crédito à exportação e fundos públicos.