As Próximas Jogadas de Kassab: O Mestre da Articulação Política em Ação para 2026
O presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, tem sido observado por especialistas em marketing político e eleitoral como um hábil jogador de cartas, que detém uma mão cheia de possibilidades para as eleições de 2026. Sua estratégia, longe de ser um blefe, consiste em manter importantes filiados, incluindo governadores de peso, “na manga”, aguardando o desenvolvimento do jogo político dos demais parceiros e adversários.
Essa abordagem visa posicionar o PSD como um ator central no próximo pleito presidencial, independentemente da polarização entre as principais forças políticas. A movimentação de Kassab demonstra uma busca incessante por influência e capacidade de negociação, consolidando o partido como uma peça-chave na formação de alianças e na definição de rumos.
As recentes filiações de governadores ao PSD e a consolidação de palanques estaduais robustos são indicativos claros dessa estratégia de longo prazo, que prioriza a capilaridade política e a relevância em todos os níveis da federação, conforme informações de especialistas em marketing político e eleitoral.
A Estratégia do “Jogador de Cartas”: Kassab e o Jogo Eleitoral de 2026
Gilberto Kassab, conhecido por sua perspicácia política, não busca o xeque-mate como um enxadrista, mas sim a acumulação de cartas valiosas para as rodadas decisivas das eleições de 2026. Sua abordagem é meticulosa, focada em fortalecer o PSD e garantir sua presença no centro do poder, seja qual for o resultado da disputa presidencial.
A estratégia de Kassab envolve uma série de movimentos calculados, que visam aumentar o “cacife” do partido na mesa de negociações. Ele não aposta todas as fichas em uma única candidatura, mas sim na capacidade de articulação e na força de sua bancada de governadores e prefeitos. Essa tática permite ao PSD manter a flexibilidade necessária para se adaptar aos cenários em constante mudança.
Para o professor e consultor de marketing político Marcelo Vitorino, Kassab “não joga para ganhar, mas para não perder” as eleições presidenciais, mantendo o partido no centro do poder. A intenção é ter condições de estar junto de quem vencer, garantindo participação e influência no próximo governo, seja ele de direita, centro ou esquerda.
A Coleção de Governadores: O Trunfo do PSD para Ampliar Influência
Entre as cartadas mais recentes e significativas de Kassab, destaca-se a filiação de importantes governadores ao PSD. Em maio de 2025, a pernambucana Raquel Lyra e o gaúcho Eduardo Leite deixaram o PSDB para reforçar o time do PSD, em uma jogada que marcou o início de um plano eleitoral ambicioso. Ambos são figuras de destaque em seus estados e agregam capital político considerável à sigla.
Mais recentemente, no final de janeiro, Kassab filiou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que é considerado um pré-candidato à Presidência da República. No mesmo movimento, o governador de Rondônia, Marcos Rocha, migrou do União Brasil para o PSD, consolidando ainda mais a presença do partido no Norte do país. O PSD também conta com o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, eleito em 2022.
Com essas aquisições, o PSD passou a ter três nomes considerados como presidenciáveis para as eleições de 2026: Ronaldo Caiado, Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Há um ano, Ratinho Junior era o único cotado para o posto de pré-candidato ao Planalto pela sigla, demonstrando o crescimento exponencial do partido sob a liderança de Kassab.
O Trio de Presidenciáveis e a Ausência de Prévias Internas
Apesar de contar com um trio de governadores com potencial presidenciável – Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite –, o PSD descarta a realização de prévias internas para a definição do nome que encabeçará a chapa em 2026. Essa decisão reforça a estratégia de Kassab de priorizar a articulação política e a flexibilidade em detrimento de uma disputa interna que poderia gerar ruídos e divisões.
Para o consultor Marcelo Vitorino, a existência de três pré-candidatos, embora pareça uma força, pode indicar que o partido não possui um nome singularmente forte o suficiente para liderar uma chapa presidencial competitiva isoladamente. “Se tivesse um pré-candidato realmente competitivo, você não abriria espaço para mais dois, porque isso gera disputa interna e ruído político”, comenta Vitorino.
A aposta de Kassab reside na capacidade de tecer coligações e negociar apoios em troca de espaços nos governos estaduais e federal. Essa abordagem permite ao PSD se posicionar como um fiel da balança eleitoral, capaz de se inclinar tanto para a direita quanto para a esquerda, dependendo do momento e das conveniências políticas, sem amarras ideológicas rígidas.
“Não Jogar para Perder”: A Análise de Marcelo Vitorino sobre a Tática de Kassab
A técnica utilizada por Gilberto Kassab é definida por Marcelo Vitorino como “geometria variável”. Esse conceito descreve a capacidade do cacique de não concentrar suas fichas em uma única jogada, mas sim de distribuir seu poder de influência em diversas frentes do jogo eleitoral. A meta é manter as portas abertas e a capacidade de influenciar as decisões finais.
“Se o vento estiver soprando para a esquerda, o PSD será de esquerda. Se estiver soprando para a direita, será de direita. Não é ideologia, é sobrevivência política”, explica Vitorino. Essa flexibilidade é a marca registrada de Kassab, que é reconhecido pelo fisiologismo e pela habilidade em articular com diferentes atores do cenário político nacional.
O PSD, sob sua liderança, ocupa atualmente três ministérios no governo Lula e Kassab atua como chefe da Secretaria de Governo e Relações Institucionais na gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um aliado do ex-presidente Bolsonaro. Essa dualidade demonstra a capacidade de Kassab de transitar por diferentes espectros políticos, sempre visando a manutenção e a ampliação do poder do partido.
O “Plano A” Frustrado e as Alternativas para 2026
O plano “A” original de Kassab, segundo analistas, seria a candidatura à Presidência de Tarcísio de Freitas. Essa hipótese abriria a possibilidade de Kassab disputar o governo de São Paulo, cargo que já ocupou como prefeito da capital paulista entre 2006 e 2012, retornando assim a um posto no Executivo.
Contudo, esse plano foi frustrado pela influência do ex-presidente Jair Bolsonaro, que lançou seu filho Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato, contando com a lealdade de Tarcísio durante a campanha presidencial no maior colégio eleitoral do país. Além disso, Kassab enfrenta uma disputa com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, pela indicação do vice à reeleição ao governo paulista, cargo atualmente ocupado por Felício Ramuth (PSD).
Com a inviabilidade do “plano A”, Kassab direciona suas fichas para o trio de governadores. Ratinho Junior e Eduardo Leite, na ordem de preferência do cacique, representam opções com perfis distintos para um “plano B”, dependendo da necessidade de aliar o partido a um grupo político de esquerda ou de direita. Ratinho Junior possui um perfil de centro-direita, enquanto Leite é visto como mais alinhado à centro-esquerda, oferecendo versatilidade estratégica.
A “Rede Kassab”: Palanques Estaduais como Chave para Decidir Eleições
A força do PSD não se limita a uma eventual candidatura presidencial, pura ou coligada. O movimento iniciado em maio do ano passado, com a atração de Eduardo Leite e Raquel Lyra, e reforçado com a filiação de Ronaldo Caiado e Marcos Rocha, visa construir uma sólida “rede Kassab” de palanques estaduais. O partido já se destacou nas últimas eleições municipais, emergindo como a sigla com o maior número de prefeituras no Brasil, totalizando 885.
“O que o Kassab está fazendo é palanque estadual, o que é muito importante para a disputa presidencial. […] Quando você tem governadores, prefeitos, deputados estaduais e federais mobilizados nos estados, isso cria uma base real de apoio”, explica Marcelo Vitorino. Essa estrutura capilarizada garante ao PSD uma presença robusta em todo o território nacional.
Além de contar com os líderes do Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás, o PSD disputará a reeleição aos governos de Sergipe e Pernambuco, estados estratégicos para o plano nacional do partido no Nordeste. A jornalista Marcilene Maia, estrategista política, ressalta que Ratinho Junior, Leite e Caiado são governadores em fim de mandato com alta taxa de aprovação, conferindo-lhes um capital político significativo para influenciar os votos dos eleitores em seus respectivos estados, mesmo após a desincompatibilização dos cargos.
Capilaridade Política e o Poder de Negociação na Reta Final
A montagem desse complexo quebra-cabeça eleitoral por Kassab inclui a retenção de forças em estados decisivos para a política nacional, como Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, que historicamente tem um peso considerável na definição de eleições presidenciais. O vice-governador mineiro Mateus Simões, que deixou o Novo para se filiar ao PSD no ano passado, assume o estado no final de março com a saída do pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo).
Na avaliação de Marcilene Maia, enquanto aguarda os movimentos da direita e da esquerda para tomar a decisão sobre o candidato a presidente escolhido pelo PSD, Kassab mantém sua “capilaridade política” através da organização dos palanques estaduais. “Esses governadores podem atuar como grandes líderes que somam, ampliam a base eleitoral e fortalecem alianças nos estados. Isso tem peso em uma eleição presidencial”, ressalta a jornalista.
Mesmo que o PSD não consiga “furar” a polarização dos últimos anos e levar a terceira via para o segundo turno, Maia afirma que Kassab chegará ao final de outubro de 2026 com cartas suficientes nas mãos para que o apoio do PSD tenha um peso político decisivo na definição do próximo presidente do Brasil. “O Kassab pode ser decisivo porque ele terá palanques estruturados nos estados e capacidade de negociação com quem avançar na disputa. A estratégia é não fechar posição antes da hora e chegar ao segundo turno com força política suficiente para ser indispensável.”
O Futuro do PSD: Um Pilar Indispensável na Política Nacional
A visão de Gilberto Kassab para o PSD transcende a mera participação em eleições. Ele busca consolidar o partido como um pilar indispensável na política nacional, capaz de influenciar tanto a agenda legislativa quanto a formação de governos em diferentes esferas. A flexibilidade ideológica e a capacidade de diálogo com diversas correntes políticas são elementos centrais dessa estratégia.
Ao construir uma base sólida de governadores e prefeitos, Kassab garante ao PSD uma representatividade capilarizada, que permite ao partido ter voz e poder de barganha em negociações cruciais. Essa força territorial se traduz em apoio eleitoral e capacidade de mobilização, tornando o PSD um parceiro cobiçado por qualquer chapa presidencial.
O futuro do PSD, portanto, não está atrelado a um único nome ou a uma ideologia fixa, mas sim à habilidade de seu líder em navegar pelas complexidades do cenário político brasileiro, sempre buscando a melhor posição para o partido. Essa adaptabilidade e pragmatismo garantem ao PSD uma longevidade e uma influência que poucos partidos conseguem alcançar.