Uma postagem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, na rede social X (antigo Twitter), recebeu uma nota da comunidade nesta quinta-feira, 22 de fevereiro de 2026. A publicação de Mendes celebrava o arquivamento, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), de um pedido de afastamento do ministro Dias Toffoli do chamado Caso Master, que envolvia alegações de suspeição.
A intervenção dos usuários destaca o poder crescente das plataformas digitais na fiscalização de figuras públicas e a relevância da participação cívica. A nota anexada à publicação de Gilmar Mendes trouxe à tona artigos do Código de Processo Civil (CPC) que versam sobre as condições de suspeição de magistrados.
Este episódio ressalta a dinâmica entre o discurso oficial e a percepção pública, especialmente em temas sensíveis que envolvem o Poder Judiciário, conforme informações apuradas pela fonte.
Entenda o Arquivamento do Pedido de Suspeição de Toffoli no Caso Master
A postagem original de Gilmar Mendes afirmava que “a decisão da PGR de arquivar o pedido de afastamento do ministro Dias Toffoli evidencia o funcionamento regular das instituições da República”. Ele prosseguiu, destacando que “em um Estado de Direito, a preservação do devido processo legal e a observância das garantias institucionais constituem condições”.
O pedido de afastamento de Toffoli havia sido protocolado pelos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC). O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou que “não há qualquer providência a ser tomada” no momento, mencionando que já existe outro pedido semelhante em análise, do senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Gonet também destacou que “o caso a que se refere a representação já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República”. Esta justificativa levou ao arquivamento da representação contra o ministro Toffoli, que é o relator do processo que investiga uma suposta fraude na emissão de cédulas de crédito do Banco Master.
A Polêmica Envolvendo Dias Toffoli e o Banco Master
O ministro Dias Toffoli, logo após assumir a relatoria do caso, determinou sigilo às investigações. A polêmica em torno de sua suspeição ganhou força quando foi revelado que ele viajou ao Peru com o advogado Augusto de Arruda Botelho. Poucos dias depois, este advogado protocolou um habeas corpus em favor de Luiz Antônio Bull, diretor de compliance do Banco Master.
A conexão entre a viagem e a posterior atuação do advogado gerou questionamentos sobre a imparcialidade do ministro no caso. A comunidade da rede social X, ao anexar a nota, buscou contextualizar a decisão da PGR com os critérios legais de suspeição, citando os artigos pertinentes do Código de Processo Civil.
A ‘Nota da Comunidade’ e o Poder da Fiscalização Cidadã
A nota da comunidade, considerada útil e direta pelos usuários, foi afixada ao post de Gilmar Mendes. Este recurso permite que os próprios usuários adicionem contexto a postagens que possam ser enganosas ou incompletas, funcionando como uma ferramenta de auto-regulação e fiscalização cidadã dentro da plataforma X.
O autor da nota aprovada no post de Gilmar Mendes já havia proposto outras notas em publicações de figuras políticas e jornalísticas de grande projeção. Entre elas, estavam sugestões para posts do presidente Lula (PT), da jornalista Miriam Leitão e do líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ).
No entanto, apenas a nota referente à postagem de Gilmar Mendes sobre a suspeição de Toffoli foi aprovada pela comunidade. As outras propostas, embora pertinentes, não obtiveram o consenso necessário para serem anexadas às respectivas publicações, demonstrando o rigor e a seletividade desse mecanismo de moderação.
Outras Propostas de Notas e o Contexto da Fiscalização no X
A proposta de nota para o post de Lindbergh Farias, que criticava uma caminhada do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), buscava esclarecer que “Nikolas Ferreira nega não ter avisado à PRF sobre caminhada na BR-040”. A postagem de Miriam Leitão, que divulgava um artigo sobre a prisão de Nicolás Maduro, teve uma nota proposta alertando sobre uma “falsa equivalência entre a invasão de Bush ao Iraque e a invasão de Trump à Venezuela”, além de apontar que “o post não expõe o real motivo da invasão americana ao país sul-americano”, embora as questões estivessem no artigo, não no post.
Já a sugestão para a postagem de Lula, que trazia um vídeo publicitário da Petrobras sobre a indústria nacional e a reabertura da Fafen, propunha apontar que “a indústria brasileira não apresenta crescimento, conforme consta em propaganda governamental”. Esses exemplos ilustram a diversidade de temas e a abrangência da fiscalização que os usuários tentam exercer através das notas da comunidade, buscando sempre um maior nível de precisão e contexto para as informações divulgadas por figuras públicas.