Alerta em Apucarana: Golpe do Falso Advogado Usa Esperança e Urgência para Fraudar Trabalhadores
Uma nova e perigosa modalidade de estelionato digital tem deixado trabalhadores de Apucarana e região em estado de alerta. Criminosos estão se passando por advogados trabalhistas, utilizando documentos forjados e mensagens diretas para enganar pessoas que aguardam o recebimento de valores de ações na Justiça do Trabalho. O golpe explora a esperança das vítimas, prometendo liberação rápida de quantias significativas, mas o objetivo final é o roubo de dinheiro através de transferências bancárias fraudulentas.
A tática dos golpistas é sofisticada: eles entram em contato via aplicativos de mensagens, muitas vezes com fotos de perfis que simulam ser profissionais da área jurídica e utilizam informações reais de processos para criar um senso de legitimidade. A promessa de boas notícias sobre processos em andamento, acompanhada do envio de um suposto alvará em PDF, serve para ganhar a confiança do trabalhador antes de solicitar dados bancários e pagamentos de taxas inexistentes.
As autoridades e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) emitem um alerta urgente para que a população não caia nesta armadilha. A orientação é clara: nunca fornecer dados bancários ou realizar depósitos sob a alegação de liberação de valores judiciais sem a devida confirmação presencial ou por telefone com o escritório de advocacia real. Conforme informações divulgadas, esta fraude tem se intensificado na região, afetando diretamente quem busca seus direitos na justiça.
A Estratégia da Esperança: Como o Golpista Conquista a Vítima
A abordagem inicial dos criminosos é cuidadosamente planejada para explorar a vulnerabilidade emocional das vítimas. Ao invés de uma comunicação formal, eles iniciam o contato de maneira cordial, anunciando o que parecem ser “ótimas notícias” sobre o processo judicial em questão. Essa estratégia visa criar um ambiente de confiança e entusiasmo, fazendo com que a vítima se sinta mais receptiva às solicitações que virão a seguir.
Para dar um ar de veracidade à fraude, os golpistas enviam um arquivo em formato PDF, nomeado de forma a simular um documento oficial, como um “alvará judicial”. Este documento falso contém informações da vítima, como o nome e detalhes do processo, criando a ilusão de que se trata de uma comunicação legítima do Judiciário. Em um dos casos relatados, o falso advogado informou à vítima que a decisão judicial já havia sido favorável, com “causa ganha”, e que um valor considerável, superior a R$ 9.800,00, estaria pronto para ser creditado na conta bancária do trabalhador.
Essa simulação de documento oficial é uma das táticas mais eficazes para ludibriar as pessoas, que muitas vezes não têm familiaridade com os trâmites legais e podem ser facilmente enganadas por uma representação visual que se assemelha a um documento oficial. A combinação da boa notícia com a aparência de legalidade do documento é o primeiro passo para a aplicação do golpe.
O Pedido de Dados Bancários e a Tática de Urgência
Após estabelecer uma falsa sensação de segurança e esperança, o criminoso avança para a fase mais crítica do golpe: a solicitação de dados bancários. Nessas etapas, a pressão aumenta, e o golpista busca obter informações sensíveis que serão usadas para realizar transferências fraudulentas ou para aplicar outros tipos de golpes.
Nas conversas analisadas, o falso advogado solicita de forma direta e imediata informações como a agência bancária, o número da conta e o nome do banco. Essa exigência de dados logo após o anúncio da “boa notícia” é um sinal de alerta, pois advogados legítimos geralmente não solicitam essas informações de forma tão abrupta por mensagens, preferindo métodos mais seguros e formais.
Quando a vítima demonstra hesitação ou tenta adiar o fornecimento dos dados, o golpista intensifica a pressão, utilizando uma tática de urgência. Ele pode alegar que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou outro órgão judiciário está aguardando o retorno imediato dessas informações para processar o recebimento do valor. Essa urgência é criada artificialmente para impedir que a vítima tenha tempo de pensar, pesquisar ou entrar em contato com o seu advogado de verdade, ou mesmo verificar a autenticidade do número de telefone que está sendo utilizado.
Como os Criminosos Utilizam Informações Reais para Enganar
Uma das características mais preocupantes deste golpe é a forma como os criminosos conseguem obter e utilizar informações reais de processos judiciais. Essa habilidade em acessar dados públicos permite que eles criem uma narrativa convincente, tornando a fraude muito mais difícil de ser identificada pelas vítimas menos experientes.
Os sistemas judiciários, em muitos casos, disponibilizam informações sobre processos em andamento de forma pública em seus portais online. Criminosos com conhecimento técnico podem acessar esses sistemas, coletar nomes de partes, números de processos, valores envolvidos e até mesmo o status atual da ação. Com essas informações em mãos, eles conseguem personalizar a abordagem, fazendo parecer que realmente representam o advogado da causa.
O uso de fotos de perfil que simulam ser profissionais da área jurídica, muitas vezes retiradas de perfis reais de advogados em redes sociais ou sites de escritórios, também contribui para a credibilidade da farsa. A combinação de dados reais do processo com uma identidade visual falsa cria um cenário onde a vítima se sente segura em fornecer as informações solicitadas, acreditando estar lidando com um profissional sério.
O Mecanismo do “Alvará Falso”: Uma Ferramenta de Manipulação Psicológica
O envio do documento falso em formato PDF, simulando um alvará judicial, é um dos pilares da estratégia dos golpistas. Este “alvará” não é apenas um arquivo digital, mas uma ferramenta de manipulação psicológica que visa reforçar a ideia de que o dinheiro está prestes a ser liberado e que apenas uma pequena formalidade – o pagamento de uma taxa – impede a concretização.
O documento é elaborado para parecer o mais oficial possível, com elementos visuais que remetem a documentos do Judiciário. A inclusão de dados específicos da vítima e do processo torna o “alvará” ainda mais convincente. Ao receber este documento, a vítima se sente mais próxima de receber o valor que lhe é devido, e a solicitação posterior de pagamento de “taxas” ou “custas processuais” pode parecer um passo lógico e necessário.
É crucial entender que alvarás judiciais são documentos formais emitidos pelo juiz para autorizar o levantamento de valores depositados em juízo. O procedimento para liberação de valores geralmente envolve a apresentação de documentos e a verificação de dados, mas nunca o pagamento de taxas antecipadas por meio de aplicativos de mensagem ou transferências diretas para contas de terceiros.
A Pressão por Pagamento: A Etapa Final do Golpe
Uma vez que a vítima foi convencida da veracidade do “alvará” e da iminência do recebimento do dinheiro, o golpista parte para a solicitação direta de pagamentos. A justificativa para essa exigência varia, mas geralmente envolve “custas processuais”, “taxas de liberação”, “impostos” ou “depósitos para desbloqueio” do valor principal.
Os valores solicitados podem ser desde pequenas quantias até valores mais expressivos, dependendo da quantia que a vítima acredita que irá receber. A pressão psicológica é intensa, com os golpistas alegando que, sem o pagamento imediato, o processo pode ser atrasado, ou o valor pode ser retido. Essa urgência em obter o dinheiro é o que impede a vítima de buscar esclarecimentos e cair na armadilha.
É fundamental que as vítimas compreendam que não existem “taxas de liberação” ou “custas processuais” a serem pagas diretamente a advogados ou por meio de transferências para contas pessoais para liberar valores judiciais. Todos os pagamentos relacionados a processos judiciais, quando devidos, são feitos através de guias e em contas oficiais, seguindo procedimentos estabelecidos pela própria Justiça.
Como se Proteger: Orientações Essenciais da OAB e das Autoridades
Diante da crescente incidência deste tipo de golpe, as autoridades e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reforçam a importância da atenção e da verificação de informações. A principal orientação é desconfiar de qualquer solicitação de pagamento de taxas ou envio de dados bancários por meio de aplicativos de mensagens, especialmente quando se trata de liberação de valores judiciais.
Tribunais e advogados legítimos jamais solicitarão pagamentos de taxas para liberar alvarás por mensagens instantâneas. Qualquer pedido que envolva a transferência de dinheiro para “desbloquear” valores obtidos na justiça deve ser encarado como uma tentativa de fraude. A recomendação é nunca fornecer dados sensíveis ou realizar depósitos sem antes confirmar a autenticidade da informação.
A forma mais segura de verificar a legitimidade de uma comunicação é entrar em contato diretamente com o escritório de advocacia real que está cuidando do seu processo. Utilize os números de telefone fixo e os endereços de e-mail oficiais divulgados pelo próprio escritório ou pela OAB. Em caso de dúvida, nunca hesite em buscar confirmação, pois a prevenção é a melhor arma contra o estelionato digital.
Denuncie e Evite que Mais Pessoas Sejam Vítimas
A disseminação deste tipo de golpe prejudica não apenas as vítimas financeiramente, mas também abala a confiança no sistema judiciário e na classe dos advogados. É responsabilidade de todos colaborar para coibir essas práticas criminosas.
Caso você ou alguém que você conheça tenha sido vítima ou tenha recebido abordagens suspeitas, é fundamental registrar um Boletim de Ocorrência. A denúncia é o primeiro passo para que as autoridades possam investigar e prender os responsáveis, além de alertar outras potenciais vítimas.
Compartilhe informações sobre golpes como este com seus familiares e amigos. A conscientização é uma ferramenta poderosa para a prevenção. Lembre-se sempre: se algo parece bom demais para ser verdade, provavelmente é uma fraude. A cautela e a verificação de informações são essenciais no mundo digital.