O Google não planeja integrar anúncios em seu modelo de inteligência artificial, o Gemini, em um futuro próximo. Essa decisão estratégica contrasta diretamente com os movimentos recentes de concorrentes no mercado de chatbots, como o ChatGPT, que anunciou testes de publicidade.
A prioridade do gigante da tecnologia, segundo seus líderes, é o aprimoramento contínuo da ferramenta e a garantia de uma experiência de usuário imparcial e de alta qualidade, livre de interrupções comerciais.
A confirmação veio de Demis Hassabis, CEO da Google DeepMind, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, conforme informações divulgadas pelo portal Sources.
A Estratégia do Google: Sem Anúncios no Gemini Por Enquanto
Demis Hassabis afirmou que a empresa “não tem planos” de monetizar o chatbot via publicidade no momento. A decisão reflete um foco claro no desenvolvimento tecnológico do Google Gemini, buscando solidificar sua posição como um assistente universal e confiável.
Essa postura se diferencia da OpenAI, que recentemente anunciou o início dos testes de anúncios nas versões gratuita e Go do ChatGPT nos Estados Unidos. Hassabis comentou sobre a estratégia da rival, observando: “é interessante que eles tenham ido por esse caminho tão cedo. Talvez eles sintam que precisam gerar mais receita”.
A pressão financeira sobre a OpenAI tem sido objeto de especulações, com um colunista do New York Times sugerindo possíveis dificuldades para a companhia em um prazo de 18 meses. Esse cenário, embora não seja uma previsão oficial, indica uma preocupação crescente do mercado com as finanças da empresa.
Publicidade e a “Contaminação” da IA
Para o Google, a integração de anúncios em uma inteligência artificial pessoal como o Gemini exige extremo cuidado. Hassabis demonstrou ceticismo sobre a convivência entre publicidade e a proposta de um assistente de IA que seja genuinamente útil e imparcial.
O executivo explicou que os usuários esperam que um assistente universal confiável ofereça recomendações “genuinamente boas para você, imparciais e não contaminadas”. Misturar essa dinâmica com publicidade, segundo ele, pode comprometer a confiança do usuário, pois “há muitas maneiras de fazer isso de forma errada”.
A prioridade é transformar o Google Gemini em um assistente ainda melhor e mais onipresente, garantindo que suas respostas e sugestões sejam percebidas como puras e focadas nos interesses do usuário, sem influências comerciais.
China no Cenário da IA: Seis Meses Atrás do Ocidente
Além de abordar a questão dos anúncios, Hassabis também avaliou o panorama global da inteligência artificial, comentando sobre o progresso das empresas chinesas. Ele estima que companhias de IA na China, como a startup DeepSeek, estejam cerca de seis meses atrás dos principais laboratórios ocidentais em termos de tecnologia de ponta.
Conforme a Bloomberg, Hassabis classificou a reação do mercado ao modelo R1 da DeepSeek, lançado há um ano, como uma “reação exagerada e massiva”, mas reconheceu a qualidade dos avanços. Ele destacou, em particular, o progresso chinês diante das significativas restrições de hardware impostas pelos Estados Unidos.
O CEO da Google DeepMind observou que, embora as empresas chinesas sejam extremamente competentes em “alcançar a fronteira” tecnológica, elas “ainda precisam mostrar que conseguem inovar além dessa fronteira”, sugerindo que o verdadeiro desafio está na criação de inovações disruptivas e originais.