PSD: Governadores defendem responsabilidade fiscal e criticam fim da escala 6×1
Três das principais lideranças do PSD e pré-candidatos à Presidência da República em 2026, os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), Ratinho Junior (Paraná) e Ronaldo Caiado (Goiás) se manifestaram nesta sexta-feira (6) em defesa de maior responsabilidade fiscal nas contas públicas do Brasil. Em um evento promovido pela Fundação Espaço Democrático, em São Paulo, os chefes de estado também expressaram forte crítica à proposta do governo federal de extinguir a escala de trabalho 6×1, medida vista como uma aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o ano eleitoral.
O encontro, realizado no Clube Atlético Monte Líbano, na capital paulista, também foi palco de importantes filiações ao PSD. Deputados estaduais paulistas como Analice Fernandes, Barros Munhoz, Carlão Pignatari e Rogério Nogueira, egressos do PSDB, além de Dirceu Dalben (ex-Cidadania) e Márcio Nakashima (ex-PDT), se juntaram à legenda sob a condução do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que deve disputar uma vaga de deputada estadual, também esteve presente.
Durante os debates, os governadores abordaram temas como os programas sociais do governo federal e o impacto da possível mudança na jornada de trabalho. Caiado e Leite foram mais diretos nas críticas à condução do governo petista, enquanto Ratinho Jr. focou nas consequências da proposta para a juventude e na necessidade de otimizar a máquina pública. As declarações dos governadores, conforme informações divulgadas pelo evento.
Caiado classifica proposta do governo como “populismo orçamentário”
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi um dos mais contundentes em sua crítica à proposta de extinguir a escala 6×1 e, de forma mais ampla, às políticas econômicas do governo federal. Ele classificou a iniciativa como um “típico tema petista”, argumentando que o partido “não tem orçamento” e não apresenta clareza sobre a capacidade financeira para arcar com as consequências de tais medidas. Para Caiado, é fundamental que as decisões econômicas sejam baseadas em “pessoas capazes, consistentes, reconhecidas de toda essa economia nacional”, para que se possa prever as “consequências de um populismo como esse”.
Caiado também direcionou críticas diretas ao presidente Lula, relembrando promessas de campanha feitas desde 1989 sobre o combate à pobreza. Segundo o governador, após cerca de duas décadas no poder, o discurso se repete anualmente, mas a erradicação da pobreza no país ainda é um objetivo distante. Ele ressaltou a importância de uma gestão fiscal responsável, contrastando com o que percebe como “irresponsabilidade fiscal” do governo atual.
Eduardo Leite defende igualdade de oportunidades e critica gastos com juros
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, reconheceu a importância dos programas sociais como ferramentas para corrigir desigualdades preexistentes. No entanto, ele enfatizou que o foco principal das políticas públicas deveria ser a promoção da igualdade de oportunidades. Leite apresentou dados preocupantes sobre o direcionamento de recursos públicos, apontando que, enquanto o Brasil destinou mais de R$ 400 bilhões a programas sociais, cerca de R$ 1 trilhão foi utilizado no pagamento de juros da dívida pública no último ano.
Essa disparidade, segundo Leite, evidencia que a “irresponsabilidade fiscal tem um custo elevado” para toda a sociedade. Ele também se mostrou crítico em relação à proposta de acabar com a escala 6×1, argumentando que, antes de se discutir ajustes na carga tributária ou na jornada de trabalho, o país precisa ganhar produtividade. “Se um país que não tem capacidade produtiva comparável a outros países no mundo ousa dar esse passo de maneira demagógica, a gente vai para um caminho de suicídio econômico”, alertou o governador gaúcho.
Ratinho Jr. questiona a “máquina pública” e a proliferação de ministérios
Embora não tenha mencionado diretamente a proposta de extinção da escala 6×1, o governador do Paraná, Ratinho Jr., fez uma analogia contundente sobre a estrutura do Estado brasileiro, descrevendo a máquina pública como “um grande elefante pesado, lento e que come demais”. Ele questionou a necessidade de o Brasil manter 38 ministérios, sugerindo que a maioria da população desconhece a existência de tantas pastas e quem são seus respectivos comandantes. Essa observação se alinha com a defesa de um ajuste fiscal e uma gestão mais eficiente dos recursos públicos.
Ratinho Jr. também criticou o ciclo contínuo de aumento de impostos e a expansão da máquina pública, afirmando que “todo dia, ou quase toda semana, todos os anos, a gente vê aumento de imposto, aumento de imposto e aumento da máquina pública”. A fala do chefe do Executivo paranaense reforça a visão de que o Estado precisa ser mais enxuto e produtivo para que o país possa avançar economicamente, sem onerar excessivamente os cidadãos e empresas.
PSD: Filiações reforçam bancada e projetam cenário eleitoral
O evento em São Paulo também serviu para fortalecer o PSD com a filiação de diversos políticos experientes. A entrada de deputados estaduais paulistas como Analice Fernandes, Barros Munhoz, Carlão Pignatari e Rogério Nogueira, que deixam o PSDB, além de Dirceu Dalben (ex-Cidadania) e Márcio Nakashima (ex-PDT), demonstra a estratégia de expansão e consolidação do partido. Essas adesões visam aumentar a representatividade do PSD nas assembleias legislativas e, futuramente, nas esferas federal e executiva.
A presença de lideranças como o presidente nacional Gilberto Kassab e a senadora Mara Gabrilli sublinha a importância dessas novas filiações para o projeto político do partido. O PSD busca se posicionar como uma alternativa viável no cenário político nacional, atraindo quadros de outros partidos e fortalecendo suas bases eleitorais. A articulação política em torno dessas novas adesões sinaliza um movimento de preparação para as próximas disputas eleitorais, com foco especial nas eleições presidenciais de 2026.
Defesa de privatizações e apoio à PEC da Segurança
Em linha com a defesa de um Estado mais eficiente e com maior responsabilidade fiscal, os governadores presentes no evento também manifestaram apoio à privatização de empresas estatais. Essa pauta é vista como um caminho para otimizar a gestão de ativos públicos, reduzir o endividamento e gerar recursos para investimentos em áreas prioritárias. A ideia é que o setor privado possa gerir esses ativos com mais eficiência, promovendo o desenvolvimento econômico e a geração de empregos.
Adicionalmente, os governadores elogiaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, de autoria do deputado federal Mendonça Filho (União Brasil-PE). A PEC, que altera a proposição inicial do governo federal, busca fortalecer as políticas de segurança pública no país. O apoio a essa iniciativa demonstra o alinhamento do PSD com pautas que visam aprimorar a gestão pública e a segurança da população, complementando a visão de responsabilidade fiscal com ações concretas para o desenvolvimento do país.
Impacto da escala 6×1: O que muda para os trabalhadores?
A proposta de extinguir a escala de trabalho 6×1, defendida pelo governo federal, tem gerado debates acalorados sobre seus potenciais impactos para os trabalhadores. Essa modalidade de jornada de trabalho, que prevê seis dias de trabalho seguidos por um de descanso, é comum em diversos setores, como o varejo e a indústria. A extinção dessa escala, segundo o governo, visa melhorar as condições de trabalho e garantir um descanso mais adequado aos empregados.
No entanto, críticos como os governadores do PSD argumentam que a mudança pode gerar custos adicionais para as empresas, o que, em última instância, poderia se refletir em menor geração de empregos ou no aumento de preços para os consumidores. A discussão gira em torno de encontrar um equilíbrio entre a melhoria das condições de trabalho e a sustentabilidade econômica das empresas, um ponto central na crítica ao que foi chamado de “populismo orçamentário” pelo governador Caiado. A falta de clareza sobre os custos e os benefícios de tal medida é um dos principais pontos de preocupação.
Ajuste fiscal: Um caminho necessário para a estabilidade econômica?
A defesa do ajuste fiscal por parte dos governadores do PSD reflete uma preocupação crescente com a sustentabilidade das contas públicas no Brasil. O conceito de ajuste fiscal envolve um conjunto de medidas destinadas a equilibrar as receitas e despesas do governo, geralmente por meio de cortes de gastos, aumento de impostos ou uma combinação de ambos. No contexto atual, a crítica se concentra na expansão dos gastos públicos sem um planejamento orçamentário claro e sustentável.
Eduardo Leite destacou que a “irresponsabilidade fiscal tem um custo elevado”, citando os gastos com juros como um exemplo de como a má gestão financeira penaliza a sociedade. A busca por um ajuste fiscal é vista como um pré-requisito para garantir a estabilidade econômica, atrair investimentos e promover o crescimento a longo prazo. A proposta de privatizações e a otimização da máquina pública, defendidas pelos governadores, são vistas como ferramentas essenciais para alcançar esse objetivo, sem a necessidade de aumentar a carga tributária sobre os cidadãos e empresas.
O futuro do PSD e a corrida presidencial de 2026
O evento em São Paulo, com a presença de lideranças importantes e a realização de filiações estratégicas, reforça o posicionamento do PSD como um partido com ambições nacionais. Os governadores Eduardo Leite, Ratinho Jr. e Ronaldo Caiado são vistos como potenciais candidatos à Presidência da República em 2026, e suas declarações no evento moldam a plataforma política do partido. A defesa de um ajuste fiscal, a crítica a políticas consideradas “populistas” e a defesa da eficiência na gestão pública são os pilares que o PSD busca consolidar.
A capacidade do partido de atrair novos membros e de articular uma mensagem coesa será crucial para sua performance nas próximas eleições. A oposição a medidas do governo federal, como a proposta sobre a escala 6×1, serve para demarcar o espaço político do PSD e atrair eleitores que buscam alternativas às políticas atuais. A projeção para 2026 já se desenha com um PSD fortalecido e com lideranças prontas para disputar o cenário nacional, apresentando um projeto de país focado em responsabilidade fiscal e desenvolvimento sustentável.