O governo brasileiro, sob o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, intensifica articulações no Congresso Nacional. Busca-se a rápida aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, tratado visto como estratégica oportunidade.
A aposta é em um consenso político amplo para destravar a pauta no início do ano legislativo. O governo visa superar tensões anteriores, enviando um sinal de diálogo institucional.
A expectativa é que o tema chegue à Câmara e ao Senado a partir de fevereiro. A ideia é unir parlamentares de diversas correntes em torno de uma agenda positiva para o Brasil, conforme apurações jornalísticas.
A Estratégia do Governo e o Apoio Parlamentar
O governo avalia que o acordo Mercosul União Europeia tem potencial para unificar o Congresso. É também um gesto direto ao setor do agronegócio.
Este setor, que concentra parte significativa da oposição ao Palácio do Planalto, deve obter ganhos expressivos com o tratado, o que pode facilitar o apoio à proposta.
Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, confirmou conversas com Hugo Motta, presidente da Casa. O objetivo é apresentar a proposta no fim de janeiro, provavelmente na reunião de líderes.
Farias destacou a importância de “Começar o ano com uma pauta que unifica o Parlamento, de grande interesse para o país. Seria muito bom”, disse ele, em entrevista ao O Globo.
Hugo Motta já manifestou publicamente sua intenção de dar prioridade à votação do acordo. Ele busca acelerar sua tramitação para aprimorar a imagem do legislativo, criticado por outras propostas.
O Impacto Econômico do Acordo
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia representa a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. É o resultado de mais de duas décadas de complexas negociações entre os blocos.
O texto prevê a eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral, impulsionando as trocas. Produtos europeus como automóveis, máquinas, vinhos e bebidas alcoólicas terão entrada facilitada.
Em contrapartida, as exportações sul-americanas de commodities como carne, açúcar, arroz, mel e soja terão acesso ampliado ao mercado europeu. Isso deve gerar novas oportunidades para produtores do Brasil.
Caminho no Congresso e Expectativas
Apesar do entusiasmo, o governo reconhece que o Carnaval pode postergar os debates para março. Contudo, a expectativa é que o tema avance sem grandes resistências, dada a importância do acordo.
Este otimismo se baseia no evidente interesse econômico do acordo Mercosul União Europeia. O contexto das eleições, com deputados buscando reeleição, também favorece a aprovação célere da pauta.
No Senado, Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores, confirmou a disposição de Davi Alcolumbre, presidente da casa, em acelerar a análise.
Trad destacou que “É uma pauta que une todos os setores e que é extremamente necessária”, prevendo a votação do acordo ainda no primeiro semestre do ano.
Visão do Vice-Presidente e Próximos Passos
O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou a projeção de aprovação do acordo ainda neste ano. Ele explicou que o tratado precisa ser internalizado no Brasil por meio de uma lei específica.
Alckmin afirmou: “A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos, no segundo semestre, a vigência do acordo”. Isso sublinha a urgência da tramitação.
Hugo Motta, por sua vez, reiterou o compromisso da Câmara com a celeridade do processo. Ele afirmou a importância de uma tramitação eficiente para que o acordo comece a gerar benefícios rapidamente.
O presidente da Câmara pontuou: “Pretendemos dar ao acordo a tramitação mais rápida possível na Câmara dos Deputados, para que ele possa entrar em vigor o quanto antes e, assim, começar a repartir seus frutos a todos os participantes.”