A ideia de os Estados Unidos adquirirem a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, voltou ao centro das atenções políticas e econômicas. O presidente Donald Trump, em uma escalada de sua controversa proposta, anunciou recentemente tarifas contra nações aliadas que se opõem à anexação da ilha no Ártico.
Enquanto a comunidade internacional avalia as implicações comerciais e diplomáticas dessa medida, uma questão crucial emerge: qual seria o verdadeiro custo Groenlândia para os cofres americanos, não apenas para a compra, mas também para a administração e desenvolvimento da vasta ilha?
Esses valores estratosféricos têm sido objeto de cálculos e análises por especialistas e ex-servidores do governo, conforme informações divulgadas pela emissora NBC e pela revista Fortune.
O Preço da Aquisição: Bilhões Apenas na Compra da Groenlândia
Apenas a compra da Groenlândia já representa um valor assombroso. Fontes informadas sobre os cálculos da Casa Branca, citadas pela NBC, estimam que a aquisição da ilha custaria até US$ 700 bilhões aos cofres americanos. Esta é uma estimativa feita por especialistas e ex-servidores do governo, como parte do planejamento.
Para se ter uma ideia da magnitude, esse valor sozinho representaria cerca de 70% de todo o orçamento de defesa dos Estados Unidos para 2026. Donald Trump tem reiterado que seu interesse na Groenlândia é primariamente para fins de segurança nacional, buscando isolar a China e a Rússia da ilha estratégica no Ártico.
Manutenção e Desenvolvimento: O Custo a Longo Prazo
No entanto, o custo Groenlândia não se limita à sua compra. Analistas ouvidos pela revista de negócios Fortune afirmaram que o valor total da empreitada pode atingir US$ 1 trilhão nas próximas duas décadas. Este montante inclui os investimentos necessários para desenvolver a infraestrutura do território.
Além dos US$ 700 bilhões da compra, seriam exigidos centenas de bilhões de dólares para modernizar a ilha. A expectativa é de uma espera de dez a 20 anos antes de se observar qualquer sucesso comercial significativo, segundo a reportagem da Fortune, evidenciando a complexidade do investimento.
Os Estados Unidos também teriam que arcar com os custos operacionais anuais. Atualmente, a ilha recebe US$ 700 milhões em subsídios anuais para custear serviços essenciais como educação e saúde para sua população de aproximadamente 56 mil habitantes, um ônus que o comprador precisaria assumir ao comprar a Groenlândia.
O Desafio Econômico da Groenlândia
Apesar de seu vasto território, a Groenlândia enfrenta desafios econômicos significativos. Atualmente, a ilha não produz petróleo e conta com apenas duas minas ativas, de ouro e anortosito. Projetos de exploração de terras raras e petróleo por empresas americanas ainda estão em estágios iniciais.
Malte Humpert, pesquisador sênior e fundador do think tank The Arctic Institute, explicou à Fortune que a insignificância econômica da Groenlândia decorre de suas condições meteorológicas extremas. A exploração de seus recursos naturais exigiria investimentos bilionários, sem garantia de um retorno significativo.
Humpert descreveu o ambiente: “Você está lidando com gelo, ursos polares, escuridão, falta de energia, o mar congelado, temperaturas muito baixas. É provavelmente um dos lugares mais inóspitos da Terra.” Ele acrescentou que o fato de a exploração não ter sido feita antes “é tudo o que você precisa saber. É muito difícil tornar isso economicamente viável.”
Segurança Nacional Versus Recursos Naturais
A motivação para comprar a Groenlândia tem sido um ponto de debate. Em 2024, Mike Waltz, conselheiro de Trump e atual embaixador dos EUA na ONU, disse à emissora Fox News que a equipe republicana tinha interesse nos “minerais críticos” e “recursos naturais” da ilha, sugerindo uma visão econômica.
Contudo, em uma declaração mais recente, o próprio Donald Trump mudou o foco. No mês passado, ele afirmou que a empreitada de sua gestão não tem objetivos econômicos, declarando: “Precisamos da Groenlândia para a segurança nacional, não para minerais.” Isso reforça a perspectiva estratégica e geopolítica por trás do interesse dos Estados Unidos na ilha.