A Colômbia anunciou nesta sexta-feira (23) a imposição de uma tarifa de 30% sobre mais de 50 produtos equatorianos. A medida é uma resposta direta à decisão do Equador de aplicar uma taxa similar sobre as importações colombianas, que entrará em vigor em 1º de fevereiro.
Essa escalada nas tensões comerciais entre os dois países sul-americanos tem suas raízes em acusações de falta de reciprocidade na cooperação contra o narcotráfico por parte do Equador, enquanto a Colômbia busca restabelecer o que considera um equilíbrio comercial.
A decisão foi divulgada pelo governo colombiano, conforme informações do Ministério do Comércio, Indústria e Turismo, marcando um novo capítulo nas relações bilaterais.
A Resposta Colombiana e os Produtos Afetados
A lista de produtos sujeitos à tarifa de 30% é vasta e abrange desde itens alimentícios essenciais até bens manufaturados. Entre eles, estão feijão, arroz, banana-da-terra, óleos e açúcar, que representam parte significativa das importações do Equador.
Além dos alimentos, a medida colombiana impacta pneus, calçados, tubos de alumínio, cilindros e botijões de gás, álcool etílico e inseticidas, conforme detalhado pelo Ministério do Comércio, Indústria e Turismo.
O ministério informou que a decisão contempla a aplicação de uma tarifa ad valorem de 30% a 23 linhas tarifárias, subdivididas em 73 subposições, correspondentes a produtos originários do Equador. Isso demonstra a amplitude da retaliação econômica colombiana.
A Origem da Tensão: Narcotráfico e Falta de Cooperação
A raiz dessa disputa comercial remonta à quarta-feira (21), quando o presidente equatoriano, Daniel Noboa, anunciou a imposição de uma tarifa de 30% sobre produtos colombianos. Noboa justificou a medida pela suposta falta de reciprocidade na cooperação contra o narcotráfico.
Em uma publicação no X, Noboa afirmou que o Equador aplicaria uma “taxa de segurança de 30% sobre as importações da Colômbia” devido à falta de colaboração no combate ao crime organizado na fronteira. Ele acrescentou: “Temos insistido no diálogo, mas nossas forças armadas continuam a enfrentar grupos criminosos sem qualquer cooperação”.
A Colômbia, por sua vez, defende que suas tarifas são um “instrumento transitório destinado a restabelecer as condições de equilíbrio comercial”, conforme explicou a ministra Diana Marcela Morales, indicando que a motivação é econômica e não diretamente ligada à segurança.
Impacto Econômico e Justificativa das Medidas
As importações equatorianas sujeitas à nova tarifa totalizam aproximadamente US$ 250 milhões anualmente, um valor considerável para o comércio bilateral. O volume importado desses produtos atingiu 683.825,8 toneladas entre janeiro de 2023 e outubro de 2025, conforme dados do ministério colombiano.
A ministra Diana Marcela Morales enfatizou a necessidade de proteger o setor produtivo colombiano. Ela declarou que “quando esse quadro é modificado unilateralmente e as condições comerciais preexistentes são afetadas, o Estado colombiano tem a obrigação de agir para corrigir a alteração e proteger seu setor produtivo, garantindo o equilíbrio comercial”.
O governo colombiano também indicou que a medida poderá ser estendida “a um grupo mais amplo” de produtos após análise técnica, sinalizando que a retaliação pode se aprofundar caso a situação não seja resolvida.
Busca por Equilíbrio e Relações Futuras
Apesar da firmeza na resposta, a ministra Morales assegurou que as medidas não visam agravar permanentemente as tensões entre os países. Ela destacou: “Essas medidas não têm a intenção de agravar as tensões ou afetar permanentemente a relação comercial entre os países. São instrumentos legítimos para corrigir desequilíbrios e preservar condições de câmbio justas e previsíveis”.
A situação coloca em xeque a estabilidade das relações comerciais na região, com ambos os países buscando proteger seus interesses. O diálogo diplomático será crucial para desescalar essa “guerra comercial” e evitar impactos mais severos nas economias locais.
A comunidade internacional observa atentamente como Colômbia e Equador irão navegar por essa crise, que mistura preocupações com segurança e disputas comerciais, afetando diretamente a fluidez do comércio bilateral.