Tensão no Oriente Médio: Ataques iranianos, reações globais e o impacto nos mercados financeiros
O cenário geopolítico no Oriente Médio se agrava com uma série de ataques e contra-ataques envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados. O presidente americano, Donald Trump, alertou que a guerra contra o Irã pode se estender por mais de um mês, enquanto o Catar anunciou ter abatido caças iranianos. A escalada da violência já reflete nos mercados globais, com o dólar registrando alta frente ao real e o preço do petróleo disparando.
A onda de ataques iranianos atingiu infraestruturas críticas no Catar e na Arábia Saudita, gerando incêndios em refinarias e a suspensão da produção de gás natural liquefeito. Simultaneamente, Israel intensificou suas operações no Líbano, em resposta a ações do Hezbollah, elevando o número de mortos no país. A situação levou a Espanha a negar o uso de suas bases militares para ações contra o Irã, divergindo de outros parceiros europeus.
A Casa Branca, por sua vez, declarou que 49 dos mais altos líderes iranianos foram mortos nos ataques, incluindo o Aiatolá Ali Khamenei, em uma operação descrita como a mais letal e complexa da história. As informações foram divulgadas em meio a um pronunciamento do presidente Trump e comunicados oficiais de diversos países envolvidos. Conforme informações divulgadas pela BBC News Brasil e outras agências internacionais.
Trump prevê guerra prolongada e EUA intensificam ‘operações de combate’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as forças americanas continuam a realizar operações de combate em larga escala no Irã com o objetivo de eliminar as ameaças representadas pelo regime iraniano. Segundo Trump, o Irã ignorou os avisos dos EUA e persistiu em sua busca por armas nucleares. Ele declarou que os EUA já estão “substancialmente à frente” das projeções de tempo iniciais para o conflito, que previam de quatro a cinco semanas, e que possuem “capacidade de ir muito mais longe”.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, descreveu a operação contra o Irã como a mais letal, complexa e precisa da história, realizada sob ordens diretas de Trump. Hegseth advertiu que qualquer um que ameace americanos será caçado “sem remorso e sem hesitação”, e ressaltou a importância de impedir que regimes como o do Irã possuam armas nucleares, atribuindo a Trump a “coragem” necessária para tal ação.
Catar abate caças iranianos e sofre ataques em instalações de gás
O Ministério da Defesa do Catar anunciou ter abatido dois aviões SU-24 vindos do Irã, além de interceptar sete mísseis balísticos e cinco drones que tinham como alvo diversas áreas do país. A QatarEnergy, empresa estatal de energia do Catar, informou a suspensão da produção de gás natural liquefeito (GNL) após os ataques iranianos atingirem instalações importantes, como Ras Laffan e Mesaieed. O Catar é um dos maiores produtores mundiais de GNL e os ataques ocorrem após os EUA e Israel terem agido contra o Irã.
A agência de notícias Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, confirmou a morte de sete comandantes das forças armadas iranianas, incluindo o chefe do Gabinete militar do líder supremo. A agência também publicou que a esposa do Aiatolá Ali Khamenei, juntamente com sua filha, neto e genro, teriam sido mortos em um ataque.
Israel intensifica ataques no Líbano e número de mortos sobe para 52
Em resposta a disparos de foguetes do Hezbollah contra o norte de Israel, as Forças de Defesa de Israel (IDF) lançaram uma operação militar significativamente mais ampla no Líbano. Alvos do Hezbollah em Beirute e no sul do país, considerados redutos do grupo, foram atacados. O Ministério da Saúde libanês informou que os ataques israelenses resultaram na morte de pelo menos 52 pessoas e deixaram 154 feridas. A IDF confirmou a eliminação de Hussein Makled, chefe do quartel-general de inteligência do Hezbollah, em um ataque preciso em Beirute.
Autoridades israelenses argumentam que a resposta foi necessária devido à expansão do conflito pelo Hezbollah. A porta-voz das IDF, Effie Defrin, declarou que as operações não serão concluídas até que “a ameaça do Líbano seja eliminada” e que “todas as opções estão sobre a mesa”, indicando a possibilidade de uma operação terrestre.
Espanha nega uso de bases militares para ataques ao Irã, divergindo de aliados
O governo espanhol negou à administração dos Estados Unidos a permissão para usar as bases militares conjuntas de Rota e Morón, no sul da Espanha, para ações militares contra o Irã. O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, afirmou que a Espanha não autorizará o uso de seu território para “nada que não esteja de acordo com a Carta das Nações Unidas”. Essa decisão coloca a Espanha em desacordo com diversos parceiros europeus, embora o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, tenha declarado apoio à ação dos EUA.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, condenou o que chamou de “ação militar unilateral” realizada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Por outro lado, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o país não esteve envolvido e não se envolverá nos ataques iniciais ao Irã, embora tenha aceitado um pedido dos EUA para uso de bases britânicas em ações “defensivas”. Starmer ressaltou que o Reino Unido não está se juntando aos ataques ofensivos de EUA e Israel, priorizando o interesse nacional britânico.
Mercados reagem com alta do dólar e disparada do petróleo
No primeiro dia útil após os ataques ao Irã, os mercados financeiros globais começaram a registrar os impactos da escalada de tensões no Oriente Médio. O dólar fechou em alta de 0,62% frente ao real, interrompendo uma trajetória de queda nas semanas anteriores. Durante o dia, a moeda americana chegou a bater R$ 5,21, encerrando o pregão em R$ 5,16.
O preço do petróleo também disparou, com o barril do tipo Brent registrando alta de mais de 7,5% e sendo negociado perto de US$ 79. O petróleo WTI, negociado em Nova York, subiu cerca de 6%, cotado a pouco mais de US$ 71 o barril. No Brasil, as ações da Petrobras na B3 apresentaram alta de cerca de 4%, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou leve queda.
Embaixador de Israel na ONU: Operações contra o Irã durarão “o tempo que for necessário”
O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, declarou em Nova York que Israel não interromperá a operação contra o Irã até que seus objetivos sejam alcançados. Ele listou como metas a “ausência de armas nucleares, ausência de ameaça de mísseis balísticos, destruição da marinha iraniana e desmantelamento da rede de grupos paramilitares do regime”. Danon afirmou que a operação conjunta durará “o tempo que for necessário” e que Israel fará “tudo o que for preciso para proteger seu povo e suas fronteiras”.
O embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula, criticou a ação de matar um líder de país em exercício, classificando-a como “condenável e inaceitável”. Ele alertou para a necessidade de “nos prepararmos para o pior” e mencionou o “aumento vertiginoso das tensões no Oriente Médio, com grande potencial de alastramento”, citando o histórico de fornecimento de armamento do Irã para grupos xiitas e radicais em outros países.
Arábia Saudita controla incêndio em refinaria após ataque de drones
O Ministério da Energia da Arábia Saudita informou que um “incêndio de pequenas proporções” na refinaria de Ras Tanura, operada pela estatal petrolífera Aramaco, foi controlado. O comunicado, divulgado pela Agência de Imprensa Saudita, detalha que a refinaria sofreu “danos leves causados por destroços” devido à interceptação de “dois drones nas proximidades da refinaria”. Um vídeo verificado pela Reuters mostra trabalhadores evacuando o local, com colunas de fumaça saindo do complexo.
EUA emitem alerta para cidadãos deixarem o Líbano imediatamente
A Embaixada dos EUA em Beirute emitiu um comunicado urgente, instando seus cidadãos a deixarem o Líbano imediatamente “enquanto ainda houver voos comerciais disponíveis”. A embaixada descreveu a situação de segurança no país como “instável e imprevisível”, mencionando ataques aéreos em diversas regiões, especialmente no sul, no Vale do Beqaa e em partes de Beirute. A emissão deste alerta reflete a crescente preocupação com a escalada do conflito na região e o risco para civis estrangeiros.