Bitcoin e criptomoedas sofrem com tensão geopolítica no Irã, especialistas alertam para nova queda
O Bitcoin (BitfinexUSD) caminha para fechar a semana em forte desvalorização, refletindo a crescente aversão ao risco no mercado financeiro global. A escalada da guerra no Oriente Médio, com envolvimento direto do Irã, tem minado o apetite dos investidores por ativos considerados mais voláteis, como as criptomoedas.
A principal criptomoeda do mundo registrou uma queda de aproximadamente 4,13%, negociada a US$ 66.030,2. Apesar de um breve rali impulsionado por notícias pontuais, a tendência de baixa se consolidou, pressionada por fatores macroeconômicos e geopolíticos.
Analistas apontam que o foco do mercado mudou de um choque inicial nos preços do petróleo para um cenário de “choque de taxas”. O conflito entre EUA e Irã eliminou, no curto prazo, as esperanças de uma mudança na política monetária global, impactando diretamente ativos sem rendimento como o Bitcoin.
Vencimento de Opções e Pressão em Títulos Agravam Queda do Bitcoin
Um fator adicional que contribuiu para a recente desvalorização foi o vencimento massivo de US$ 14,16 bilhões em opções na sexta-feira. Este evento levou à liquidação de mais de US$ 115 milhões em posições compradas em apenas uma hora, intensificando a pressão vendedora sobre o Bitcoin.
No entanto, a pressão baixista subjacente é amplamente alimentada pela guerra em curso e pela persistência da inflação. Os investidores buscam refúgio em ativos considerados mais seguros, como o dólar americano, especialmente diante das ameaças do Irã de expandir suas operações marítimas no Estreito de Bab el-Mandeb, somando-se ao fechamento do Estreito de Ormuz.
Os preços do petróleo bruto permanecem elevados, impulsionando o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos para o nível mais alto desde julho de 2025. Essa dinâmica representa um obstáculo significativo para ativos de risco, como o Bitcoin, que não oferecem rendimentos intrínsecos.
Perspectivas de Mercado: Otimismo Institucional em Meio à Volatilidade
Apesar do cenário pessimista, alguns observadores institucionais veem a atual retração como um ajuste de sentimento, e não um colapso nos fundamentos do Bitcoin. Analistas da Bernstein, por exemplo, reiteraram uma meta otimista de US$ 150.000 para o final do ano.
Historicamente, o Bitcoin tem demonstrado capacidade de superar o ouro como um ativo portátil e resistente à censura em períodos de extrema incerteza. Contudo, o quadro técnico atual permanece frágil. Um fechamento diário abaixo do nível de suporte crucial de US$ 66.000 pode desencadear uma queda mais acentuada em direção à faixa de US$ 50.000.
Com a janela de 48 horas para desescalada do conflito se estreitando e as negociações em impasse, os mercados continuam focados nos desenvolvimentos militares regionais. A preferência dos investidores pela segurança do dólar americano em detrimento da volatilidade do mercado cripto tem levado a uma notável rotação de capital.
Altcoins Seguem o Rastro do Bitcoin: Ethereum e XRP em Perda
Os preços mais amplos das criptomoedas acompanharam a queda do Bitcoin no início de sábado. O Ether (ETH), a segunda maior criptomoeda, caiu 3,86% para US$ 1.985,91, registrando uma perda semanal de 7,51%.
O XRP também sofreu desvalorização, perdendo 2,81% e sendo negociado a US$ 1,3245, a caminho de uma perda semanal de 8,32%. Outras altcoins importantes, como Solana e Cardano, recuaram 4,7% e 3,52%, respectivamente.
No universo das memecoins, Dogecoin apresentou queda de 2,25%, enquanto $TRUMP perdeu 4,44%. Até que um cessar-fogo credível seja alcançado, espera-se que o Bitcoin permaneça em uma faixa de alta volatilidade, ditada mais pela reação do mercado de títulos ao conflito do que por catalisadores internos da indústria.