A Chegada das Ideias Liberais em um Brasil em Transição Democrática
Em 1985, o Brasil vivia um momento crucial de sua história, emergindo de 20 anos de regime militar e vislumbrando a redemocratização com a eleição indireta de Tancredo Neves. Paralelamente, o mundo assistia à ascensão da globalização, caracterizada pela abertura comercial, redução de barreiras protecionistas e maior intercâmbio tecnológico e financeiro. Nesse cenário de profundas transformações, tanto internas quanto globais, as discussões sobre o modelo econômico e o papel do Estado ganharam centralidade, moldando as expectativas para o futuro do país.
Foi nesse contexto efervescente que um livro do escritor francês Guy Sorman, intitulado ‘O Estado Mínimo’, começou a circular e a influenciar intelectuais e empresários brasileiros. A obra de Sorman, que já provocava debates na França, um país com fortes correntes socialistas, propunha uma crítica contundente à intervenção estatal excessiva e um caminho para o desenvolvimento baseado na liberdade econômica. Sua visão, alinhada à onda liberal que ganhava força globalmente, chegou ao Brasil como um contraponto direto às políticas estatizantes que, segundo ele, haviam contribuído para o atraso de nações ricas em recursos naturais.
Apesar da promessa de modernização e adesão às regras da globalização que acompanhava a nova era política, a realidade brasileira era complexa. Com a doença e falecimento de Tancredo Neves e a posse de José Sarney, o país herdou uma equipe econômica que, embora com intenções modernizantes, enfrentava o desafio monumental da hiperinflação. As ideias de Sorman, portanto, não eram apenas teóricas, mas ofereciam uma lente crítica para analisar os problemas estruturais que o Brasil se preparava para enfrentar, conforme informações da fonte.
Guy Sorman e a Crítica Contundente ao Estado Inchado
Guy Sorman, em sua obra ‘O Estado Mínimo’, não poupava críticas aos países que, apesar de abençoados com vasta riqueza natural, permaneciam mergulhados na pobreza e no atraso. Para o autor, essa condição não era uma fatalidade imposta pelo destino, mas sim o resultado direto de políticas equivocadas, muitas vezes inspiradas em teorias esquerdistas que promoviam a expansão desmedida do poder estatal. Ele argumentava que a intervenção excessiva do governo e o gigantismo da máquina pública eram os principais entraves ao desenvolvimento econômico e social.
Sorman denunciava o crescimento desmedido do Estado e suas máquinas burocráticas, caracterizadas por serem clientelistas, inchadas e caras. Ele apontava que, somadas às empresas estatais ineficientes e ao baixo investimento social, essas estruturas eram as grandes responsáveis pela dificuldade de muitos países em crescer e, consequentemente, em melhorar a renda per capita de seus cidadãos. A lógica do autor era clara: um Estado que se expande além de suas funções essenciais acaba por se tornar um fardo, drenando recursos e inibindo a iniciativa privada.
Ao visitar o Brasil para uma série de palestras, Sorman foi categórico ao afirmar que o país padecia exatamente dos problemas que ele descrevia em seu livro. Ele destacou que o excesso de regulamentação e as medidas intervencionistas eram os grandes vilões, responsáveis por inibir a criação de novas empresas e a geração de empregos. Essa visão ressoava profundamente em um Brasil que, buscando um novo caminho, via-se confrontado com a necessidade urgente de estimular suas exportações e atrair tecnologias e investimentos estrangeiros, mas se debatia com um modelo econômico ainda fortemente centralizado.