Haddad: Economia não é fator decisivo para eleger ou derrubar governos em 2026
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lançou uma nova perspectiva sobre o cenário político brasileiro, minimizando o impacto da economia nas eleições de 2026. Sua análise sugere que a pauta econômica, embora importante, não será necessariamente o fator determinante para o resultado do pleito.
A visão do ministro se baseia na percepção de que a população está cada vez mais ‘suscetível’ a eventos recentes, o que pode alterar rapidamente as prioridades e preocupações. Essa volatilidade, segundo ele, impacta diretamente as chances dos candidatos.
As declarações foram dadas em entrevista ao UOL nesta segunda-feira, 19 de fevereiro, e ocorrem logo após o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisar para baixo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026, conforme informações divulgadas pelo UOL.
A Volatilidade do Eleitorado e a Influência da Mídia
Para Haddad, a economia pode ser um ponteiro importante, mas não o único decisivo. Ele afirmou: “Eu não acredito que a economia vai derrotar o governo. […] Pode ser que não eleja o governo. Economia, no mundo inteiro, está sendo um ponteiro muito importante, mas não necessariamente decisivo para ganhar ou perder uma eleição”, avaliou o ministro durante a entrevista.
O ministro exemplificou sua teoria ao citar a Operação Contenção, que combateu o avanço do Comando Vermelho no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro. Segundo ele, a atenção da sociedade, antes focada na economia, rapidamente se deslocou para as imagens e números da ação policial.
Essa mudança de foco demonstra, na visão de Haddad, como o humor da população pode ser influenciado pela ‘notícia do dia’. Ele ressaltou que esse comportamento é uma característica de períodos de polarização política.
O Cenário Econômico e as Projeções do FMI
A entrevista do ministro Haddad ocorreu em um contexto de revisão das expectativas econômicas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 de 1,9% para 1,6%.
Para efeito de comparação, o mesmo relatório do FMI prevê um crescimento de 3,3% para o PIB global e de 2,2% para o PIB da América Latina. Essa revisão poderia, em tese, aumentar a pressão sobre a pauta econômica nas próximas eleições.
No entanto, Haddad mantém sua convicção de que outros fatores, como a ‘instabilidade emocional’ da sociedade, terão um peso maior do que os indicadores econômicos tradicionais no pleito de 2026.
A Era do Extremismo e a ‘Esperança de Improváveis’
Haddad também fez uma análise sobre o cenário político global, destacando o crescimento de movimentos extremistas. “Toda fase mais extremista, e nós estamos vivendo uma fase de extrema-direita no mundo, ela gera esse tipo de instabilidade emocional, as pessoas ficam mais suscetíveis à notícia do dia”, explicou o ministro.
Ele argumenta que essa suscetibilidade emocional ‘mantém a chama da esperança dos candidatos mais improváveis’. O ministro citou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um exemplo dessa dinâmica, ao afirmar: “Todo mundo pode chegar à conclusão de que, se Bolsonaro chegou à Presidência da República, qualquer cidadão está habilitado a ser imperador do Brasil.”
Essa visão reforça a ideia de que a racionalidade econômica pode ser ofuscada por narrativas e eventos pontuais, que mobilizam o eleitorado de forma mais emocional.
Haddad e o Futuro Político Pessoal
Apesar de sua análise sobre o cenário das eleições de 2026, Fernando Haddad tem demonstrado resistência à ideia de concorrer a um cargo eletivo. O ministro revelou que está em conversas ‘em tom amistoso’ com o presidente Lula (PT) para apresentar suas justificativas.
Uma das possibilidades que o Partido dos Trabalhadores (PT) enxerga para Haddad é uma candidatura ao Senado por São Paulo. Contudo, o ministro parece focado em sua atual pasta e em sua visão sobre o impacto da economia nas eleições futuras.