O Ibovespa Hoje registrou uma performance notável, com uma forte alta que o levou a renovar suas máximas históricas. O principal índice da Bolsa de Valores brasileira se aproximou da marca inédita dos 170 mil pontos, demonstrando um vigor impressionante ao longo do pregão.
Este avanço significativo ocorre em um contexto internacional de grande cautela. Tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e seus aliados europeus, centradas na questão da Groenlândia, geram volatilidade e apreensão nos mercados globais, impactando diversas economias.
Apesar do cenário externo desafiador, o mercado brasileiro encontra suporte em fatores internos e em um fluxo contínuo de investimentos. As informações são de análises de mercado divulgadas ao longo do dia, que apontam para uma resiliência notável da economia local.
Ibovespa: Recordes e Destaques do Dia
O Ibovespa superou os 167 mil e, na sequência, os 168 mil pontos pela primeira vez na história, alcançando um novo patamar recorde de 169.875,08 pontos. Este desempenho é notável, especialmente considerando que o movimento aqui se descola da tendência de recuo observada nos índices futuros dos EUA.
Grandes nomes do mercado impulsionaram o índice. Ações de empresas como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) registraram fortes altas, juntamente com os grandes bancos, cujos papéis como BBAS3, BBDC4, ITUB4 e SANB11 iniciaram o dia com valorização expressiva, contribuindo para o otimismo.
Entre as maiores altas do pregão, destacaram-se COGN3 com 7,95%, CEAB3 com 6,24% e YDUQ3 com 6,08%, indicando um interesse renovado em setores específicos. O volume negociado na Bolsa de Valores também foi robusto, atingindo R$ 23,90 bilhões.
Analistas do JPMorgan apontam que 2026 pode ser mais um ano de forte entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira. Eles destacam que os investidores buscam diversificação fora dos Estados Unidos, e os mercados emergentes, como o Brasil, são claros beneficiários desse movimento.
Cenário Geopolítico: A Questão da Groenlândia e o Impacto de Trump
As declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial em Davos, mantiveram os investidores em alerta. Trump reiterou seu objetivo de controlar a Groenlândia, recusando-se a descartar o uso da força e ameaçando tarifas sobre a Europa, dizendo que “não há volta” e que “não preciso usar a força”.
Líderes europeus reagiram com veemência. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, acusou Trump de pressioná-lo e afirmou que o Reino Unido “não cederá”. O Parlamento Europeu suspendeu os trabalhos sobre um acordo comercial com os EUA, em resposta aos repetidos pedidos de Trump pela ilha dinamarquesa.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, alertou que a economia europeia precisa de uma “revisão profunda” para enfrentar “o início de uma nova ordem internacional”. Ela enfatizou a incerteza gerada pelas constantes reviravoltas na política comercial americana, com um impacto mais forte na Alemanha do que na França.
A China, por sua vez, rejeitou especulações de que competiria por influência no Ocidente, afirmando que “não temos intenção de competir por influência com nenhum país, nem jamais faríamos isso”, conforme seu porta-voz Guo Jiakun, em meio às tensões transatlânticas.
Mercado de Câmbio, Juros e Commodities
O dólar comercial registrou queda significativa, sendo negociado a R$ 5,32, após ter oscilado para R$ 5,34 e, mais cedo, para R$ 5,380 na venda. Este recuo da moeda americana no Brasil contrasta com a instabilidade gerada pelas notícias internacionais, mostrando um descolamento.
Os juros futuros também apresentaram recuo, com taxas como DI1F27 caindo 0,040 ponto percentual para 13,770%, e DI1F28 com queda de 0,050 ponto percentual para 13,180%. Este movimento sugere uma percepção de menor risco no ambiente econômico doméstico, apesar da turbulência externa.
No mercado de commodities, os preços do petróleo recuavam, influenciados pelas investidas de Trump na Groenlândia e pelas previsões da Agência Internacional de Energia (IEA), que elevou suas estimativas de crescimento da demanda global para 2026, mas ainda sugere um superávit.
O minério de ferro negociado na bolsa de Dalian caiu pela quinta sessão consecutiva. Este declínio foi impulsionado pelos fortes embarques da Rio Tinto, maior fornecedora mundial, e por preocupações com inspeções de segurança na China, adicionando pressão ao mercado de metais.
Notícias Corporativas e Perspectivas de Investimento
A Axia Energia (AXIA3; AXIA6) recebeu uma elevação no preço-alvo do Bradesco BBI, que passou a prever R$ 280/MWh para o preço spot da PLD em 2026, de R$ 185/MWh. A projeção de Ebitda para 2026 subiu para R$ 30 bilhões, e o lucro líquido para R$ 12,9 bilhões, impulsionando suas ações e dividendos.
A Azul anunciou a aprovação de um plano de negócios atualizado e novos aportes de US$ 100 milhões, totalizando US$ 950 milhões, para antecipar sua saída do Chapter 11, prevista para fevereiro. A empresa planeja uma nova oferta pública de ações com 30% de desconto em relação ao valor da empresa no plano.
No cenário político doméstico, uma pesquisa Atlas, encomendada pela Bloomberg, mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderando com folga todos os cenários para a eleição presidencial de outubro, com chances de vitória em primeiro turno, mantendo a liderança também no segundo turno.
O governo também prioriza a votação do fim da escala de trabalho 6×1 ainda no primeiro semestre, além da regulamentação do trabalho por aplicativo. Conforme informou o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, o governo tratará da “taxa de extorsão” cobrada por empresas de tecnologia.