O Ibovespa vivenciou um dia de grande volatilidade, alcançando uma nova máxima histórica de 165.630,82 pontos antes de iniciar um movimento de oscilação. Este desempenho, que inicialmente animou os investidores, logo se ajustou em um pregão marcado por fatores nacionais e internacionais.

A queda acentuada do petróleo no exterior e o impacto sobre as ações da Petrobras (PETR4) foram elementos cruciais para essa virada. Ao mesmo tempo, o mercado reagiu a balanços corporativos, dados econômicos globais e reviravoltas nas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

As expectativas sobre a política monetária, tanto no Brasil quanto nos EUA, e as tensões geopolíticas ao redor do mundo continuam moldando o humor dos investidores. Informações detalhadas foram compiladas de diversas fontes de mercado, incluindo Reuters, IBGE, XP, Itaú BBA, Inter e Ouro Preto Investimentos.

Desempenho do Ibovespa e Destaques Nacionais

O Ibovespa abriu o dia com fôlego renovado, atingindo um novo topo histórico, mas rapidamente reduziu o ritmo e passou a oscilar. Essa mudança de direção foi impulsionada, em parte, pelo ajuste negativo nas ações da Petrobras (PETR4), que recuaram cerca de 1% após a forte alta do dia anterior e em resposta à queda dos preços internacionais do petróleo.

No cenário corporativo, a CSN (CSNA3) chamou a atenção ao anunciar planos estratégicos para reduzir seu endividamento. A empresa pretende iniciar a venda de ativos importantes, com o objetivo de desalavancar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, buscando uma alavancagem sustentável de aproximadamente uma vez a sua relação dívida líquida/Ebitda em até oito anos, conforme comunicado pela companhia.

Os dados de vendas no varejo brasileiro também foram divulgados pelo IBGE, mostrando um avanço de 1,0% em novembro na comparação mensal e de 1,3% em relação ao ano anterior. Esse resultado superou as expectativas do mercado, que projetava altas menores. Segundo André Valério, economista-sênior do Inter, o desempenho positivo reflete a influência da Black Friday e um mercado de trabalho robusto.

Ainda no Brasil, a produção de veículos registrou queda de 15,8% em dezembro ante novembro, somando 184,5 mil unidades, conforme a Anfavea. No ano de 2025, a produção cresceu 3,5%, enquanto as vendas tiveram alta de 2,1%.

No setor imobiliário, a Cury (CURY3) apresentou resultados operacionais sólidos no quarto trimestre de 2025, com forte crescimento de vendas entre 39% e 40% e geração robusta de fluxo de caixa livre. A XP e o Itaú BBA reiteraram recomendações de compra para a ação, destacando a execução impecável da empresa.

A Movida (MOVI3) também divulgou números preliminares positivos para o quarto trimestre de 2025, indicando uma dinâmica sólida de receita em ambos os segmentos de Aluguel e Seminovos, o que resultou em um forte desempenho do lucro líquido. A XP reiterou sua recomendação de compra para a empresa.

Houve ainda rumores sobre uma possível parceria entre a Embraer (EMBJ3) e o Grupo Adani para lançar a primeira linha de montagem de aeronaves comerciais da Índia. A XP considera essa potencial parceria positiva, podendo representar um marco importante para a empresa brasileira.

Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Orçamento de 2026 com vetos a R$ 400 milhões em emendas parlamentares, estabelecendo uma meta de resultado primário de R$ 34,2 bilhões. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por sua vez, reiterou sua crença no início de cortes na Selic, argumentando que a dívida está crescendo devido aos juros altos, e não pelo déficit.

Impacto do Cenário Global e Geopolítica

O cenário internacional desempenhou um papel significativo na performance da bolsa de valores. Nos Estados Unidos, as bolsas operaram em alta, impulsionadas por resultados corporativos positivos de empresas como Morgan Stanley e Taiwan Semiconductor. Além disso, a notícia de que o presidente Donald Trump recuou da tentativa de demitir Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, trouxe um alívio nas tensões do mercado, segundo analistas da Ouro Preto Investimentos.

A geopolítica continuou no radar, especialmente com as tensões envolvendo a Groenlândia e o Irã. Trump sinalizou que poderia adiar uma ação militar contra o Irã, o que levou a uma forte queda nos preços do petróleo. Essa flexibilização da postura americana em relação ao Irã fez com que os barris de petróleo Brent e WTI recuassem cerca de 3%.

A Rússia ainda aguarda a resposta dos Estados Unidos à proposta do presidente Vladimir Putin de prorrogar informalmente o tratado Novo START, o último pacto de armas nucleares remanescente entre os dois países. Enquanto isso, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, visitou Kiev, na Ucrânia, para conversações de alto nível, às vésperas do quarto aniversário da invasão russa.

No âmbito comercial, o vice-presidente Geraldo Alckmin expressou a expectativa de que o acordo entre Mercosul e União Europeia entre em vigor no segundo semestre de 2026. Ele também mencionou que um acordo comercial com os Emirados Árabes Unidos está encaminhado. A Índia, por sua vez, espera concluir negociações sobre um acordo comercial com a União Europeia neste mês, visando aprofundar laços econômicos e reduzir a dependência da China e da Rússia.

A economia da Alemanha expandiu em 2025 pela primeira vez em três anos, impulsionada pelo aumento nos gastos dos consumidores e do governo, conforme dados da Departamento Federal de Estatística. A Pilgrim’s, subsidiária da JBS, anunciou um investimento de US$ 1,3 bilhão no México nos próximos cinco anos, visando reduzir as importações de carne de frango do país.

Juros, Inflação e Bancos Centrais

As declarações de autoridades de bancos centrais continuam sendo um fator crucial para os mercados. Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve de Chicago, afirmou que a principal tarefa do Fed é reduzir a inflação para 2%, mantendo viva a perspectiva de cortes na taxa de juros ainda este ano, dadas as evidências de estabilidade no mercado de trabalho.

Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA ficaram em 205 mil na média das últimas quatro semanas, abaixo da média anterior, indicando uma contínua força no mercado de trabalho americano. No Brasil, os juros futuros (DIs) avançaram por toda a curva, refletindo as incertezas e expectativas do mercado.

O Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve (Fed) manterão sua cooperação, reafirmou o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, destacando a importância da independência dos bancos centrais para a estabilidade financeira global. Na China, o banco central anunciou cortes em taxas de juros específicas de setores, sinalizando espaço para futuras reduções na taxa de compulsório e cortes mais amplos nos juros para impulsionar a economia.

A BlackRock, maior administradora de ativos do mundo, reportou um lucro maior no quarto trimestre de 2025, com ativos sob gestão atingindo um recorde de US$ 14,04 trilhões. A recuperação dos mercados e os fortes influxos em produtos de renda fixa impulsionaram os resultados da gestora.

Commodities e Câmbio

No mercado de commodities, os preços do petróleo operaram com forte queda, recuando cerca de 3% para o WTI e o Brent, após as declarações de Donald Trump sobre o Irã. O minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, na China, também fechou em baixa de 1,03%, influenciado pela queda na produção de aço chinesa após o feriado de Ano Novo.

No Brasil, o dólar comercial emendou a terceira alta consecutiva, acompanhando o movimento da divisa norte-americana no cenário global. O índice DXY, que compara o dólar com as principais moedas do mundo, registrou leve alta. A moeda americana foi negociada a R$ 5,402 na venda, com mínima de R$ 5,360 e máxima de R$ 5,424 no dia.

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