Uma reviravolta política e pessoal marca o cenário do ativismo brasileiro. O jornalista e influenciador Leonardo Stoppa, conhecido por suas posições historicamente ligadas à esquerda, anunciou sua adesão à Caminhada da Liberdade.
Esta mobilização, organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), tem como foco principal a defesa dos presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A presença de Stoppa no evento gerou surpresa e debate, dada sua trajetória política.
Stoppa justifica sua participação por razões humanitárias e pessoais, destacando a defesa de crianças afastadas de seus pais presos e a luta contra a alienação parental, conforme informações divulgadas nesta semana.
A Virada Inesperada de um Influenciador Esquerdista
Leonardo Stoppa, que é colunista do site Brasil 247, construiu sua reputação com uma postura firme contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016. Ele também se posicionou contra a prisão do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a Operação Lava Jato, consolidando sua imagem como um influenciador de esquerda.
Sua adesão à iniciativa de Nikolas Ferreira, uma figura proeminente da direita brasileira, representa um ponto de inflexão notável. Em suas redes sociais, o influenciador explicou detalhadamente sua decisão e os motivos que o levaram a participar da Caminhada da Liberdade.
Ele defende, primariamente, a soltura de pais e mães que estão presos pelos eventos de 8 de janeiro, visando evitar que crianças sofram as consequências do afastamento familiar. “Estou na caminhada convocada por Nikolas Ferreira em defesa das crianças que estão sendo afastadas de suas famílias”, afirmou Stoppa em suas plataformas.
O jornalista complementou sua justificativa, dizendo, “Crianças que não cometeram crime algum, mas que hoje sofrem as consequências de terem pais e mães presos por causa do 8 de janeiro. Defender crianças é defender famílias. Justiça não pode ser punição coletiva”, ressaltando o aspecto humanitário de sua causa.
A Luta Pessoal por Filhos e a Crítica à Esquerda
A motivação de Leonardo Stoppa para se juntar à Caminhada da Liberdade está profundamente ligada à sua própria experiência familiar. Ele enfrenta uma batalha judicial contra sua ex-esposa pelo direito de conviver com a filha, de quem não tem contato há mais de um ano, uma situação que o afeta profundamente.
Essa situação pessoal o levou a criticar abertamente a esquerda, que, segundo ele, apoia a extinção da lei que trata da alienação parental. A alienação parental é uma conduta classificada como interferência psicológica na formação da criança ou do adolescente por um dos pais ou responsáveis, com o objetivo de prejudicar o vínculo afetivo com o outro genitor.
Em dezembro do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a revogação da Lei nº 12.318/2010, conhecida como Lei de Alienação Parental, por 37 votos a 28. O projeto busca eliminar referências a esse conceito no Código de Processo Civil e na lei de proteção a menores, uma medida que Stoppa reprova veementemente.
“Após um ano e dois meses sem nenhum contato com minha filha, tenho a convicção de que nenhuma criança merece crescer longe dos pais”, desabafou Stoppa em outra publicação nas redes sociais, reforçando a dimensão pessoal e a convicção por trás de sua participação na caminhada.
A Caminhada da Liberdade: Contexto e Objetivos
A chamada “Caminhada da Liberdade”, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, alcançou um marco significativo nesta semana. O grupo percorreu 150 dos 240 km totais previstos no trajeto entre Paracatu (MG) e Brasília (DF), conforme divulgado pelo parlamentar e seus aliados em vídeos compartilhados durante o percurso.
A mobilização, iniciada na última segunda-feira pela BR-040, é apresentada por seus organizadores como uma manifestação pacífica e simbólica em defesa da “justiça e liberdade”. O objetivo oficial inclui chamar atenção para a situação jurídica de presos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, além de críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao atual governo federal.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), que acompanha parte do percurso, celebrou a marca de 150 km, afirmando que “falta um pouquinho mais, mas estamos mais próximos do que antes e vamos seguir em frente”, em um de seus vídeos. A chegada a Brasília está prevista para este domingo, dia 25, com um ato de encerramento programado para a Praça do Cruzeiro ao meio-dia, reunindo apoiadores e líderes políticos que participaram do trajeto.