Influenciadores revelam campanha de difamação contra liquidação do Banco Master
Influenciadores digitais, que somam milhões de seguidores nas redes sociais, vieram a público para denunciar terem sido procurados para participar de uma campanha de difamação. O objetivo, segundo eles, seria atacar a credibilidade dos envolvidos na liquidação do Banco Master, buscando uma possível reversão da medida junto ao Tribunal de Contas da União, TCU.
As propostas ofereciam remuneração de “milhares de reais” para que os influenciadores publicassem conteúdos que pudessem abalar a confiança nas autoridades financeiras. A iniciativa levanta sérias questões sobre a manipulação da informação e os interesses por trás da tentativa de reverter a decisão do Banco Central.
A campanha de difamação tem como alvos principais o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos, Febraban, conforme informações divulgadas pelo jornal O Globo e O Estado de S. Paulo, que acompanham de perto o desenrolar deste caso complexo.
A Denúncia dos Influenciadores e a Proposta Recusada
Entre os influenciadores abordados, está o vereador de Erechim, Rio Grande do Sul, Rony Gabriel, do PL, que conta com mais de 1,5 milhão de seguidores. Ele chegou a assinar um contrato de confidencialidade para analisar a proposta, que prometia valores significativos sem especificar quantias exatas. No entanto, ao compreender o teor das publicações exigidas, Gabriel recusou a oferta.
Segundo o vereador, o intuito da campanha seria blindar o banqueiro Daniel Vorcaro e um círculo de políticos que ele teria articulado em Brasília. Em um vídeo publicado no Instagram, Gabriel afirmou: “Sim, se Daniel Vorcaro cair, muitos políticos caem junto”. Após a recusa, o vereador encaminhou os documentos à colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, que tem investigado o caso.
Juliana Moreira Leite, outra influenciadora com um milhão de seguidores, também denunciou a abordagem. Ela relatou a coincidência: “No mesmo dia em que recusei, vi muitos influenciadores questionando por que o Banco Master foi liquidado. Tem gente que tem preço e tem gente que tem valor”, declarou em suas redes sociais, destacando a rápida disseminação da narrativa.
O Alvo da Campanha: Banco Central e a Narrativa de Prejuízo
O Banco Central e a Febraban já vinham sentindo os efeitos de uma campanha coordenada desde o final do ano passado. Um levantamento da Febraban indicou que o pico dos ataques ocorreu em um intervalo de 36 horas, entre os dias 26 e 29 de dezembro, estendendo-se até 5 de janeiro. A campanha de difamação buscava criar uma percepção negativa sobre a atuação das instituições.
Um dos focos das críticas foi Renato Dias Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, responsável por negar a compra do Banco Master pelo BRB. Uma das peças de desinformação veiculadas afirmava: “Mais rápido do que uma pizza: Renato Gomes liquida banco em 40 minutos e joga conta bilionária no seu colo”. A narrativa tentava reforçar a ideia de uma decisão precipitada do BC, que resultaria em prejuízo aos cofres públicos. O Banco Central e a Febraban foram procurados para se manifestar, mas ainda não responderam às solicitações.
A Intervenção do TCU e o Cenário de Investigações
As postagens da campanha centralizam a atenção nas decisões do Tribunal de Contas da União, que na segunda-feira determinou uma inspeção urgente no Banco Central. O objetivo é apurar a decisão que levou à liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro, um passo crucial na busca por transparência e legalidade.
A medida foi iniciativa do ministro Jhonatan de Jesus, que pretende examinar documentos, reconstruir o processo decisório da autoridade monetária e avaliar se houve motivação, coerência e proporcionalidade no caso. O ministro do TCU afirmou que, neste momento, não cabe uma decisão cautelar para reverter o processo, mas deixou claro que essa possibilidade não está descartada, mantendo a expectativa sobre os próximos passos.
O Banco Master está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília, BRB, que podem chegar a R$ 12 bilhões. Essa investigação culminou na decretação da liquidação pelo Banco Central, adicionando mais uma camada de complexidade ao cenário.
Conexões Políticas e o Contrato Milionário
A teia de acontecimentos em torno da liquidação do Banco Master teve um importante desdobramento: a descoberta de um contrato da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, STF. O contrato previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos, conforme uma das provas apreendidas pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, no final do ano de 2025.
Tal descoberta inaugurou um movimento da oposição ao governo, que agora tenta a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, CPI, e um pedido de impeachment para Moraes. A situação do Banco Master e a campanha de difamação se entrelaçam com questões políticas de alta relevância, mostrando a amplitude das repercussões do caso.