Investigação sobre Jerome Powell: Ameaça à Independência do Fed em Meio a Conflito com Trump
O cenário político e econômico dos Estados Unidos foi abalado pela notícia de uma investigação criminal contra Jerome Powell, o presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Powell revelou ter recebido intimações do Departamento de Justiça dos EUA, com a ameaça de uma acusação criminal, que ele classifica como uma ação sem precedentes e politicamente motivada.
Essa escalada de tensões destaca a fragilidade da autonomia de instituições cruciais frente à pressão governamental. A disputa entre Powell e o ex-presidente Donald Trump, que o indicou para o cargo em 2017, ganha contornos dramáticos e levanta sérias questões sobre a credibilidade do sistema judiciário americano.
A situação, conforme informação divulgada pela BBC, sugere que a recusa de Powell em ceder às exigências de Trump para reduzir as taxas de juros pode ser o catalisador dessa investigação Jerome Powell, reacendendo o debate sobre a influência política na economia.
A Investigação Inédita e as Acusações de Powell
Em um vídeo divulgado no domingo, 11 de janeiro, Jerome Powell anunciou publicamente a abertura da investigação criminal. Ele detalhou que o Departamento de Justiça dos EUA entregou intimações ao Fed e ameaçou apresentar uma acusação criminal relacionada ao seu depoimento a uma comissão do Senado sobre reformas nos edifícios do Banco Central americano.
Powell classificou a investigação Jerome Powell como algo “sem precedentes”. Ele expressou a crença de que essa medida foi tomada porque ele contrariou o então presidente Donald Trump, ao se recusar a reduzir as taxas de juros, apesar das repetidas e públicas pressões exercidas pelo presidente.
“Isso diz respeito a se o Fed poderá continuar a definir taxas de juros com base em evidências e condições econômicas ou se, em vez disso, a política monetária será direcionada por pressão política ou intimidação”, afirmou Powell. Ele acrescentou: “Tenho profundo respeito pelo Estado de direito e pela prestação de contas em nossa democracia. Ninguém, certamente nem o presidente do Fed, está acima da lei, mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças da administração e da pressão contínua do governo”.
O Histórico de Conflitos e a Independência do Fed
Jerome Powell é o mais recente exemplo de uma figura pública que entra em conflito com Donald Trump e, subsequentemente, enfrenta uma investigação criminal pelo Departamento de Justiça dos EUA. Trump, que indicou Powell para o cargo em 2017, ameaçou repetidamente demiti-lo, criticando-o por não ter reduzido os juros tão rapidamente quanto desejava.
Apesar da pressão, o Banco Central americano reduziu a taxa de juros três vezes em um período anterior. Trump, em entrevista ao canal americano NBC News, divulgada no mesmo domingo da revelação, afirmou não ter conhecimento da investigação Jerome Powell. Contudo, ele aproveitou para criticar Powell, dizendo: “Não sei nada sobre isso, mas ele certamente não é muito bom no Fed, e também não é bom em construir prédios”.
Críticos alertam que a constante pressão de Trump para afastar o presidente do Banco Central americano pode comprometer gravemente a autoridade da instituição de definir juros de forma independente em relação aos presidentes. Essa autonomia é considerada vital para a estabilidade econômica do país.
Reações Políticas e a Credibilidade das Instituições
A notícia da investigação Jerome Powell, que ainda não foi confirmada oficialmente pelo governo americano, indica uma nova escalada na disputa entre Trump e o presidente do Fed. O senador Thom Tillis, republicano e membro do Comitê Bancário do Senado, declarou que se oporia à indicação de qualquer substituto de Powell por Trump, assim como a qualquer outro nomeado para o Conselho do Fed, “até que essa questão legal seja totalmente resolvida”.
Tillis expressou preocupação com a integridade institucional, afirmando: “Se ainda havia alguma dúvida sobre se os conselheiros do governo Trump estão ativamente tentando acabar com a independência do Fed, agora não deve haver nenhuma”. Ele acrescentou que “agora quem está sob questão é a independência e a credibilidade do Departamento de Justiça”. A senadora democrata Elizabeth Warren corroborou, afirmando acreditar que o plano de Trump é afastar Powell do Conselho do Fed de forma definitiva e “instalar outro fantoche para concluir sua tomada de controle corrupta do banco central americano”.
A investigação será conduzida pelo Escritório do Procurador dos EUA para o Distrito de Columbia, conforme reportagem do jornal americano The New York Times, que divulgou a apuração em primeira mão. As reações políticas evidenciam a polarização e a preocupação com a erosão das instituições democráticas.
Implicações Econômicas e Precedentes de Pressão
April Larusse, chefe de especialistas em investimentos da Insight Investment, comentou à BBC que “não é verdade que o Fed não tenha feito nada sobre juros, então isso parece ser uma pressão que não é realmente justificada”. Larusse explicou que Trump busca juros mais baixos porque “ele está definitivamente tentando garantir que todas as partes da economia se beneficiem”, especialmente para as pessoas de baixa renda que sofrem com a crise do custo de vida e a inflação elevada.
A incerteza gerada pela investigação Jerome Powell, somada a outras notícias globais, como os distúrbios no Irã, impactou os mercados. O preço do ouro, considerado um ativo seguro em tempos de instabilidade, subiu 1,4%, atingindo US$ 4.572,36 por onça na segunda-feira, 12 de janeiro, após um recorde de US$ 4.600,33. A prata também registrou alta, batendo recorde de US$ 84,58 por onça antes de recuar para US$ 83,26, um aumento de 5,4% no dia.
Este não é um caso isolado de Trump contra figuras de poder. Anteriormente, ele mirou Lisa Cook, governadora do Banco Central americano, tentando demiti-la por suposta fraude hipotecária, mas o caso foi bloqueado. Acusações criminais movidas pelo Departamento de Justiça de Trump contra outros adversários políticos, como a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, e o ex-chefe do FBI, James Comey, também foram rejeitadas por tribunais, com ambos afirmando motivação política nas acusações.