O Irã declarou nesta segunda-feira (12) que a situação no país está ‘sob controle total’, após um fim de semana marcado por uma escalada de violência ligada aos protestos que se espalham há semanas. A afirmação veio do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, buscando tranquilizar a comunidade internacional.
No entanto, a realidade no terreno parece ser mais complexa, com relatos de repressão intensa e um número alarmante de vítimas. A onda de manifestações, que começou devido à inflação, rapidamente se transformou em um desafio direto ao regime religioso que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979.
A tensão aumenta enquanto as autoridades iranianas acusam os Estados Unidos e Israel de fomentarem a instabilidade, uma narrativa que contrasta com os dados apresentados pelo grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, que reporta mais de 500 mortos e pelo menos 10.600 presos.
Escalada da Repressão e Acusações Externas
As autoridades iranianas têm intensificado a repressão aos protestos no Irã, com um bloqueio da internet em vigor desde a última quinta-feira (8), dificultando o fluxo de informações e a organização dos manifestantes. Essa medida visa conter a disseminação dos movimentos e a comunicação interna.
O ministro Araqchi foi além, afirmando que a advertência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que medidas seriam tomadas caso os protestos se tornassem sangrentos, na verdade motiva ‘terroristas’ a atacar manifestantes e forças de segurança. Segundo o ministro, o objetivo seria atrair uma intervenção estrangeira no país.
Em resposta a essa suposta interferência, a mídia estatal iraniana informou que o governo convocou uma manifestação nacional para esta segunda-feira, com o intuito de condenar as ‘ações terroristas lideradas pelos Estados Unidos e Israel’, reforçando a narrativa de que a instabilidade é impulsionada por forças externas.
Imagens de Violência e Conflito nas Ruas
Apesar do bloqueio da internet, imagens impactantes divulgadas nas redes sociais no sábado (10) mostraram a dimensão dos protestos no Irã. Em Teerã, grandes multidões marchavam à noite, aplaudindo e cantando, com um homem afirmando que a multidão ‘não tem começo nem fim’.
De Mashhad, no nordeste do país, outros vídeos do mesmo dia revelaram um cenário de conflito, com fumaça subindo ao céu noturno de incêndios nas ruas, manifestantes mascarados e vias cobertas de destroços. Explosões também puderam ser ouvidas, e a agência de notícias Reuters confirmou as localizações dessas imagens.
Em contrapartida, a TV estatal iraniana apresentou sua própria versão dos acontecimentos, exibindo dezenas de sacos para cadáceres no chão do Instituto Médico Legal de Teerã. A emissora alegou que os mortos eram vítimas de eventos causados por ‘terroristas armados’, e mostrou imagens de familiares reunidos do lado de fora do Centro Médico Legal de Kahrizak, aguardando para identificar os corpos.
Alerta em Israel e Preocupação Internacional
A situação no Irã tem repercussões além de suas fronteiras, gerando preocupação internacional. Três fontes israelenses, que participaram de consultas de segurança durante o fim de semana, confirmaram que Israel está em estado de alerta máximo para a possibilidade de qualquer intervenção americana no conflito.
Um oficial militar israelense, embora tenha classificado os protestos no Irã como uma questão interna do país, ressaltou que as forças armadas de Israel estão monitorando de perto os desdobramentos. O oficial enfatizou que Israel está pronto para responder ‘com força, se necessário’, evidenciando a tensão regional.
A complexidade da situação, com o governo iraniano afirmando controle total enquanto enfrenta uma onda de descontentamento interno e acusações de interferência externa, mantém os olhos do mundo voltados para o Oriente Médio, acompanhando os próximos capítulos desse cenário volátil.