A repressão aos protestos no Irã alcançou um patamar alarmante, com o número de mortos chegando a cerca de 5 mil pessoas. A informação, divulgada neste domingo, 18 de dezembro, por uma fonte do governo iraniano à agência de notícias Reuters, foi confirmada também pelo grupo Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA).

As manifestações, que já duram mais de 20 dias, tiveram início devido à piora da crise econômica e do custo de vida. Rapidamente, o movimento evoluiu para um clamor pelo fim do regime dos aiatolás, que está no poder há mais de 40 anos, transformando a pauta econômica em uma demanda política profunda.

A violência crescente por parte das forças de segurança tem gerado condenação internacional, reativando tensões históricas com potências como os Estados Unidos, conforme apurado pelas fontes.

A Escalada da Violência e as Acusações Oficiais

O regime iraniano impõe leis repressivas severas, que afetam principalmente as mulheres, e tem reagido com violência crescente aos protestos. Relatos indicam que policiais e militares têm disparado diretamente contra os manifestantes, intensificando a brutalidade da repressão.

Desde 8 de janeiro, o governo iraniano cortou o acesso à internet, uma tática comum para tentar conter a organização e a divulgação de informações sobre os protestos. As autoridades classificam as manifestações como ações “terroristas”, buscando deslegitimar o movimento popular.

O procurador de Teerã, Ali Salehi, afirmou que a resposta estatal foi “firme, dissuasiva e rápida“, em declarações transmitidas pela TV estatal. Contudo, o governo iraniano nega responsabilidade direta pelas mortes, alegando que os próprios manifestantes provocaram a violência e acusando os Estados Unidos de infiltrar agentes nos protestos.

A Reação do Líder Supremo e a Culpa Atribuída aos EUA

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, voltou a condenar os protestos neste sábado, 17 de dezembro. Ele declarou que as autoridades “têm a obrigação de quebrar as costas dos insurgentes“, em um claro sinal de endurecimento contra os manifestantes.

Khamenei responsabilizou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes ocorridas durante a repressão. “Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana”, disse o aiatolá, reforçando a narrativa de intervenção externa.

Ele prosseguiu, afirmando que “tudo isso foi uma conspiração americana” e que “o objetivo dos Estados Unidos é devorar o Irã, é submeter o Irã militar, política e economicamente”. Khamenei também declarou: “Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos, assim como não perdoaremos os criminosos internacionais, piores que os domésticos”.

Cenário Internacional: Tensões com Washington

A repressão em curso provocou uma reação internacional imediata, especialmente dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump ameaçou atacar o Irã, reativando tensões históricas entre os dois países e elevando o risco de um conflito maior na região.

A retórica inflamada de ambos os lados tem contribuído para um cenário de grande instabilidade. Enquanto o Irã acusa os EUA de interferência, Washington condena veementemente a violência contra os manifestantes e as mortes na repressão a protestos no Irã.

Números Divergentes e a Amplitude da Repressão

É importante ressaltar que o novo balanço de 5 mil mortes ainda não recebeu confirmação oficial de todas as partes. A HRANA havia confirmado anteriormente 3.308 mortos e tinha 4.382 casos sob análise, o que indica a dificuldade em obter dados precisos em meio à repressão.

Além das mortes, a organização relatou cerca de 24 mil prisões, que incluem tanto manifestantes quanto apoiadores do movimento. O canal Iran International, por sua vez, relatou um número ainda maior, de 12 mil mortos, citando autoridades e fontes da segurança, o que demonstra a amplitude e a gravidade da violência.

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