O Irã está vivendo um período de intensa repressão, onde o governo iraniano tem como alvo manifestantes que buscam contornar o bloqueio de comunicação imposto. A ferramenta escolhida para essa resistência é o serviço de internet via satélite Starlink, operado pela SpaceX de Elon Musk, que se tornou um canal vital para a divulgação de informações.
Em meio à brutalidade das autoridades, muitos iranianos recorreram ao Starlink para compartilhar vídeos e fotos dos massivos protestos. Essa estratégia visa expor a realidade no país, após o regime bloquear o acesso à internet e restringir severamente os serviços telefônicos.
Contudo, a descoberta do uso da tecnologia de Musk levou a uma intensificação dos esforços do regime para bloquear o Starlink, que já é proibido no país, e perseguir seus usuários, conforme informações divulgadas pelo jornal The Wall Street Journal.
Repressão Digital Aumenta no Irã
As autoridades iranianas têm agido de forma agressiva para coibir o uso do Starlink. Durante o último fim de semana, operações de busca e apreensão de antenas Starlink foram registradas na zona oeste de Teerã, capital do Irã. Essa ação demonstra a prioridade do governo em sufocar qualquer forma de comunicação independente.
Amir Rashidi, diretor de direitos digitais e segurança do Miaan Group, uma organização sem fins lucrativos dos EUA contra a censura na internet, confirmou essas ações. Ele ressalta que as interrupções nos serviços de comunicação são mais severas nas áreas de Teerã onde os protestos são mais intensos, principalmente à noite.
A Importância do Starlink para os Manifestantes
Rashidi descreve as operações do regime como uma “guerra eletrônica”, destacando o papel crucial das redes sociais. A publicação de vídeos e fotos é uma das poucas maneiras de denunciar a brutalidade nas ruas e propagar as reivindicações dos manifestantes para o mundo exterior.
O **regime do Irã persegue manifestantes que usam Starlink** porque compreende o poder da informação. Sem a capacidade de se comunicar e mostrar o que acontece, os protestos perdem visibilidade e força, dificultando a mobilização interna e a pressão internacional contra as ações do governo.
Balanço Sombrio dos Conflitos
O custo humano dessa repressão é alarmante. Grupos de direitos humanos estimam que mais de 600 pessoas já foram mortas até o momento. Além disso, aproximadamente 10 mil pessoas foram detidas. Esses números, no entanto, são considerados imprecisos devido à extrema dificuldade em verificar as informações sob as restrições.
Uma fonte do próprio regime iraniano comentou com a agência de notícias Reuters que a repressão aos protestos já resultou em cerca de 2.000 mortes. A fonte culpou os manifestantes, que são chamados de “terroristas” pelo regime, pelas mortes de cidadãos e agentes de segurança nas últimas semanas, numa tentativa de deslegitimar o movimento.
Ameaça de Intervenção dos EUA e o Papel de Elon Musk
A situação no Irã tem atraído a atenção internacional. O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervir, gerando fortes reações das autoridades de Teerã, que veem qualquer intromissão externa como uma violação de sua soberania. Trump deve se reunir com seus assessores para avaliar as opções de ação americana.
Uma das propostas em discussão no governo americano, antecipada por Trump, é o envio de mais terminais Starlink para o país persa. O ex-presidente afirmou no domingo que entraria em contato com Elon Musk para discutir essa possibilidade. A iniciativa visa fortalecer a capacidade de resistência dos manifestantes contra a censura imposta pelo **regime do Irã que persegue manifestantes que usam Starlink**.