Janeiro Branco: Um convite à reflexão em meio ao esgotamento digital e à indústria da raiva
O mês de janeiro é tradicionalmente marcado no Brasil pela campanha Janeiro Branco, uma iniciativa dedicada a colocar a saúde mental em evidência, promovendo discussões sobre sofrimento psíquico, cuidado emocional e prevenção de adoecimentos. Criada em 2014, a campanha aproveita o período de balanços e promessas de recomeço para incentivar uma revisão profunda da própria história emocional, dos vínculos e das escolhas que moldam a existência de cada indivíduo.
No entanto, o que se observa neste período não é apenas um apelo ao otimismo ou uma simples reflexão sobre o ano que passou. Há um mal-estar contemporâneo mais profundo, um esgotamento que transcende o cansaço cotidiano e aponta para um modo de existir que, para muitos, já não faz sentido ou não oferece mais suporte. Este cenário complexo é agravado pela crescente influência de fenômenos digitais que moldam nossa percepção e capacidade psíquica.
Em um contexto onde a mente se vê bombardeada por estímulos incessantes, surgem termos como ‘brain rot’ e ‘rage bait’, que descrevem não apenas modismos linguísticos, mas verdadeiros estados psíquicos coletivos, sintomas de uma era de hiperconexão e superficialidade. Esses fenômenos, que serão explorados em detalhe, representam desafios significativos para a saúde mental e a capacidade de pensar, conforme informações de especialistas e estudos recentes.