Janja utiliza voo da FAB para agenda no Rio, incluindo visita à escola de samba Acadêmicos de Niterói

A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, utilizou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para se deslocar ao Rio de Janeiro em 6 de outubro de 2025. A viagem teve como objetivo cumprir uma agenda oficial, que surpreendentemente incluiu uma visita ao barracão da escola de samba Acadêmicos de Niterói. A agremiação carnavalesca foi a responsável por homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com um enredo no Carnaval deste ano.

A primeira-dama não viajou sozinha, sendo acompanhada por seis assessores, incluindo um fotógrafo. O grupo retornou a Brasília no mesmo dia, em outro voo da FAB, partindo às 17h10. A informação sobre a utilização do avião oficial para esta agenda foi inicialmente divulgada pelo portal Metrópoles e posteriormente confirmada por outros veículos de comunicação.

No mesmo voo que transportou Janja e sua comitiva, estavam presentes as ministras Anielle Franco, titular da Igualdade Racial, e Luciana Santos, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Ambas acompanharam a primeira-dama em sua passagem pelo barracão da Acadêmicos de Niterói. A visita foi registrada em vídeo e compartilhada pela própria escola de samba em suas redes sociais, evidenciando a interação de Janja com os dirigentes e membros da agremiação. Conforme informações divulgadas, a primeira-dama demonstrou o apreço do presidente Lula pelo samba, afirmando que ele pede para ouvir a música frequentemente em casa.

Detalhamento da agenda e o pedido de voo oficial

Na parte da tarde, Janja participou de um evento como “enviada especial da COP 30”, marcando presença no lançamento da Conferência da Década dos Oceanos de 2027, uma iniciativa promovida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI). Embora este compromisso estivesse presente nas agendas oficiais das ministras Anielle Franco e Luciana Santos, a visita à escola de samba não constava na agenda pública da primeira-dama. O pedido para a utilização do voo da FAB foi feito pelo MCTI, com a justificativa oficial de participação na conferência. Curiosamente, a visita ao barracão da Acadêmicos de Niterói não foi mencionada no documento encaminhado à FAB.

Regulamentação do uso de aeronaves da FAB por autoridades

O uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira por autoridades é regido por um decreto estabelecido em 2020, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A norma estabelece uma ordem de prioridade para a liberação de voos, priorizando situações de emergência médica e de segurança, seguidas por compromissos de serviço. A autoridade que solicita o voo deve apresentar uma justificativa detalhada, incluindo datas, horários e a lista de acompanhantes. O decreto também prevê o compartilhamento de aeronaves entre autoridades que compartilham o mesmo destino e horários próximos, visando otimizar o uso dos recursos.

Nesse contexto, a viagem de Janja em aeronave da FAB, por estar acompanhada de ministras de Estado, não configura ilegalidade, pois se enquadra na possibilidade de compartilhamento de voos para compromissos oficiais. A primeira-dama também realizou a visita à escola de samba durante o último ensaio antes do desfile oficial. No entanto, até o momento, não há registros públicos no sistema da FAB que detalhem voos com essa justificativa específica para o período em questão. A reportagem buscou contato com os Ministérios da Ciência e Tecnologia, da Igualdade Racial e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), mas não obteve retorno até a publicação desta matéria, com o espaço permanecendo aberto para manifestações.

Posicionamento do Ministério da Ciência e Tecnologia

Em resposta a questionamentos, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) enviou uma nota ao jornal Folha de S. Paulo, afirmando que a agenda oficial da ministra Luciana Santos teve como foco principal o “fortalecimento do protagonismo científico brasileiro na preservação dos oceanos”. Contudo, a pasta não fez menção à visita ao barracão da escola de samba Acadêmicos de Niterói em sua declaração. Essa omissão reforça as dúvidas sobre a real motivação e o escopo completo da viagem oficial.

Acadêmicos de Niterói e o enredo sobre Lula: um Carnaval de altos e baixos

A Acadêmicos de Niterói, que estreou no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, acabou sendo rebaixada para a Série Ouro após apresentar o enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A escola de samba obteve a última colocação, somando 264,6 pontos, e recebeu apenas duas notas 10 no quesito samba-enredo, de um total de jurados. O enredo, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, narrava a trajetória do petista.

O próprio presidente Lula acompanhou o desfile da agremiação, assistindo do camarote da Prefeitura do Rio no último domingo de Carnaval. Janja, por sua vez, havia desistido de sair como destaque em um dos carros alegóricos, uma decisão tomada em virtude das diversas ações judiciais apresentadas na Justiça Eleitoral contra o desfile. Após a divulgação do resultado da apuração, a primeira-dama compartilhou em seus stories do Instagram um trecho do samba-enredo: “Lute para vencer, aceite se perder. Se o ideal valer, nunca desista”.

A Acadêmicos de Niterói reagiu ao rebaixamento com um post nas redes sociais, onde divulgou uma imagem do desfile e a legenda: “A arte não é para covardes. Comunidade, vocês foram gigantes. Quanto vale entrar para a história?”. Janja repostou a publicação da agremiação, demonstrando apoio em um momento de frustração para a escola.

Controvérsias judiciais em torno do enredo de Lula

Antes mesmo do Carnaval, a oposição política acionou a Justiça Federal e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando suposta propaganda eleitoral antecipada em relação ao enredo da Acadêmicos de Niterói. No entanto, todas as ações movidas foram rejeitadas pelos órgãos competentes. Apesar disso, o partido Novo anunciou que pedirá a inelegibilidade do presidente Lula ao TSE, indicando que as controvérsias políticas em torno do desfile podem se estender.

Precedentes: Janja já utilizou voo da FAB para consulta médica

Esta não é a primeira vez que a primeira-dama Janja utiliza aeronaves da FAB para deslocamentos. Em junho de 2025, ela embarcou em um jatinho da Força Aérea Brasileira para comparecer a uma consulta médica em São Paulo. Na ocasião, o voo foi solicitado pelo então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e também transportou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para a capital paulista. A informação foi divulgada pela coluna de Igor Gadelha, no portal Metrópoles, que obteve imagens de Janja e Alexandre de Moraes desembarcando ao lado de Lewandowski e suas equipes de segurança.

A aeronave em questão deixou Brasília na manhã de 13 de junho e pousou no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, transportando 12 passageiros. A assessoria de imprensa da primeira-dama confirmou a viagem à época, ressaltando que o voo não gerou custos adicionais para a União, uma vez que já havia sido previamente solicitado por Ricardo Lewandowski. “Janja tinha uma consulta na ginecologista e viajou de carona com os ministros, em um avião da FAB que já estava solicitado pelo ministro Lewandowski. Não tendo, então, custos adicionais para a União”, declarou a equipe de Janja na ocasião, minimizando o impacto financeiro para os cofres públicos.

O debate sobre o uso de recursos públicos e a transparência

O episódio reacende o debate sobre a utilização de aeronaves da Força Aérea Brasileira por autoridades e a necessidade de transparência nos pedidos e justificativas. Embora a viagem de Janja para o Rio de Janeiro, acompanhada de ministras, se enquadre nas regras de compartilhamento de voos oficiais, a ausência da visita à escola de samba na justificativa oficial do pedido de voo levanta questões sobre a motivação real da viagem. A situação destaca a importância de uma comunicação clara e completa por parte dos órgãos públicos, especialmente quando se trata do uso de recursos federais. A observância rigorosa das normas e a divulgação transparente das agendas são fundamentais para manter a confiança pública e evitar especulações sobre o uso indevido de meios oficiais.

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