A justiça do Irã anunciou que manifestantes acusados de violência ou atividades classificadas como “terroristas” terão prioridade em julgamento e punição. A medida, divulgada pelo chefe do judiciário Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i, ocorre em meio a protestos antigovernamentais que se espalham pelo país há semanas.

Essa declaração acende um alerta global sobre o destino das milhares de pessoas que foram detidas durante as manifestações. Organizações de direitos humanos e a comunidade internacional expressam grande preocupação com a celeridade e a transparência desses processos.

A informação foi reportada pela mídia estatal iraniana, destacando a postura rígida do regime frente aos desafios internos, conforme divulgado por veículos internacionais.

Intensificação da Repressão Judicial

Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i, o chefe do judiciário iraniano, passou cinco horas em uma prisão de Teerã, revisando o status dos detidos recentemente. Segundo a emissora estatal Islamic Republic of Iran Broadcasting (IRIB), ele afirmou que os julgamentos dos que chamou de “principais elementos” entre os manifestantes serão realizados publicamente.

Essa postura reforça a linha dura adotada pelo governo. É importante notar que Mohseni-Eje’i já foi alvo de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia. As sanções foram aplicadas devido a graves violações dos direitos humanos, incluindo a supervisão de detenção e tortura de ativistas, jornalistas e manifestantes.

A agilidade prometida nesses processos judiciais levanta sérias questões sobre a imparcialidade e o devido processo legal, especialmente para os manifestantes do Irã que enfrentam acusações graves.

Milhares de Detidos e Casos Preocupantes

A situação dos manifestantes no Irã é alarmante. De acordo com a HRANA, uma agência de notícias da organização Human Rights Activists, sediada nos EUA, mais de 18.137 pessoas foram presas desde o início dos protestos atuais. Esse número expressivo demonstra a amplitude da repressão.

Entre os casos que geram maior preocupação, está o de Erfan Soltani, um manifestante iraniano de 26 anos. O Departamento de Estado dos EUA afirmou que as autoridades iranianas planejavam executá-lo, intensificando a pressão internacional sobre o regime.

Um familiar de Soltani relatou que ele não teve direito a um advogado nem a um novo julgamento após ser condenado à morte. Seu processo foi acelerado, um padrão preocupante que ilustra a falta de garantias legais para os detidos.

Julgamentos Sumários e Sentenças de Morte

Especialistas consultados pela CNN apontam que sentenças de morte apressadas e julgamentos simulados são, infelizmente, comuns no Irã. Essa prática sistemática mina a confiança na justiça do país e viola princípios básicos de um estado de direito.

A prioridade em julgamento e punição anunciada agora, para os manifestantes, pode significar a aceleração de processos que não garantem a defesa adequada. Isso aumenta o risco de condenações injustas e de graves violações dos direitos humanos.

A comunidade internacional, incluindo órgãos como a ONU, tem reiterado apelos para que o Irã respeite os direitos fundamentais de seus cidadãos. A situação dos manifestantes do Irã permanece sob vigilância atenta.

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