O Kremlin anunciou nesta segunda-feira (19) que o presidente russo, Vladimir Putin, recebeu um convite de Donald Trump para integrar o chamado Conselho da Paz, um órgão proposto para supervisionar o governo tecnocrático na Faixa de Gaza.
Esta iniciativa, parte da segunda fase do plano de paz dos Estados Unidos para a região, busca reunir líderes globais para uma governança pós-conflito. A proposta, que está sob análise de Moscou, adiciona uma camada de complexidade às já tensas relações internacionais.
O convite não se restringiu à Rússia, estendendo-se a figuras como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o argentino Javier Milei, conforme informações divulgadas pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
O Conselho da Paz e Suas Implicações
O Conselho da Paz, que seria presidido pelo próprio Trump, ainda tem detalhes de funcionamento a serem esclarecidos. A agência Bloomberg, por exemplo, reportou que o governo Trump planeja exigir um pagamento de pelo menos US$ 1 bilhão dos países com assento permanente.
As decisões seriam tomadas por maioria de votos entre os Estados-membros, mas dependeriam da aprovação final do presidente americano. Esta estrutura levantou questionamentos e críticas, inclusive do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.
Netanyahu afirmou que o anúncio não foi coordenado com Tel Aviv e que a iniciativa se move na direção oposta à política adotada por seu país. No Brasil, auxiliares do governo já preparam avaliações sobre uma possível entrada no órgão, como noticiou a Folha.
Outros Nomes e o Conflito na Ucrânia
Na última sexta-feira, Donald Trump já havia divulgado alguns nomes que fariam parte do grupo. A lista inclui o secretário de Estado americano, Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, e seus enviados para o Oriente Médio, Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump.
Também foram citados o bilionário americano Marc Rowan, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, e Robert Gabriel, assessor de Trump. A participação russa neste conselho ocorre em um momento delicado, com a Rússia sob intensas críticas da comunidade internacional pela invasão da Ucrânia em 2022.
Este conflito, que se aproxima de quatro anos, é considerado o mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, evidenciando as complexas dinâmicas geopolíticas envolvidas no Conselho da Paz.
Venezuela e a Questão da Groenlândia
Além do Conselho da Paz, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, abordou outros temas de interesse global. Ele comentou a situação na Venezuela, aliada de Moscou, afirmando que Vladimir Putin não planeja contato com a líder interina Delcy Rodríguez, mas que os países mantêm contatos diplomáticos regulares.
Peskov também foi questionado sobre a tese defendida por Trump de que os EUA deveriam tomar controle da Groenlândia para evitar que a Rússia ou a China o fizessem. O porta-voz mencionou que tem havido muita “informação perturbadora” e evitou comentar sobre supostos planos russos para a ilha.
Ele acrescentou que “há especialistas internacionais que acreditam que, ao resolver a questão da incorporação da Groenlândia, Trump certamente entrará para a história. E não apenas a história dos Estados Unidos, mas também a história mundial”, deixando em aberto se seria “bom ou ruim” ou “de acordo com o direito internacional”.
Tensão Geopolítica: Dinamarca e Otan
Ainda nesta segunda-feira, Donald Trump reiterou suas preocupações sobre a Groenlândia. Em uma publicação na rede Truth Social, ele afirmou que a Dinamarca não foi capaz de “afastar a ameaça russa da Groenlândia”, citando a Otan e dizendo que “agora é a hora” de agir.
O ex-presidente americano enfatiza a vital importância da ilha para a segurança dos EUA, devido à sua localização estratégica e aos vastos depósitos minerais. Essa declaração intensifica a tensão sobre o território autônomo dinamarquês.
Embaixadores de países europeus realizaram uma reunião de emergência no domingo (18) para discutir a situação. Trump deverá se encontrar com líderes da União Europeia ainda nesta semana, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde essas questões geopolíticas certamente estarão em pauta.