A Latam Airlines Brasil planeja adquirir um total de 41 novas aeronaves ao longo deste ano, um movimento estratégico que visa ampliar significativamente sua capacidade operacional no país e no exterior. Contudo, a destinação específica dessas aeronaves, ou seja, as rotas que serão beneficiadas com os novos voos, permanece em aberto, aguardando análises detalhadas de viabilidade operacional dos aeroportos e das condições tributárias oferecidas pelos estados, com especial atenção ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
O anúncio foi feito pelo CEO da Latam, Jerome Cadier, durante a apresentação dos resultados financeiros do último trimestre do ano anterior, realizada nesta terça-feira (03). A empresa reforça seu compromisso com a expansão, mas sublinha a complexidade envolvida na tomada de decisões que impactam diretamente a rentabilidade e a eficiência das operações aéreas.
Essa estratégia de crescimento da Latam se insere em um contexto de recuperação e reconfiguração do setor aéreo global e brasileiro, onde fatores econômicos, regulatórios e de infraestrutura desempenham papéis cruciais. A flexibilidade na definição das rotas demonstra a cautela da companhia em otimizar seus investimentos, buscando os cenários mais favoráveis para a operação das novas aeronaves.
Novas Aeronaves e Cronograma de Entrega: Detalhes da Frota em Expansão
A Latam Airlines Brasil detalhou o plano de aquisição e integração de sua nova frota, que será introduzida de forma gradual nos próximos anos. A expectativa é que as primeiras 12 aeronaves do modelo E2 da Embraer comecem a operar no final de 2026, conforme o anúncio de compra feito em outubro do ano passado. Esses aviões são conhecidos por sua eficiência e são ideais para rotas domésticas e regionais, permitindo à Latam explorar mercados com menor demanda ou aeroportos com restrições de infraestrutura.
Além dos jatos da Embraer, a companhia aérea prevê a chegada de três novos Boeing 787 ainda neste ano. Esses modelos são cruciais para a estratégia de expansão internacional da Latam, sendo utilizados em voos de longo alcance. A incorporação desses wide-bodies reforça a capacidade da empresa em rotas transcontinentais, aumentando a oferta de assentos e a frequência para destinos estratégicos na Europa, América do Norte e outros continentes.
A frota da Latam continuará sendo composta por aeronaves da família Airbus A320, que atualmente formam a espinha dorsal de sua operação doméstica e de voos internacionais de curta e média distância. A diversidade de modelos – Embraer E2, Boeing 787 e Airbus A320 – permite à Latam uma flexibilidade operacional significativa, adaptando-se às necessidades de diferentes mercados e otimizando a utilização de seus ativos de acordo com a demanda e as características das rotas.
A aquisição dessas aeronaves representa um investimento substancial e reflete a confiança da Latam no crescimento do mercado de aviação. A gestão cuidadosa da frota, com a introdução de modelos mais modernos e eficientes, também contribui para a redução de custos operacionais, como consumo de combustível e manutenção, e para a diminuição da pegada de carbono da empresa, alinhando-se às tendências globais de sustentabilidade na aviação.
Definição de Rotas: O Impacto do ICMS e da Viabilidade Aeroportuária
A escolha das rotas para as novas aeronaves é um processo complexo que vai além da simples demanda de passageiros. Segundo Jerome Cadier, CEO da Latam, a decisão final depende de uma série de fatores interligados, com destaque para a viabilidade operacional dos aeroportos e as condições tributárias nos estados, particularmente o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O executivo enfatizou que a empresa ainda não fechou a lista de destinos.
“A gente ainda não fechou as rotas. Estamos trabalhando na lista de destinos que gostaríamos de voar. Estamos em conversa com os estados para entender os aeroportos que acomodam a operação e também o ICMS”, afirmou Cadier. Essa declaração ressalta a importância do diálogo entre a Latam e os governos estaduais, que podem oferecer incentivos fiscais para atrair novos voos e, consequentemente, impulsionar o turismo e a economia local.
A viabilidade operacional dos aeroportos engloba diversos aspectos, como a capacidade das pistas, terminais e pátios para receber aeronaves de determinado porte, a disponibilidade de slots (horários de pouso e decolagem), a infraestrutura de apoio em solo e os custos operacionais associados. Aeroportos com infraestrutura limitada podem inviabilizar a operação de certos tipos de aeronaves ou exigir investimentos adicionais que comprometam a rentabilidade da rota.
O ICMS, por sua vez, impacta diretamente os custos de combustível, que representam uma parcela significativa das despesas das companhias aéreas. Variações na alíquota do imposto entre os estados podem tornar uma rota mais ou menos atrativa do ponto de vista financeiro. A busca por condições tributárias mais favoráveis é, portanto, uma estratégia essencial para a Latam otimizar seus custos e expandir sua malha de forma sustentável, beneficiando-se de políticas estaduais que visam fomentar o setor aéreo.
Estratégia Internacional: Foco na Otimização da Capacidade Existente
Apesar da robusta aquisição de novas aeronaves, a Latam não prevê a abertura de novos destinos internacionais neste ano. Jerome Cadier explicou que a capacidade para voos de longo curso está