O ambiente de negócios em 2026 apresenta um cenário de incerteza sem precedentes, gerando apreensão entre muitos líderes. Fatores como o caráter transformador da Inteligência Artificial, a instabilidade geopolítica crescente e as rupturas econômicas contínuas tornam o planejamento futuro uma tarefa complexa e desafiadora para as organizações globais.
Dados recentes sublinham essa realidade: um projeto acadêmico que monitora a incerteza da política econômica global desde a década de 1980 revelou que as cinco maiores medições de incerteza registradas ocorreram nos últimos cinco anos. Essa escalada de complexidade é um indicativo claro da nova era que os executivos precisam enfrentar, exigindo uma reavaliação profunda de suas abordagens estratégicas.
A percepção dessa instabilidade também ecoa no mercado de trabalho e nos relatórios corporativos. Menções à incerteza em avaliações no Glassdoor tiveram um aumento de 80% em relação ao ano anterior, enquanto a própria palavra apareceu em 87% dos comunicados públicos de resultados no início de 2025, conforme um artigo publicado pela Harvard Business Review e distribuído pela New York Times Licensing.
O Cenário de Incerteza Global que Define 2026
O ano de 2026 está sendo moldado por forças que desestabilizam modelos de negócios tradicionais e impõem uma pressão constante sobre a tomada de decisões. A ascensão da Inteligência Artificial, por exemplo, não é apenas uma evolução tecnológica, mas uma revolução que redefine mercados, cadeias de valor e a própria natureza do trabalho. As implicações da IA, desde a automação de processos até a criação de novos produtos e serviços, são vastas e ainda não totalmente compreendidas, gerando um misto de entusiasmo e apreensão.
Paralelamente, a instabilidade geopolítica adiciona uma camada de complexidade inegável. Conflitos regionais, tensões comerciais entre grandes potências e a reconfiguração de alianças internacionais criam um pano de fundo de imprevisibilidade que afeta cadeias de suprimentos, acesso a mercados e a confiança dos investidores. Essas dinâmicas exigem que os líderes empresariais considerem riscos que vão muito além das flutuações econômicas tradicionais.
As rupturas econômicas, por sua vez, são uma constante. Desde inflação persistente em algumas regiões até recessões inesperadas em outras, o ambiente financeiro global permanece volátil. A combinação desses fatores – tecnológicos, geopolíticos e econômicos – cria um caldeirão de incerteza que torna o planejamento de longo prazo um exercício de alta complexidade. Nesse contexto, a capacidade de se adaptar rapidamente e de sustentar a visão estratégica em meio à névoa se torna um diferencial competitivo crucial para qualquer organização.
A Tolerância à Incerteza como Vantagem Competitiva
Diante de tamanha volatilidade, a habilidade de gerenciar a incerteza não é mais uma característica desejável, mas uma competência essencial para a liderança. Mais do que isso, a capacidade de tolerá-la por tempo suficiente para explorar novas possibilidades e descobrir caminhos inovadores é o que diferenciará os líderes de sucesso. Sam Yagan, cofundador do OKCupid, sintetizou essa ideia ao afirmar que “o maior indicador único do sucesso de um executivo é como ele lida com a ambiguidade”.
Essa perspectiva sugere uma mudança fundamental na mentalidade de liderança. Em vez de buscar eliminar a incerteza — uma meta muitas vezes inatingível no cenário atual —, os líderes eficazes aprendem a coexistir com ela, a enxergá-la não como um obstáculo intransponível, mas como um terreno fértil para a inovação e o crescimento. A tolerância à incerteza permite que as empresas não apenas sobrevivam, mas prosperem, encontrando soluções criativas e adaptando-se a novas realidades de mercado.
O desenvolvimento dessa capacidade envolve uma combinação de inteligência emocional, pensamento estratégico e uma disposição para abraçar o desconhecido. Líderes que cultivam essa tolerância estão mais aptos a inspirar confiança em suas equipes, a tomar decisões ponderadas sob pressão e a guiar suas organizações através de períodos turbulentos, transformando desafios em oportunidades de aprendizado e evolução. É uma competência que se adquire e se aprimora, exigindo reflexão e prática contínuas.
Princípio 1: Criando Âncoras em Meio à Turbulência
Um dos pilares para desenvolver a tolerância à incerteza reside na criação de