Em Brasília, a atuação de grupos de interesse, conhecida como lobby, tornou-se uma força central nas negociações legislativas, impactando diretamente a agenda econômica e política do país. De grandes reformas à regulação de novas tecnologias, a influência organizada de empresas e entidades é cada vez mais visível.
Contudo, essa crescente visibilidade e poder contrastam com a ausência de um marco legal que defina regras claras para a atividade. O Brasil segue sem uma lei de regulamentação, um paradoxo que expõe o Congresso Nacional a pressões diversas.
Nesse vácuo normativo, ex-parlamentares e consultorias especializadas ampliam sua presença e influência nas votações, conforme informações do Anuário ORIGEM LATAM e de especialistas da área.
O Crescimento do Lobby e a Urgência da Regulamentação
As chamadas relações institucionais e governamentais (RIG) consolidaram-se como uma atividade estratégica para influenciar políticas públicas e decisões. O número de profissionais e estruturas dedicadas à interlocução com o poder público tem crescido exponencialmente.
Apesar disso, o principal projeto de lei sobre a regulamentação do lobby, proposto há 18 anos e já aprovado pela Câmara, permanece parado no Senado. Essa inércia permite que grupos econômicos e consultorias operem sem as devidas balizas.
Rodrigo Navarro, coordenador do primeiro MBA de Relações Governamentais da FGV e organizador do Anuário ORIGEM LATAM, aponta que o setor reflete uma mudança cultural na política brasileira. O anuário mapeia mais de 700 profissionais de RIG na América Latina, evidenciando a dimensão da atividade.
Navarro explica que