Lucas Pinheiro Braathen fora da disputa por medalha no slalom após queda
O brasileiro Lucas Pinheiro Braathen está fora da briga por medalhas no slalom dos Jogos de Inverno Milão-Cortina 2026. O esquiador sofreu uma queda logo na primeira bateria da prova, realizada na manhã desta segunda-feira (16) na pista de Stelvio, em Bormio, encerrando sua participação no evento antes mesmo da segunda descida.
Braathen, que vinha fazendo uma prova promissora e registrou a melhor marca na primeira parcial, perdeu o controle em um trecho do percurso e não conseguiu completar a descida. Com o abandono, o atleta não avançou para a segunda bateria, onde a soma dos tempos das duas descidas define o vencedor e a conquista de medalhas.
A queda do esquiador encerra sua participação em Milão-Cortina 2026, após ele ter feito história no último sábado (14) ao conquistar a inédita medalha de ouro para o Brasil no esqui alpino, na modalidade slalom gigante. A informação foi divulgada pelas equipes de comunicação dos Jogos e acompanhada por veículos de imprensa especializados em esportes.
Desempenho promissor interrompido por acidente
Lucas Pinheiro Braathen iniciou sua participação no slalom com grande potencial. Sexto a largar na prova, o brasileiro demonstrou força e velocidade desde o início, registrando a melhor marca na primeira parcial. Ele superou em 0s10 o tempo do então líder Atle Lie McGrath, da Noruega, mostrando que estava em plena condição de brigar por um bom resultado.
No segundo trecho da descida, Braathen mantinha um ritmo competitivo, com uma vantagem de 0s26 abaixo da referência estabelecida. No entanto, em um momento crucial da pista, o esquiador perdeu o controle, resultando em uma queda que o impediu de concluir a prova. A natureza imprevisível do esqui alpino, especialmente em provas de slalom, ficou evidente com este incidente.
A regra do slalom determina que a classificação final é definida pela soma dos tempos das duas baterias. Sem completar a primeira descida, Braathen automaticamente ficou fora da disputa pela segunda etapa, impossibilitando sua chance de subir ao pódio nesta modalidade. O evento, que conta com 96 atletas, elimina apenas aqueles que não conseguem completar o percurso.
O formato da competição de Slalom
O slalom, uma das disciplinas mais técnicas e emocionantes do esqui alpino, exige precisão e agilidade dos atletas. A prova é caracterizada por um percurso mais curto e um número maior de portas (marcadores) em comparação com o slalom gigante. A velocidade e a capacidade de realizar curvas fechadas e rápidas são cruciais para o sucesso.
A competição é dividida em duas baterias, e o tempo total de ambas as descidas é somado para determinar a classificação final. Os 30 melhores tempos da primeira descida se qualificam para a segunda bateria. Nesta segunda etapa, a ordem de largada é invertida: o 30º colocado desce primeiro, seguido pelo 29º, e assim sucessivamente, culminando com o líder da primeira bateria largando por último. Essa inversão adiciona um elemento de drama e estratégia à disputa.
Atletas que não completam a primeira bateria são desclassificados e não participam da segunda. O objetivo é registrar o menor tempo possível, combinando as duas descidas. A queda de Braathen, portanto, o excluiu automaticamente dessa dinâmica de pontuação e classificação.
Outros brasileiros na disputa
Além de Lucas Pinheiro Braathen, o Brasil conta com outros dois representantes na prova de slalom: Christian Soevik e Giovanni Ongaro. Assim como Braathen, Christian Soevik também sofreu uma queda durante sua participação, o que o impediu de avançar na competição. Giovanni Ongaro segue na disputa, buscando o melhor desempenho possível para o país.
A participação brasileira no esqui alpino em Milão-Cortina 2026, mesmo com o revés de Braathen no slalom, já é histórica. A presença de múltiplos atletas em diferentes modalidades e a conquista inédita de uma medalha de ouro demonstram o crescimento do país no cenário dos esportes de inverno.
A expectativa agora recai sobre o desempenho de Giovanni Ongaro na segunda bateria, caso ele se classifique entre os 30 melhores da primeira descida. A performance dos atletas brasileiros, independentemente do resultado final, já representa um marco significativo para o esporte no Brasil.
A conquista histórica de Lucas Pinheiro Braathen no Slalom Gigante
Apesar da decepção no slalom, Lucas Pinheiro Braathen já garantiu seu nome na história do esporte brasileiro. No último sábado (14), o atleta de 25 anos conquistou a inédita medalha de ouro para o Brasil nas Olimpíadas de Inverno, na modalidade slalom gigante. O feito histórico ocorreu nos Jogos de Milão-Cortina 2026.
Braathen alcançou a marca total das duas descidas em 2 minutos e 25 segundos, após completar a segunda descida com o tempo de 1 minuto e 11 segundos e 08 centésimos. Essa performance o colocou no topo do pódio, celebrando a primeira medalha de ouro do Brasil em uma edição de Jogos de Inverno.
Antes desta conquista, a melhor participação do Brasil nos Jogos de Inverno havia sido em Turim 2006, com o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross. A medalha de Braathen, portanto, supera em muito o desempenho anterior do país.
Brasil no pódio: um feito para o Hemisfério Sul
A conquista de Lucas Pinheiro Braathen em Milão-Cortina 2026 não é apenas um marco para o Brasil, mas também para todo o Hemisfério Sul. Com o ouro no esqui alpino, o país se tornou o terceiro país abaixo da linha do Equador a conquistar uma medalha em uma edição olímpica de inverno.
Antes do Brasil, apenas a Nova Zelândia, em Albertville 1992, e a Austrália, em Lillehammer 1994 e Salt Lake City 2002, haviam subido ao pódio em Jogos de Inverno. O feito brasileiro, portanto, coloca o país em um seleto grupo de nações do hemisfério sul com tradição em esportes na neve.
Essa conquista reforça a crescente representatividade de países tropicais e do hemisfério sul em modalidades tradicionalmente associadas ao hemisfério norte e a climas frios, demonstrando que o talento e a dedicação podem superar barreiras geográficas e climáticas.
Superando a Argentina: a única medalha da América do Sul
Outro aspecto significativo da vitória de Lucas Pinheiro Braathen é que ela representa a única medalha da América do Sul na história dos Jogos Olímpicos de Inverno. O feito brasileiro supera um recorde anterior estabelecido pela Argentina.
Nos Jogos de St. Moritz 1928, a Argentina alcançou o quarto lugar no bobsled, que até então era considerado o maior feito de uma equipe sul-americana nos Jogos de Inverno. Com a medalha de ouro de Braathen, o Brasil não só ultrapassou o desempenho argentino, mas também consolidou a América do Sul no mapa das competições de inverno.
Essa distinção ressalta a importância histórica da conquista de Braathen, que vai além das fronteiras do Brasil, elevando o prestígio de toda a região sul-americana em um cenário esportivo globalmente competitivo e historicamente dominado por outras nações.
O futuro do esqui alpino brasileiro
Apesar da queda no slalom, o desempenho de Lucas Pinheiro Braathen em Milão-Cortina 2026 já é um divisor de águas para o esqui alpino brasileiro. A medalha de ouro no slalom gigante abriu portas para maior visibilidade, investimento e interesse na modalidade no país.
A expectativa é que o sucesso de Braathen inspire uma nova geração de atletas brasileiros a se dedicarem aos esportes de inverno. O desenvolvimento de infraestrutura, programas de treinamento e o apoio a atletas promissores serão cruciais para manter e expandir o legado deixado por esta histórica participação.
A comunidade esportiva brasileira celebra o feito de Braathen, que demonstrou garra, talento e perseverança. Mesmo com o revés no slalom, sua trajetória em Milão-Cortina 2026 já está marcada como um capítulo glorioso na história do esporte nacional.