O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusando-o de planejar a criação de uma “nova ONU” na qual ele próprio seria o “dono”. As declarações de Lula foram feitas durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na última sexta-feira, 23 de fevereiro.
A controvérsia gira em torno do Conselho de Paz proposto pela Casa Branca, uma iniciativa de Trump para supervisionar a administração e a reconstrução de Gaza. Lula, que foi convidado a participar, ainda não respondeu oficialmente à proposta.
As informações foram divulgadas pela Agência EFE, destacando a preocupação de Lula com o futuro do multilateralismo e a soberania das nações diante de tais propostas.
A Crítica Direta à “Nova ONU” de Trump
Lula expressou seu descontentamento com a proposta de Trump, que, segundo ele, desvia-se da necessidade de reformar a Organização das Nações Unidas (ONU). “Em vez de corrigir a ONU, como a gente reivindica desde 2003, com a entrada de novos países, como México, Brasil e países africanos, o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, da qual ele é o único dono”, afirmou o presidente brasileiro.
Para o líder petista, essa iniciativa representa um desrespeito aos princípios que regem as relações internacionais. Lula chegou a declarar que a “Carta da ONU está sendo rasgada”, evidenciando sua preocupação com a erosão do direito internacional e a ascensão de posturas unilaterais.
Multilateralismo em Risco e a Soberania Brasileira
O presidente brasileiro reforçou a ideia de que o “multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo”, o que, em sua visão, permite a prevalência da “lei do mais forte”. Ele defendeu um compromisso global com o multilateralismo, revelando que tem dedicado a semana a telefonemas para líderes de diversos países em busca de apoio a essa causa.
Lula também enfatizou a importância da soberania nacional, declarando: “O que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”. O chefe do Executivo defendeu o diálogo como a ferramenta essencial para resolver conflitos e “fazer política”, em contraposição a ações unilaterais que desconsideram a autonomia dos Estados.
Indignação com a Situação na Venezuela
Durante o mesmo evento, Lula expressou profunda indignação com a suposta captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos. O presidente brasileiro descreveu um cenário que o deixou “toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela”.
“Os caras entram à noite na Venezuela, vão ao quartel, onde morava Maduro, e o levam embora”, relatou Lula, questionando a legitimidade da ação. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estariam presos nos Estados Unidos, enfrentando acusações relacionadas ao narcoterrorismo. “Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul”, concluiu Lula, ressaltando a gravidade de tal precedente para a região.