O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acirrou o tom contra a direita brasileira, declarando que seu futuro concorrente à reeleição em 2026 será escolhido em uma “convenção fascista”. O petista afirmou estar pronto para disputar seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto, marcando o início de um cenário político intenso.
As declarações foram proferidas durante um evento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado nesta sexta-feira (23) na cidade de Salvador, Bahia. Lula aproveitou a ocasião para traçar as primeiras linhas de sua estratégia para a próxima corrida presidencial.
Além das questões eleitorais internas, o presidente também abordou temas de política externa, com duras críticas à atuação dos Estados Unidos na Venezuela e à postura do ex-presidente Donald Trump, conforme informações divulgadas pela Agência EFE.
A disputa eleitoral de 2026 e a “convenção fascista”
Com a mira em 2026, Lula não poupou palavras ao se referir ao processo de escolha de seu provável adversário. Ele expressou sua convicção de que a direita se organizará para definir um nome, utilizando a expressão que tem gerado repercussão na imprensa e nas redes sociais.
O presidente petista declarou: “Se preparem porque nós queremos ser tetra e vamos disputar as eleições. Não sei com quem, vai ter um tal de março, ou abril, em que os fascistas vão fazer convenção, todo mundo vai escolher o candidato. O que posso dizer é o seguinte: venha quem vier”, demonstrando confiança em sua capacidade de vitória.
No cenário atual, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é apontado como um possível candidato da direita, com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Enquanto isso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que chegou a ser cotado para a presidência, confirmou que buscará a reeleição em seu estado.
Combate às fake news: a estratégia da campanha petista
Em seu discurso, o presidente Lula também dedicou atenção à questão das notícias falsas, acusando a direita brasileira de utilizar a disseminação de mentiras e fake news como tática política. Ele sinalizou que sua campanha estará preparada para enfrentar essa estratégia.
O chefe do executivo fez um alerta direto: “Vamos mostrar que a mentira não vai prevalecer, e que quem usar o celular para contar mentira, fazer fake news, pode começar a guardar o celular”, indicando uma postura ativa contra a desinformação no período eleitoral.
Essa fala de Lula sugere que o combate à desinformação será um pilar importante da sua futura campanha, buscando garantir a veracidade das informações que chegam ao eleitorado, um desafio constante nas democracias modernas.
Críticas à ação dos EUA na Venezuela e à “nova ONU” de Trump
No âmbito internacional, Lula expressou forte indignação com a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Ele acusou o ex-presidente norte-americano Donald Trump de tentar criar uma “nova ONU”, da qual seria o único “dono”, através de seu Conselho da Paz.
O presidente brasileiro questionou a iniciativa: “Em vez de corrigir a ONU, como a gente reivindica desde 2003, com a entrada de novos países, como México, Brasil e países africanos, o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, da qual ele é o único dono”, criticou Lula, defendendo uma reforma na organização.
Essa postura demonstra a visão de Lula sobre a necessidade de um multilateralismo mais representativo e menos centralizado, em contraste com o que ele percebe como uma tentativa de hegemonia por parte dos Estados Unidos.
Soberania e prisão de Maduro: a indignação de Lula
Lula relatou com indignação um suposto episódio envolvendo a prisão do líder chavista Nicolás Maduro, questionando a violação da soberania venezuelana. “Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar”, afirmou o presidente.
Ele descreveu o cenário: “O Maduro sabia que tinham 15 mil soldados americanos no Mar do Caribe, que todo dia tinha uma ameaça. Os caras entram à noite na Venezuela, vão ao quartel, onde morava Maduro, e o levam embora”, detalhou Lula, expressando seu descontentamento com a situação.
É importante ressaltar que o líder chavista Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão detidos nos Estados Unidos, onde enfrentam acusações relacionadas a crimes de narcoterrorismo. Este contexto adiciona complexidade às declarações de Lula.
O presidente brasileiro concluiu sua crítica, enfatizando o respeito à integridade territorial: “Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul”, reforçando a importância da autodeterminação dos povos e da não intervenção.