Em um cenário de crescente tensão na América do Sul, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Gustavo Petro, da Colômbia, uniram suas vozes em uma conversa telefônica. A pauta central foi a delicada situação na Venezuela, país vizinho que enfrenta desafios complexos.
Ambos os líderes expressaram publicamente uma ‘grande preocupação’ com os recentes acontecimentos. Eles alertam para o que consideram um ‘precedente extremamente perigoso’ para a paz regional, caso haja uso de força contra uma nação sul-americana.
A discussão ocorreu dias após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação dos Estados Unidos, o que elevou o nível de alerta na região, conforme informações divulgadas pelo Palácio do Planalto.
Lula e Petro alertam contra uso da força e defendem o direito internacional
Durante a conversa, os dois mandatários enfatizaram a ‘grande preocupação’ com qualquer uso da força contra um país sul-americano. Tal ação, segundo eles, seria uma clara violação do direito internacional, da Carta das Nações Unidas e da soberania da Venezuela.
Eles destacaram que tais movimentos configuram um precedente extremamente perigoso, não apenas para a paz e a segurança regionais, mas também para a ordem internacional como um todo. A estabilidade na América do Sul é uma prioridade para ambos os governos.
Lula e Petro concordaram que a complexa situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos. Eles defenderam a negociação e o respeito irrestrito à vontade do povo venezuelano como os únicos caminhos viáveis para uma solução duradoura.
Contexto da crise venezuelana e ameaças regionais
A chamada entre os presidentes brasileiro e colombiano acontece em um momento delicado. Dias antes, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi capturado em uma operação dos Estados Unidos, ordenada pelo então presidente Donald Trump.
A alegação para a operação foi o suposto envolvimento de Maduro em crimes de narcotráfico. Ações como essa intensificam a preocupação regional e geram incertezas sobre o futuro da Venezuela e seus vizinhos.
O comunicado do Planalto também lembrou que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a ameaçar publicamente o presidente colombiano Gustavo Petro de ações, o que adiciona mais uma camada de tensão ao cenário político sul-americano.
Sinais de esperança e a solidariedade brasileira à Venezuela
Apesar das tensões, Lula e Petro saudaram um anúncio feito pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela. A notícia da liberação de presos nacionais e estrangeiros foi vista como um sinal positivo, indicando um possível caminho para o diálogo.
Adicionalmente, o presidente Lula informou a Petro sobre a ajuda humanitária que o Brasil está enviando. A pedido da Venezuela, o Brasil remeterá 40 toneladas de insumos e medicamentos, parte de um total de 300 toneladas já arrecadadas.
Esses suprimentos são cruciais para reabastecer o estoque de produtos e soluções para diálise, que estavam em um centro de abastecimento atingido pelos bombardeios do último dia 3 de janeiro, demonstrando a solidariedade do Brasil com a população venezuelana.
Cooperação regional para a paz e estabilidade
Brasil e Colômbia reafirmaram sua intenção de seguir cooperando em prol da paz e da estabilidade na Venezuela. Ambos os países compartilham extensas fronteiras com a nação vizinha, o que torna a estabilidade regional uma questão de interesse mútuo e de segurança nacional.
No contexto da preocupação com a Venezuela, os presidentes também recordaram os importantes contingentes de migrantes venezuelanos que têm acolhido nos últimos anos. A questão migratória é um desafio humanitário e social significativo para a região.
A colaboração entre Lula e Petro visa fortalecer os laços diplomáticos e encontrar soluções conjuntas para os desafios que afetam a América do Sul. A busca por meios pacíficos e a defesa da soberania são pilares dessa estratégia regional.