O governo brasileiro, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem sido alvo de questionamentos sobre suas prioridades na política externa. Enquanto uma grave crise humanitária se desenrola no Irã, com centenas de mortes decorrentes da repressão a protestos, a postura oficial do Brasil tem sido de notável silêncio.
Em contraste, a administração federal não hesitou em emitir uma nota de celebração pela vitória do filme nacional “O Agente Secreto” no prestigiado prêmio Globo de Ouro, destacando a conquista cultural em solo internacional.
Essa dualidade de abordagens levanta debates importantes sobre os princípios que guiam as relações internacionais do país, especialmente em temas sensíveis como os direitos humanos, conforme informações apuradas pela imprensa.
A Profunda Contradição na Política Externa Brasileira
Até a tarde da última segunda-feira, 12 de dezembro, o Ministério das Relações Exteriores não havia divulgado qualquer posicionamento oficial sobre a crise no Irã. A repressão aos protestos no país persa, segundo relatos, já teria resultado em mais de 600 mortes, um dado alarmante que tem gerado condenação internacional.
Apesar da gravidade da situação, o Planalto tem evitado críticas diretas ao regime iraniano em fóruns internacionais. Exemplos incluem abstenções em votações da ONU relacionadas a direitos humanos, demonstrando uma cautela diplomática que contrasta com a condenação de ataques de Israel ao Irã, sem, no entanto, responsabilizar o governo iraniano por suas próprias ações internas.
Paralelamente a esse silêncio em questões de direitos humanos, o governo de Lula celebrou, nas primeiras horas da mesma segunda-feira, os prêmios conquistados pela produção cinematográfica brasileira. A nota oficial elogiando o sucesso de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro evidenciou uma rápida resposta a eventos culturais, em detrimento de posicionamentos sobre crises políticas e sociais.
Pagamento Milionário a Escritório de Advogados de Ministra do STM
Em outro desdobramento, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou um pagamento significativo. A empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A realizou um repasse de R$ 700 mil ao escritório de advocacia da ministra Verônica Abdalla Sterman, do Superior Tribunal Militar (STM).
A empresa tem ligações com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O valor foi pago em parcela única entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, antes da ministra assumir seu cargo, conforme detalhado no relatório enviado à CPMI do INSS.
Em sua defesa, a ministra Sterman afirmou que o montante se refere à elaboração de três pareceres jurídicos criminais, solicitados pela ACX ITC quando ela ainda atuava como advogada. Ela negou veementemente qualquer relação com o empresário “Careca do INSS”, buscando esclarecer a natureza da transação.
Banco Central Busca “Selo de Qualidade” do TCU
No cenário econômico, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, anunciou um acordo importante com o Banco Central (BC). O BC concordou com a inspeção técnica na documentação de liquidação do Banco Master, após uma reunião considerada amigável entre Vital, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e diretores da autoridade monetária.
Segundo Vital do Rêgo, o Banco Central busca, com essa auditoria, obter um “selo de qualidade” do TCU, além da segurança jurídica que a análise da Corte pode proporcionar. A expectativa é que a avaliação seja concluída em menos de um mês, com o TCU garantindo o respeito ao sigilo e aos procedimentos legais.
O relator do caso, Jhonatan de Jesus, reforçou o caráter cooperativo da reunião e assegurou que o processo seguirá os trâmites regimentais normais. Este movimento demonstra uma busca por transparência e validação externa nas operações do Banco Central.