A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, do Partido dos Trabalhadores (PT), se prepara para uma importante disputa nas eleições de 2026. Atendendo a um pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a política deve ser pré-candidata ao Senado pelo estado do Paraná.
A decisão presidencial movimenta o cenário político paranaense, alterando planos anteriores do partido. A medida visa fortalecer a chapa progressista e conter o avanço da chamada onda conservadora no Congresso Nacional, especialmente na Câmara Alta.
A confirmação veio do diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri (PT), que abriu mão de sua própria pré-candidatura ao Senado. As informações foram divulgadas pela Gazeta do Povo, que procurou a ministra para comentar a decisão, mas não obteve manifestação.
A Motivação por Trás da Decisão Presidencial
O presidente Lula articulou a mudança com dois objetivos claros. Primeiramente, garantir a permanência de Enio Verri no comando da Itaipu Binacional, uma posição estratégica para as negociações do novo Anexo C do tratado com o Paraguai, que devem ser finalizadas este ano.
Em segundo lugar, e de forma crucial, Lula aposta em Gleisi Hoffmann, considerada o principal nome petista no Paraná, para tentar evitar uma vitória dupla da direita conservadora no estado. Em 2026, cada estado elegerá dois representantes ao Senado, renovando dois terços das cadeiras.
O temor é que a Casa seja dominada por uma maioria de senadores de partidos conservadores, o que poderia dificultar a governabilidade e a implementação de pautas progressistas. A movimentação de Lula reflete a preocupação com a composição do futuro Congresso.
O Cenário Eleitoral Conservador no Paraná e os Desafios
O Paraná apresenta um cenário desafiador para a esquerda, com fortes pré-candidaturas conservadoras já confirmadas. Entre os nomes que se destacam estão Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Cristina Graeml (União Brasil).
Além disso, o grupo político do governador Ratinho Junior (PSD-PR) também deve indicar um dos candidatos em uma aliança com o Partido Liberal (PL), reforçando ainda mais a presença da direita na disputa pelas vagas no Senado.
A corrida eleitoral de 2026 promete ser acirrada, com a direita conservadora buscando consolidar sua força no estado. A entrada de Gleisi Hoffmann na disputa é vista como uma tentativa de equilibrar essa balança política.
Estratégia Petista e as Alianças para a Disputa em 2026
Enio Verri defende a formação de uma ampla aliança progressista para as eleições de 2026. Segundo ele, essa estratégia é fundamental para “vencer o fascismo” e impedir o avanço da direita conservadora no Congresso Nacional e nos governos estaduais.
Verri destacou que o próprio governo Lula é resultado de uma aliança ampla, que foi essencial para o avanço democrático no Brasil. Ele comparou a situação do Paraná com a de outros estados, como Ceará e Bahia, onde também se busca a união de forças.
“No Paraná, nós pretendemos continuar com essa aliança ampla, como no Ceará e na Bahia. Dentro desse cenário não há como o PT lançar dois candidatos ao Senado”, declarou Verri. As negociações incluem o PDT, com o deputado estadual Requião Filho sendo cotado para o governo, apoiando Gleisi Hoffmann para o Senado.
O diretor-geral da Itaipu confirmou que apenas uma vaga será do PT e será ocupada por Gleisi Hoffmann, que é a ministra da Secretaria das Relações Institucionais da Presidência da República. Ela foi oficializada como a pré-candidata ao Senado, conforme Verri.
O Desempenho nas Pesquisas e o Perfil de Gleisi Hoffmann
As pesquisas eleitorais indicam um cenário desafiador para os nomes da esquerda no Paraná. Um levantamento Neokemp, realizado em dezembro de 2025 com 1.200 pessoas em 97 cidades, mostrou Deltan Dallagnol na liderança com 54% das intenções de voto para o Senado, seguido por Cristina Graeml (35,6%) e Filipe Barros (26,5%).
Na mesma pesquisa, o deputado federal Zeca Dirceu, do PT, somou 25% das intenções de voto. A margem de erro foi de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Outra pesquisa, do Real Time Big Data, de novembro de 2025, com 1.200 entrevistados, apontou um empate técnico entre Dallagnol, Graeml e Barros, com 20%, 20% e 18% respectivamente, quando o governador Ratinho Junior não é considerado na disputa.
Neste cenário, Gleisi Hoffmann e Zeca Dirceu somaram 12% e 10% das intenções de voto, respectivamente. Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e aliado de Ratinho Junior, o deputado estadual Alexandre Curi (PSD) registrou 7%.
Com uma trajetória que inclui a presidência nacional do PT, ex-senadora, deputada federal e ministra nos governos Lula e Dilma, Gleisi Hoffmann é a aposta do PT para reverter esse quadro e frear a onda conservadora no Senado, buscando uma representatividade mais equilibrada para o Paraná.