O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou nesta sexta-feira (23) sua profunda indignação com a recente ação militar dos Estados Unidos que culminou na prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro. A declaração foi feita durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em um discurso que ressaltou a importância da integridade territorial.

Lula destacou a presença de forças americanas no Mar do Caribe e as ameaças constantes que precederam a captura de Maduro, ocorrida no último dia 6. O líder brasileiro questionou a legitimidade de uma intervenção em um país soberano, reafirmando que a América do Sul deve ser um “território de paz”.

A fala do presidente reflete uma preocupação crescente com a escalada das tensões na região e a violação do direito internacional, conforme informações divulgadas pelo jornal O Globo em reportagem sobre o tema.

A declaração de Lula e a “indignação”

Em seu pronunciamento, Lula não poupou palavras ao descrever seu sentimento diante da situação. “Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar”, afirmou o presidente, detalhando a surpresa com a forma como a operação militar dos EUA foi conduzida.

Ele mencionou que Maduro tinha conhecimento da presença de “15 mil soldados americanos no Mar do Caribe” e das ameaças diárias. A captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foi descrita por Lula como uma invasão noturna ao quartel onde residiam, levando-os para os Estados Unidos, onde estão atualmente presos.

A defesa da soberania e o apoio do MST

O presidente brasileiro enfatizou a gravidade do ocorrido, questionando: “Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país?”. Para Lula, tal ação é inaceitável na América do Sul, que ele reiterou ser um “território de paz”, livre de intervenções externas.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que já havia agradecido o apoio de Maduro à “causa” venezuelana no mês passado, acusou Washington de tentar “monopolizar o petróleo venezuelano” após a operação militar dos EUA. Lula reforçou que, embora os países da América Latina não possuam armas nucleares, eles não “vão abaixar a cabeça para ninguém”.

“A gente não tem arma, mas a gente tem caráter e dignidade e a gente não vai abaixar a cabeça para ninguém. Quem quer que seja, a gente vai conversar olho no olho, de cabeça em pé, respeitando o povo brasileiro e a nossa soberania. Isso vale para todos os países do mundo”, declarou o presidente, sublinhando a importância da dignidade e do respeito mútuo.

Relação entre Lula e Maduro: de atritos à reaproximação

Apesar de aliados de longa data, Lula e Maduro tiveram um período de afastamento após as eleições venezuelanas de 2024. Naquela ocasião, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), sob controle do regime chavista, declarou a vitória de Maduro sem a devida divulgação das atas de votação, gerando acusações de fraude.

O Brasil, na época, cobrou a transparência na divulgação dos comprovantes, mas ainda assim enviou a embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Oliveira, à cerimônia de posse. A falta de apoio público de Lula chegou a ser ironizada por Maduro em determinado momento, evidenciando a tensão na relação.

A conversa sigilosa e a “afronta gravíssima”

No entanto, a relação começou a se reaquecer no final do ano passado. Em dezembro, Lula conversou por telefone de forma sigilosa com o ditador venezuelano, abordando o aumento da tensão na região devido à escalada das ações militares dos Estados Unidos. A informação foi revelada pelo blog de Janaína Figueiredo, no jornal O Globo, em 11 de dezembro.

Essa conversa foi descrita como a primeira “amistosa” entre os dois em muito tempo, com o objetivo de retomar o diálogo com o regime chavista. Lula teria demonstrado preocupação com o avanço militar dos EUA e se mostrado disposto a ajudar na desescalada da situação, buscando evitar uma crise maior.

Após a destituição de Maduro pela operação militar dos EUA, o presidente brasileiro classificou a ação como uma “afronta gravíssima” à soberania da Venezuela. Em nota, Lula afirmou que “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, reforçando sua postura de defesa do direito internacional e da paz entre as nações.

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