Nicolás Maduro e Cilia Flores comparecem à Justiça americana após captura

O ex-ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, compareceram a um tribunal federal de Nova York nesta segunda-feira, 5 de agosto, para a primeira audiência do processo criminal contra eles nos Estados Unidos. O casal foi capturado na Venezuela em uma operação militar americana no sábado, 3 de agosto, e se declarou inocente das graves acusações.

A audiência, que atraiu grande atenção internacional, ocorreu no Tribunal Federal Daniel Patrick Moynihan e foi presidida pelo juiz Alvin Hellerstein. As alegações de inocência e as declarações de Maduro geraram momentos de tensão no tribunal, destacando a complexidade política e judicial do caso.

Durante os procedimentos, tanto Maduro quanto Flores acompanharam tudo usando fones de ouvido para a tradução simultânea. As informações sobre a audiência foram divulgadas por veículos como a CNN e a agência EFE, detalhando os acontecimentos e as declarações dos envolvidos.

Maduro e a alegação de inocência em solo americano

No início da audiência, o juiz Hellerstein pediu que Maduro confirmasse sua identidade. O ex-ditador, algemado pelos tornozelos, mas não pelos pulsos, respondeu em espanhol, afirmando ser o “presidente da Venezuela”. O juiz reiterou a pergunta, buscando apenas a confirmação do nome, ao que Maduro então respondeu que este era seu nome.

Questionado sobre as acusações, o chavista declarou enfaticamente: “inocente, não sou culpado”. Ele acrescentou: “Sou um homem decente” e reforçou sua posição política, dizendo: “Ainda sou presidente do meu país. Sou inocente. Não sou culpado de nada do que está sendo mencionado aqui.” A agência EFE informou que Maduro também se descreveu como um “prisioneiro de guerra”, uma declaração que adiciona uma camada de controvérsia ao caso.

Cilia Flores, por sua vez, ao ser questionada sobre sua identidade, afirmou ser “a primeira-dama da Venezuela”. Ela dispensou a leitura formal da acusação e também se declarou “não culpada, completamente inocente”, alinhando-se à postura de seu marido diante da Justiça americana.

A defesa e as acusações no tribunal de Nova York

Nicolás Maduro foi representado pelo advogado americano Barry Pollack, conhecido por defender o jornalista e ativista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks. Pollack conseguiu um acordo que permitiu a Assange deixar a prisão de segurança máxima no Reino Unido e retornar à Austrália, encerrando uma longa batalha judicial.

Já Cilia Flores teve como defensor o advogado Mark Donnelly, um ex-procurador do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ). Os advogados do casal informaram que não pediriam liberação mediante fiança neste momento, o que significa que Nicolás Maduro e sua esposa permanecerão presos enquanto o processo avança.

Tanto Maduro quanto Flores solicitaram uma visita ao Consulado da Venezuela local, um direito que o juiz Hellerstein mencionou após as declarações de inocência. A defesa de Maduro, por meio de Pollack, indicou que haverá um “volume substancial de recursos” durante o processo, alegando que Maduro, como chefe de Estado, teria direito a “privilégios e imunidades inerentes ao cargo”. O advogado também mencionou que Maduro tem “problemas de saúde […] que exigirão atenção”. Donnelly, por sua vez, alegou que Flores sofreu “ferimentos significativos” durante sua captura e precisaria de uma avaliação física. A próxima audiência do processo foi marcada para 17 de março.

Detalhes das acusações e o contexto da captura

As acusações contra Nicolás Maduro são severas. Ele é acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. As acusações refletem a gravidade das alegações feitas pelas autoridades americanas contra o ex-líder venezuelano.

Cilia Flores, esposa de Maduro, também enfrenta acusações sérias. Ela é acusada de conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. Essas acusações a colocam em uma situação jurídica semelhante à de seu marido, com implicações significativas.

Repercussão e manifestações em Nova York

Do lado de fora do tribunal federal em Nova York, durante a audiência, manifestantes se reuniram para expressar suas opiniões sobre a prisão de Nicolás Maduro. Algumas pessoas celebravam a captura do ex-ditador e pediam a libertação de presos políticos na Venezuela, demonstrando a polarização que o caso provoca.

Outros manifestantes, em contrapartida, pediam a libertação de Maduro, evidenciando a divisão de opiniões e a complexidade do cenário político envolvendo a Venezuela e as relações internacionais. A presença de grupos com pautas opostas ressaltou a importância e o impacto global do processo judicial que se inicia nos Estados Unidos.

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