Maílson da Nóbrega aponta PT como responsável pela pobreza e baixo desenvolvimento do Brasil

O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega criticou veementemente a condução econômica dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), afirmando que as políticas adotadas ao longo dos anos são um dos principais motivos para a persistência do Brasil em um ciclo de baixo desenvolvimento e pobreza.

Em declarações recentes, o economista, que está prestes a lançar um novo livro que revisita a trajetória econômica do país, foi enfático ao dizer: “O PT é uma das causas de o Brasil continuar pobre”. Ele argumenta que o partido possui “ideias equivocadas” e que sua visão centrada no gasto público, sem o devido foco na oferta e produtividade, gera desequilíbrios inflacionários que prejudicam, principalmente, os mais pobres.

Maílson da Nóbrega também destacou a má qualidade da educação como um gargalo fundamental para o avanço do país, impedindo a formação de mão de obra qualificada, lideranças e a promoção da inovação. Essas críticas foram divulgadas pelo Poder360.

A Visão Econômica do PT e a Armadilha do Baixo Crescimento

Segundo Maílson da Nóbrega, a orientação econômica do PT nasceu com premissas ultrapassadas ainda nos anos 80, mantendo uma forte ênfase no gasto público como motor da economia. Ele contesta a visão frequentemente expressa pelo ex-presidente Lula de que a economia melhora apenas ao “pôr dinheiro na mão dos pobres”, argumentando que essa abordagem ignora o lado da oferta e da produtividade.

“A economia tem dois lados: demanda e oferta”, explicou o ex-ministro. Ao estimular exclusivamente a demanda, sem um correspondente aumento na produtividade e na oferta de bens e serviços, o país incorre em desequilíbrios que culminam em inflação. “A inflação prejudica sobretudo os pobres”, ressaltou, evidenciando o impacto negativo dessa política nos segmentos mais vulneráveis da população.

Essa mentalidade, na visão de Maílson, reflete-se diretamente na falta de controle orçamentário e, consequentemente, na política monetária. A taxa de juros elevada no Brasil, segundo ele, é uma consequência direta da “insustentabilidade fiscal” gerada por essa abordagem econômica. O crescimento das despesas obrigatórias e as vinculações constitucionais engessam o orçamento, limitando a capacidade de investimento em áreas cruciais.

Educação de Qualidade: O Pilar Ausente para o Desenvolvimento Sustentável

Um dos pontos centrais da análise de Maílson da Nóbrega é a “má qualidade da educação” no Brasil. Ele a descreve como a “peça fundamental para a preparação de mão de obra qualificada, lideranças empresariais e do setor público e para a inovação”. Sem um avanço consistente e significativo nesta área, o país compromete sua produtividade e sua capacidade de crescimento a longo prazo.

Para o economista, a educação é o alicerce sobre o qual se constrói uma economia forte e inovadora. A falta de investimento e de reformas que elevem o patamar educacional impede que o Brasil forme profissionais capacitados para os desafios do mercado globalizado e para a criação de novas tecnologias e modelos de negócio.

A ausência de uma educação de excelência, portanto, perpetua um ciclo vicioso de baixa produtividade e competitividade. Isso significa que, mesmo com outros setores apresentando bons resultados, como o agronegócio, o desempenho geral da economia permanece aquém do seu potencial, limitando a geração de riqueza e a melhoria da qualidade de vida da população.

O Custo da Insustentabilidade Fiscal e a Necessidade de Reformas Estruturais

Maílson da Nóbrega é categórico ao afirmar que a “explicação da taxa de juros alta no Brasil é a insustentabilidade fiscal”. Ele aponta para o crescimento descontrolado das despesas obrigatórias e as vinculações constitucionais como fatores que “engessam o orçamento” e criam um cenário onde “não sobrarão 1 centavo para cultura, ciência, investimentos”.

Diante desse quadro, o ex-ministro defende a urgência de “reformas estruturais”. Ele cita especificamente a necessidade de “outra reforma da previdência”, argumentando que a realizada durante o governo Bolsonaro não surtiu todos os efeitos esperados e teve parte de seus ganhos corroídos pela reintrodução da vinculação de aposentadorias e pensões no governo Lula.

O economista critica ainda a peculiaridade brasileira de vincular receitas de impostos a gastos específicos em educação e saúde, algo que, segundo ele, não ocorre em “o único país que vincula receitas de impostos a gastos com educação e saúde”. Essa rigidez orçamentária dificulta a gestão fiscal e impede a alocação de recursos para outras áreas estratégicas.

A Constituição de 1988 e a Origem da Crise Fiscal Anunciada

A raiz da crise fiscal brasileira, segundo Maílson da Nóbrega, remonta à Constituição de 1988. Ele acompanhou a formulação do texto “de dentro do governo” e afirma que o país optou por “montar um Estado de bem-estar semelhante ao europeu em um país que não tinha ficado rico”. Essa decisão, embora motivada pelo desejo de “eliminar a pobreza e a desigualdade”, foi tomada pelo caminho errado.

“Em outros países, isso aconteceu pelo desenvolvimento”, contrapõe Maílson, citando o exemplo da China, que “tirou 800 milhões de pessoas da pobreza promovendo o crescimento acelerado da economia, não Estado de bem-estar”. A Constituição de 1988, ao criar um arcabouço de direitos e benefícios sociais sem a devida sustentabilidade econômica, lançou as bases para os desequilíbrios fiscais observados desde então.

A busca por um Estado de bem-estar social robusto, sem o correspondente crescimento econômico e a geração de riqueza, criou uma armadilha fiscal. O aumento das despesas sociais e a rigidez orçamentária decorrente de vinculações e direitos adquiridos tornaram o ajuste fiscal uma tarefa árdua e recorrente, impactando negativamente o potencial de investimento e crescimento do país.

Agronegócio: Um Oásis de Competitividade em um Cenário de Baixa Produtividade

Apesar das críticas gerais à economia brasileira, Maílson da Nóbrega reconhece a existência de setores com alta competitividade global. O agronegócio é apontado como um dos poucos segmentos com “eficiência e destaque internacional”, sem o qual o país “não vai conseguir alavancar um ciclo de crescimento sustentado”.

O sucesso do agro não é visto como casual pelo ex-ministro. Ele atribui o “salto de produtividade” à pesquisa e tecnologia desenvolvidas pela Embrapa, adaptadas às condições do clima tropical e que transformaram o Cerrado em uma área produtiva. Essa base científica é o que, segundo Maílson, tornou o setor “eficiente e competitivo no cenário internacional”.

No entanto, o economista ressalta que o agronegócio é um “caso isolado”. Sem a melhoria da educação de qualidade e a implementação de reformas que elevem a competitividade de forma ampla, “o Brasil continuará preso a um desempenho fraco”. A força do agro, por si só, não é suficiente para impulsionar a economia nacional como um todo.

O Papel do Estado e a Resistência do PT às Privatizações

Outro ponto de crítica de Maílson da Nóbrega é o tamanho do Estado brasileiro e a “resistência do PT às privatizações”. Ele argumenta que “não há razão de natureza política, econômica ou estrutural para ter empresas estatais no Brasil”, e lamenta que “é um anátema falar de privatização no PT”.

A presença de estatais em setores onde a iniciativa privada poderia atuar com mais eficiência e competitividade é vista como um entrave ao desenvolvimento. A gestão pública, muitas vezes sujeita a influências políticas e burocráticas, pode não ser tão ágil e inovadora quanto a gestão privada, limitando o potencial de crescimento e a geração de valor.

A aversão do PT às privatizações, segundo Maílson, perpetua um modelo de Estado inchado e menos eficiente, que consome recursos públicos que poderiam ser direcionados para áreas prioritárias como infraestrutura, saúde e educação. A desestatização, para ele, seria um passo fundamental para aumentar a eficiência econômica e reduzir o peso do Estado na economia.

O Futuro do PT e a Necessidade de Adaptação às Novas Realidades

Maílson da Nóbrega expressa ceticismo quanto à capacidade do PT de se adaptar e se tornar competitivo no cenário político e econômico futuro. Uma das teses da Tendências Consultoria, onde ele é sócio, é que mesmo que o PT vença as eleições de 2026, dificilmente será competitivo em 2030.

Ele sugere que o partido só mudará suas práticas e visões econômicas “se houver um colapso de expectativas, uma fuga de capitais, uma crise financeira”. No entanto, ele alerta que, nesse momento, “pode ficar tarde” para reverter os danos e impulsionar o desenvolvimento.

“Nós aqui da Tendências temos a avaliação que, mesmo se o PT ganhar as eleições em 2026, duvidamos que será competitivo nas eleições de 2030”, concluiu, reforçando a ideia de que a atual orientação econômica do partido está desconectada das necessidades de um país que busca crescimento sustentado e prosperidade. A necessidade de um “partido de esquerda moderno, competitivo para se contrapor à direita e equilibrar o jogo político” é evidente, mas, para Maílson, o PT atual não preenche esse papel.

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