Um intenso confronto público agitou o cenário político e religioso nesta quarta-feira (14), colocando frente a frente o pastor Silas Malafaia e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). O líder religioso exigiu que a parlamentar comprovasse suas recentes declarações sobre a suposta relação entre grandes igrejas e esquemas de fraudes em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
A polêmica surgiu após Damares ter afirmado ter identificado ligações entre grandes igrejas e líderes religiosos com a falcatrua contra aposentados, mencionando que foi orientada a não divulgar os nomes para não entristecer os fiéis. Essa postura provocou uma forte reação de Malafaia, que considerou a alegação uma “acusação séria”.
Em um vídeo divulgado na rede social X (antigo Twitter), o pastor não poupou críticas, afirmando que, sem a divulgação dos nomes envolvidos, a senadora não passaria de uma “leviana linguaruda”, conforme informações divulgadas.
A Cobrança Exaltada de Malafaia
Com um tom visivelmente exaltado, Silas Malafaia desafiou Damares Alves a apresentar as evidências. Ele questionou a falta de transparência em uma denúncia de tal gravidade, que implicaria grandes nomes do meio evangélico em um esquema de roubo contra aposentados.
“Como é que é? Uma acusação gravíssima dessa e a senhora não dá os nomes dos grandes líderes evangélicos e das grandes igrejas que estão envolvidos na falcatrua da roubalheira dos aposentados do INSS?”, indagou Malafaia. Ele foi categórico: “Ou a senhora dá os nomes, ou é uma leviana linguaruda. A acusação é grave e séria. E diga também quem pediu para a senhora calar a boca”.
O pastor ainda instruiu a senadora a “guardar a sua língua” caso não tivesse as provas necessárias, mas a incentivou a denunciar pelo bem da própria igreja. Malafaia expressou a indignação da liderança evangélica com a postura de Damares, classificando-a como “covarde e vergonhosa” e afirmando que ela “não é digna de ser chamada evangélica”.
A Resposta de Damares e a Lista de Requerimentos
Em resposta às duras críticas de Malafaia, a senadora Damares Alves emitiu uma nota à imprensa, divulgando uma lista de nomes e instituições religiosas citadas em requerimentos apresentados no âmbito da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS. A parlamentar fez questão de relembrar sua atuação na comissão, destacando que foi a autora do requerimento que resultou na criação da CPMI em 2025.
Segundo Damares, os pedidos de investigação têm como base “indícios concretos identificados em documentos oficiais, especialmente Relatórios de Inteligência Financeira e informações da Receita Federal do Brasil”. Isso demonstra que as acusações não são aleatórias, mas fundamentadas em análises técnicas e financeiras.
Igrejas e Líderes Citados na CPMI do INSS
Entre os requerimentos apresentados pela senadora, que buscam esclarecer a suposta fraude no INSS, estão pedidos de transferência de sigilo e convites ou convocações para depoimentos de diversas entidades e pessoas. A lista detalha as investigações em andamento, revelando os alvos das apurações.
Foram solicitadas as transferências de sigilo da Adoração Church, da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, do Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch) e da Igreja Evangélica Campo de Anatote. Esses pedidos visam aprofundar a análise das movimentações financeiras e operacionais dessas instituições.
Além das igrejas, diversos líderes religiosos foram citados para comparecer à CPMI. Há requerimentos para convidar Cesar Belucci do Nascimento, Péricles Albino Gonçalves e André Fernandes. O empresário e líder religioso Fabiano Campos Zettel também foi convidado a prestar esclarecimentos. Para André Machado Valadão, foram apresentados requerimentos tanto para sua convocação quanto para a transferência de seu sigilo, indicando uma investigação mais aprofundada sobre sua participação.
Compromisso com a Apuração Responsável
Ao finalizar sua nota, a senadora Damares Alves reforçou que todos os documentos e informações coletadas estão sob rigorosa análise. Ela reiterou seu compromisso com uma apuração responsável, que respeite o devido processo legal, a presunção de inocência e a transparência que se espera de uma investigação parlamentar séria. A senadora busca, assim, garantir que a verdade sobre a fraude no INSS envolvendo igrejas seja devidamente esclarecida, sem prejulgamentos.