Rio de Janeiro marca três anos do 8 de janeiro: Cinelândia vira palco de defesa da democracia e grito contra anistia a golpistas, com forte pressão de movimentos sociais e sindicatos.
Nesta quinta-feira, dia 8 de fevereiro, a Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, se tornou palco de um importante ato em defesa da democracia. Centrais sindicais e movimentos sociais se uniram para uma mobilização que, conforme informações da fonte, marcou os três anos dos atentados de 8 de janeiro de 2023, momento crítico da tentativa de golpe de Estado.
Naquela data, apoiadores do então ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, exigindo a derrubada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recém-empossado após eleição democrática.
O evento no Rio de Janeiro serviu como um alerta contundente contra retrocessos democráticos e um forte clamor popular pela não anistia aos envolvidos, com os participantes pressionando ativamente o Congresso Nacional, conforme detalhado na fonte.
A Vigilância Permanente Pela Democracia
Para Sandro César, presidente da Central Única dos Trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro (CUT-RJ), a data simboliza a necessidade de vigilância permanente. Ele classificou o movimento golpista como “inominável”, ressaltando que ele visava “aviltar a democracia brasileira, de derrubar o Estado Democrático de Direito”, algo que muitos achavam distante, mas que “voltou a acontecer no Brasil”.
Sandro César também destacou a importância das condenações como um exemplo histórico crucial. “Ex-presidente preso, generais golpistas presos e envolvidos no golpe presos. Isso é o que deve acontecer quando se viola a Constituição da República do País no sentido de a aviltar, de violar o pacto constitucional, o pacto republicano e democrático do Brasil”, afirmou, complementando que é “um ensinamento importante para que as futuras gerações possam nunca mais imaginar ou tentar fazer algo do tipo”.
Anistia aos Golpistas: Uma Luta Contra o Retrocesso
A questão da anistia aos golpistas foi um dos pontos centrais da manifestação. José Ferreira, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro (Seeb/Rio), criticou veementemente qualquer iniciativa de perdão. “Não podemos aceitar anistia para os golpistas, nem essa estratégia que eles fingem dizer que não é anistia, a dosimetria, que nada mais é do que um genérico da anistia”, disse.
Ele alertou sobre a importância da mobilização contínua, lembrando que, apesar do veto do presidente Lula a um projeto que poderia beneficiar os envolvidos, a proposta “vai voltar para o Congresso e precisamos estar nas ruas para pressionar o parlamento contra esse benefício aos que querem roubar a democracia”.
João Pedro, militante do movimento de juventude Juntos (antifascista, anticapitalista e ecossocialista) e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL-RJ), reforçou a necessidade de mobilização constante. “Nessa data importante, lembramos da necessidade de estarmos sempre mobilizados. Precisamos ficar atentos sobre os constantes ataques da extrema direita que temos vivenciado”, declarou o militante.
Ele enfatizou a importância de “começar o ano com mobilização. É necessário resistir, mas também apresentar uma alternativa para a crise. Mostrar que é possível construir uma outra sociedade, que é possível superar os horizontes que estão colocados para nós hoje”.
O Legado e as Consequências do 8 de Janeiro
Há três anos, milhares de manifestantes marcharam pela Esplanada dos Ministérios, rompendo bloqueios policiais e atacando as sedes dos Três Poderes, em uma tentativa de golpe para derrubar o presidente eleito. Este evento chocante marcou profundamente a história política recente do Brasil.
Três anos depois dos ataques, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem agido para responsabilizar os envolvidos. Dados atualizados nesta segunda-feira, 8 de fevereiro, pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos, indicam que 1.399 pessoas foram condenadas por envolvimento nos atos golpistas.
O balanço revela que 179 pessoas estão presas, sendo 114 em regime fechado após o trânsito em julgado das condenações. Além disso, 50 cumprem prisão domiciliar e há ainda 15 prisões preventivas. As condenações abrangem figuras de alto escalão, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e 28 ex-integrantes de seu governo, responsabilizados por planejar uma tentativa de golpe para impedir a posse de Lula. Entre os presos também estão cinco ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal, condenados por omissão ao permitirem o acesso dos manifestantes à Praça dos Três Poderes, conforme as informações divulgadas pela fonte.