O Irã vive dias de intensa agitação, com manifestações que tomaram as ruas de Teerã e outras cidades, transformando a esperança inicial em cenas de brutalidade. Relatos de cidadãos que presenciaram os eventos descrevem uma escalada dramática da violência, marcando um dos períodos mais conturbados dos últimos anos no país.

Entre a multidão, pessoas de todas as idades se uniram para expressar seu descontentamento, mas foram confrontadas por uma força de segurança implacável. Testemunhos chocantes emergem, revelando a dura realidade enfrentada pelos manifestantes.

Um dos relatos mais alarmantes veio de uma mulher que descreveu ter visto “corpos amontoados uns sobre os outros” em um hospital, conforme informações obtidas pela CNN.

A Escalada da Repressão e a Visão dos Manifestantes

Manifestantes de Teerã, capital do Irã, compartilharam com a CNN suas experiências, detalhando multidões enormes e um misto de esperança e violência brutal. Uma mulher de cerca de 65 anos e um homem de 70 anos relataram ter visto pessoas de todas as idades nas ruas na quinta e sexta-feira.

No entanto, a atmosfera mudou drasticamente. Na noite seguinte, as forças de segurança, equipadas com fuzis militares, foram responsáveis pela morte de “muitas pessoas”, segundo os relatos. A repressão se intensificou de forma alarmante.

Em um bairro diferente da capital, outros manifestantes relataram ter socorrido um homem de aproximadamente 65 anos, gravemente ferido. Ele tinha cerca de 40 balas de borracha alojadas nas pernas e um braço quebrado, uma evidência da brutalidade empregada pelas autoridades.

A busca por atendimento médico para o ferido revelou um cenário de “completo caos” nos hospitais. Foi neste contexto que uma mulher descreveu ter presenciado a terrível cena de “corpos amontoados uns sobre os outros”, ilustrando a dimensão da tragédia e a desesperadora situação para um manifestante no Irã.

O Cenário Político e a Reação Internacional

Apesar da violência, alguns manifestantes descreveram as cenas como “incrivelmente belas e esperançosas”, destacando a união e a determinação do povo. Contudo, um discurso televisionado do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, na noite anterior, parece ter sido o estopim para a intensificação da repressão.

Após o pronunciamento, a violência se tornou “incrivelmente violenta”, informaram os manifestantes. Um deles expressou um sentimento de desilusão e resignação: “Infelizmente, talvez tenhamos que aceitar a realidade de que este regime não sairá derrotado sem o uso de força externa”.

Os protestos já duram duas semanas. A agência de notícias HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos Estados Unidos, informou que pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas em todo o país durante as manifestações contra o regime atual.

A Guarda Revolucionária do Irã emitiu um alerta neste sábado, declarando que a proteção da segurança era uma “linha vermelha”. Os militares prometeram proteger a propriedade pública, enquanto o regime intensifica os esforços para conter os protestos mais generalizados dos últimos anos.

Internacionalmente, a situação também gera reações. O presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu um novo alerta aos líderes iranianos na sexta-feira. No sábado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou: “Os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã”.

Impacto e Desdobramentos dos Protestos

Os protestos continuaram durante a noite. A mídia estatal iraniana relatou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, culpando “manifestantes violentos” pelo ocorrido. A TV estatal também transmitiu imagens dos funerais de membros das forças de segurança que, segundo ela, foram mortos em protestos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.

As manifestações se espalharam por grande parte do Irã nas últimas duas semanas, inicialmente como resposta à inflação crescente. Rapidamente, porém, elas se tornaram políticas, com os manifestantes exigindo o fim do regime islâmico.

As autoridades iranianas acusam os EUA e Israel de fomentarem os “distúrbios”. Enquanto isso, grupos de direitos humanos continuam a documentar dezenas de mortes de manifestantes, evidenciando a gravidade da crise humanitária e política no país.

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