Manifesto em SP celebra 8 de Janeiro como vitória da democracia e alerta contra novas ameaças
Na noite da última quinta-feira, um importante ato político e jurídico marcou a capital paulista. Em um evento realizado na tradicional Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), foi lançado um manifesto que ressoa como um grito em defesa da democracia brasileira, celebrando a resistência contra os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
O documento, lido diante de uma plateia atenta, não apenas comemorou a frustrada tentativa de golpe, mas também fez um apelo contundente pela manutenção da memória coletiva. A iniciativa busca garantir que episódios de ruptura institucional jamais sejam tolerados novamente no país, reforçando os pilares da justiça e da soberania nacional.
Este manifesto, que ecoa a importância da vigilância democrática, foi elaborado por um conjunto de entidades de peso, conforme informações divulgadas.
Um Marco na Defesa Democrática
O texto central do manifesto, intitulado “Manifesto em Defesa da Democracia, da Justiça e da Soberania Nacional”, foi fruto de uma colaboração entre o grupo de advogados Prerrogativas, o setorial jurídico do Partido dos Trabalhadores de São Paulo e o Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade de Direito da USP. O documento rapidamente angariou apoio significativo de diversos movimentos sociais, partidos políticos e advogados por todo o país.
O manifesto destaca a data do 8 de janeiro como um dia de celebração. “Três anos após frustrada tentativa de golpe de Estado e do plano de assassinato de um presidente da República eleito, seu vice e de um ministro da Suprema Corte, o dia 8 de janeiro é a data nacional de celebração da vitória da democracia, pois a memória é fundamental para que novos atos desse tipo não sejam tolerados”, afirma o documento, sublinhando a necessidade de se recordar o passado para proteger o futuro.
Responsabilização e Justiça
Um dos pontos cruciais abordados pelo manifesto é a inédita responsabilização dos envolvidos nos atos golpistas. Pela primeira vez na história brasileira, segundo o texto, foi possível presenciar a prisão de colaboradores, executores e organizadores das tentativas frustradas de ruptura institucional. “Pela primeira vez em nossa história, nós, brasileiras e brasileiros, pudemos presenciar, após um julgamento justo e legalmente realizado pelo Supremo Tribunal Federal, a prisão pelos crimes de atentado ao Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado de todos aqueles que colaboraram, executaram e organizaram as tentativas frustradas de ruptura institucional”, detalha o manifesto, enfatizando a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Alerta para Ameaças Internas e Externas
Além de celebrar a vitória da democracia, o documento faz um alerta para a conjuntura atual, tanto interna quanto internacional. O texto faz uma referência direta às agressões dos Estados Unidos contra a Venezuela, utilizando o cenário global para reforçar a necessidade de vigilância. “O dia de hoje marca primeiramente uma festa cívica e histórica em defesa da democracia. Deve, porém, ser também uma data na qual todos nós, brasileiras e brasileiros, redobramos as atenções diante de toda e qualquer ameaça interna ou externa ao estado democrático de direito brasileiro e à nossa soberania nacional”, conclui o manifesto, conclamando a população à atenção redobrada.
Incidente Durante o Ato
Apesar do tom solene e celebratório do evento, um incidente marcou o início da leitura do manifesto. Opositores aos partidos de esquerda que organizaram o ato causaram um tumulto em uma das entradas do Salão Nobre, local onde o evento era realizado. Os manifestantes foram prontamente retirados do recinto, em meio a gritos de “recua, fascista, recua”, demonstrando a polarização ainda presente no debate político nacional, mesmo em um evento de celebração da democracia.