Adeus a um mestre: Manoel Carlos, o aclamado autor de novelas, falece aos 92 anos e deixa um vazio na teledramaturgia nacional

O Brasil está de luto pela perda de um de seus maiores contadores de histórias. Manoel Carlos, o renomado autor de novelas que marcou gerações com suas tramas realistas e personagens inesquecíveis, faleceu neste sábado, aos 92 anos.

Sua morte representa o fim de uma era para a teledramaturgia brasileira, que se beneficiou de sua sensibilidade única para retratar o cotidiano e as complexidades humanas.

A informação foi confirmada no perfil do Instagram da produtora Boa Palavra, comandada por Júlia Almeida, filha do autor, conforme divulgado pela família.

A trajetória brilhante de um visionário da TV

A carreira de Manoel Carlos na televisão começou cedo, quando ele atuou aos 17 anos na TV Tupi. Sua paixão pela escrita o levou a transitar para a autoria, desenvolvendo programas em diversas emissoras até chegar à TV Globo em 1972, um marco em sua trajetória.

Foi na Globo que Maneco, como era carinhosamente conhecido, consolidou seu estilo. Sua primeira novela na emissora, “Maria Maria”, estreou em 1978, pavimentando o caminho para uma série de sucessos que se tornariam referências na cultura popular.

O autor era conhecido por sua capacidade de criar narrativas que refletiam a vida real, sempre com um toque de poesia e profundidade. Ele se aposentou em 2014 e vivia recluso, mas seu impacto na televisão permaneceu inabalável.

As Helenas, um ícone da teledramaturgia

Um dos maiores legados de Manoel Carlos são suas “Helenas”, protagonistas fortes e multifacetadas que enfrentavam dilemas e tragédias até encontrarem um final feliz. Essas personagens, muitas vezes moradoras do bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, tornaram-se um símbolo de sua obra.

Sobre suas Helenas, o autor revelou ao programa Fantástico, da TV Globo, em 2014: “Elas são aquelas mães abnegadas e ao mesmo tempo não se esquecem delas mesmas. São vaidosas, são justas e injustas na medida certa, né? Elas são mentirosas, elas escamoteiam a verdade em benefício de um filho, por exemplo. Elas defendem um filho até a injustiça”.

A escolha do nome Helena, presente em todas as suas heroínas desde “Baila Comigo” (1981), interpretada por Lílian Lemmertz, era uma homenagem à mitologia grega, em especial a história de Helena de Troia, revelando a inspiração clássica por trás de suas criações.

Atrizes que deram vida às inesquecíveis Helenas

Muitas das maiores atrizes brasileiras tiveram a honra de interpretar uma Helena de Manoel Carlos, deixando suas marcas na história da teledramaturgia. Regina Duarte, por exemplo, deu vida à personagem em três ocasiões: “História de Amor” (1995), “Por Amor” (1998) e “Páginas da Vida” (2006).

Em “Por Amor”, Regina Duarte protagonizou uma das tramas mais polêmicas e memoráveis, ao trocar seu bebê saudável pelo neto recém-nascido morto. Outra Helena que marcou época foi a de Vera Fischer em “Laços de Família” (2000), que se viu em um triângulo amoroso com o namorado e a própria filha.

A novela “Laços de Família” também apresentou uma das cenas mais emocionantes da televisão brasileira, quando a personagem Camila, interpretada por Carolina Dieckmann, raspa os cabelos durante o tratamento de quimioterapia, em uma sequência que tocou milhões de espectadores.

Em 2009, Taís Araúja fez história ao interpretar a primeira protagonista negra de uma novela das 21h da TV Globo, em “Viver a Vida”. Sua Helena era uma modelo que se aposentava para se casar com um empresário, enfrentando novos desafios após um acidente que deixava a filha de seu marido paraplégica.

A última Helena criada por Manoel Carlos foi interpretada por Júlia Lemmertz, filha da primeira Helena, Lílian Lemmertz, na novela “Em Família”, exibida em 2014. Essa escolha fechou um ciclo simbólico na obra do autor, conectando gerações de Helenas e atrizes.

O adeus e o legado eterno

A causa da morte de Manoel Carlos não foi informada, mas ele estava internado no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro, onde tratava a Doença de Parkinson. A família comunicou que o velório será fechado, restrito a familiares e amigos íntimos, pedindo privacidade neste momento de dor.

Maneco deixa duas filhas, a atriz Júlia Almeida e a roteirista de novelas Maria Carolina, que seguiram seus passos no universo artístico. Sua obra, permeada por diálogos inteligentes, dilemas morais e uma profunda compreensão da alma feminina, continuará a influenciar e emocionar por muitas gerações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Lula Ausente no Fórum de Davos: Ministra Esther Dweck Lidera Delegação Brasileira em Encontro Marcado por Polêmicas de Trump e Debates Globais Cruciais

“`json { “title”: “Lula Ausente no Fórum de Davos: Ministra Esther Dweck…

Irã em Caos: Mortes na Repressão a Protestos Chegam a 5 Mil, Líder Supremo Culpa EUA e Tensões Globais Aumentam

A repressão aos protestos no Irã alcançou um patamar alarmante, com o…

Wagner Moura, Lula e o ‘Amor’ pela Ditadura: Como a Aliança no Cinema Molda a Narrativa da Democracia no Brasil

O **cinema brasileiro** tem encontrado um terreno fértil e premiado ao revisitar…

Exclusivo: Polícia Federal explica por que é impossível silenciar o barulho do ar-condicionado na cela de Bolsonaro e o que a defesa argumenta ao STF

A Polícia Federal (PF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não…