Direita traça planos para maioria no Senado e contenção do STF em 2026
A direita brasileira vislumbra as eleições de 2026 como um momento crucial para reconfigurar o equilíbrio de poderes no país. O objetivo central é formar uma maioria robusta no Senado Federal, capaz de se opor ao que consideram uma escalada de atos abusivos por parte de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), pavimentando o caminho para a abertura de processos de impeachment contra membros da Corte.
Nos últimos seis anos, o STF tem sido alvo de críticas por parte de setores conservadores, que apontam a ocorrência de inquéritos inconstitucionais, prisões consideradas ilegais e censura a políticos, influenciadores e cidadãos comuns nas redes sociais. Essas ações teriam mirado, principalmente, indivíduos alinhados à direita conservadora, gerando um ambiente de insatisfação e um forte desejo de resposta política.
Atualmente, cerca de 70 pedidos de impeachment contra ministros do STF aguardam na mesa da Presidência do Senado, com o ministro Alexandre de Moraes sendo o principal alvo, somando pelo menos 29 solicitações, em sua maioria por acusações de abuso de autoridade. A inação de presidentes anteriores do Senado, como Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Davi Alcolumbre (União-AP), em dar andamento a esses pedidos tem sido um catalisador para a estratégia da direita, conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo.
O Contexto da Insatisfação e os Alvos Prioritários no Supremo
A percepção de que o Supremo Tribunal Federal tem extrapolado suas competências constitucionais é um dos pilares da mobilização da direita. As críticas se intensificaram nos últimos anos, especialmente após decisões que, segundo parlamentares e lideranças conservadoras, invadiram a esfera de atuação do Poder Legislativo e do Poder Executivo, configurando uma supressão do sistema de freios e contrapesos.
A insatisfação não se restringe apenas a atos específicos, mas abrange a forma como o Judiciário tem conduzido investigações e processos que afetam figuras públicas e militantes da direita. A alegação de que o STF estaria utilizando o aparato judicial como instrumento de perseguição política é um ponto constantemente levantado pelos articuladores da estratégia para 2026, que buscam legitimar a necessidade de uma reação legislativa.
Nesse cenário, o ministro Alexandre de Moraes tornou-se o principal foco dos pedidos de impeachment. As acusações de abuso de autoridade, decorrentes de suas decisões em inquéritos como o das fake news e o dos atos antidemocráticos, são o motor para a articulação que visa à sua eventual remoção. A concretização desse objetivo depende, contudo, de uma intrincada matemática política no Senado.
A Mudança nas Regras de Impeachment e o Desafio Ampliado
A complexidade de abrir um processo de impeachment contra um ministro do STF foi significativamente elevada por uma decisão recente. No início de dezembro, o ministro Gilmar Mendes alterou as regras para a abertura de tais processos por meio de uma liminar. Anteriormente, eram necessários os votos de 41 dos 81 senadores (maioria absoluta) para dar início a um processo, e somente na votação do mérito, que decide pela perda do cargo, seriam exigidos os votos de dois terços dos senadores (54).
Com a liminar de Gilmar Mendes, o mínimo de votos para abrir um processo de impeachment foi igualado a dois terços dos senadores, ou seja, 54 votos. Essa manobra é vista pelos partidos de direita como uma tentativa de blindar o STF de futuras ações, caso a direita obtenha uma vitória expressiva em 2026. A decisão torna ainda mais desafiadora a efetivação do sistema de freios e contrapesos, que visa coibir abusos por parte do Judiciário.
A liminar de Gilmar Mendes ainda será analisada pelo plenário do STF, em julgamento que não tem data definida. Por enquanto, as novas regras criadas pelo ministro permanecem válidas, exigindo um número maior de votos para o início de qualquer processo de impeachment. Independentemente da fase, a etapa final para a remoção de um ministro sempre dependeria da adesão de 54 senadores a uma agenda de contenção do Supremo, o que tem gerado uma intensa articulação entre lideranças da direita, sobretudo dos partidos Liberal (PL) e Novo, para lançar nomes viáveis para o Senado em todos os estados.