O médico Anderson Juliano de Lima veio a público denunciar uma série de agressões e atos de homofobia que sofreu dentro do próprio apartamento, localizado no bairro do Rosarinho, zona norte do Recife. O incidente chocante ocorreu na última quarta-feira, dia 31 de dezembro, na véspera de Ano Novo.
Segundo o relato do profissional de saúde, um homem invadiu sua residência e o atacou fisicamente, proferindo ameaças e ofensas de cunho homofóbico. As marcas da violência ficaram visíveis, e o trauma psicológico é profundo para o médico.
Apesar da prisão em flagrante do agressor pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) por lesão corporal, racismo por homotransfobia e violação de domicílio, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) concedeu liberdade provisória ao suspeito em audiência de custódia, conforme informações divulgadas pelas autoridades.
O relato chocante da vítima
Anderson usou as redes sociais para desabafar e agradecer o apoio recebido após a agressão. Em um vídeo emocionante, o médico descreveu os momentos de violência e o impacto em sua vida. “Eu queria agradecer ao suporte de todo mundo aqui que viu a covardia que eu sofri hoje de madrugada”, afirmou ele.
O ataque resultou em ferimentos significativos, deixando Anderson com lesões oculares e nasais, que ainda sangravam no momento de seu depoimento. Além disso, ele teve lesões na mucosa oral e, mais grave, um profundo trauma psicológico. “Eu estou com uma lesão aqui ocular. Tive uma lesão nasal também, que ainda está sangrando. Lesões também na mucosa oral, fora todo o trauma psicológico de ter uma pessoa estranha invadindo seu apartamento”, detalhou o médico.
No depoimento, o médico Anderson Juliano de Lima revelou que o agressor chutou a porta de seu imóvel e, sem qualquer provocação aparente, iniciou as agressões físicas. Durante o ataque, o invasor proferiu ameaças de morte e uma série de ofensas homofóbicas, intensificando o terror vivido pela vítima.
“Uma pessoa estranha invadindo seu apartamento, chutando sua porta, desferindo socos e termos homofóbicos, tipo ‘eu vou matar você’, ‘hoje eu vim para pegar você mesmo’”, relatou Anderson, enfatizando que nunca havia visto o agressor antes. “Eu nunca tinha visto esse cara na minha vida”, reforçou o médico.
Prisão e soltura: a atuação da Justiça
A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) agiu rapidamente, prendendo o homem de 30 anos em flagrante no mesmo dia da agressão, 31 de dezembro. A ocorrência foi registrada pela Central de Plantões da Capital, e o suspeito foi conduzido à delegacia para os procedimentos legais.
Conforme nota da corporação, a prisão foi efetuada pelos crimes de lesão corporal, racismo por homotransfobia e violação de domicílio. A PCPE destacou a gravidade dos delitos cometidos no bairro do Rosarinho, em Recife.
No entanto, a situação tomou um rumo inesperado. O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) identificou o agressor como Túlio André Coelho Silva. Em audiência de custódia realizada no primeiro dia do ano, 1º de janeiro, a Justiça concedeu liberdade provisória ao suspeito.
A decisão judicial impôs uma série de medidas cautelares a Túlio André Coelho Silva. Ele deverá comparecer mensalmente em juízo, está proibido de se ausentar da comarca por mais de oito dias sem autorização e deve cumprir recolhimento domiciliar no período noturno.
Além disso, o agressor está expressamente proibido de ter qualquer contato ou aproximação da vítima, o médico Anderson Juliano de Lima, e teve seu acesso restrito às áreas comuns do condomínio, medidas que visam proteger a integridade do médico.
O impacto das redes sociais e o clamor por justiça
Anderson Juliano de Lima ressaltou a importância do apoio que recebeu nas redes sociais. Para o médico, a visibilidade do caso foi crucial para sua segurança e para que ele conseguisse ajuda a tempo. “A ajuda aqui nas redes foi fundamental para que eu pudesse sair vivo, porque, por um triz, talvez eu não estivesse fazendo esse vídeo nesse momento”, afirmou.
Ele também fez questão de agradecer o suporte de familiares e amigos que estiveram ao seu lado nos momentos difíceis após a violenta agressão e homofobia. O caso gerou uma onda de solidariedade e indignação em todo o país.
O médico expressou sua esperança de que o agressor seja devidamente responsabilizado. “Isso não vai ficar impune. É inadmissível esse tipo de violência, homofobia é crime”, declarou Anderson, reforçando a necessidade de combater crimes de ódio e garantir a segurança das vítimas.
A CNN Brasil tentou contato com o médico Anderson Juliano de Lima e segue buscando um posicionamento da defesa do suspeito agressor para complementar a cobertura do caso e trazer mais detalhes sobre o andamento judicial.