A semana inicia-se com uma agenda econômica robusta, prometendo movimentar os mercados financeiros no Brasil e no exterior. Nesta segunda-feira, o Banco Central (BC) divulga o aguardado Boletim Focus e as estatísticas do setor externo, dados cruciais para a análise da saúde econômica do país. Paralelamente, nos Estados Unidos, indicadores de atividade nacional e pedidos de bens duráveis oferecem um panorama sobre a força da economia americana.
O cenário é de grande expectativa, especialmente com a aproximação da “Super Quarta”, que trará as decisões de política monetária do Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil e do Federal Reserve (Fed) nos EUA. Ambas as instituições devem manter suas taxas de juros, impactando diretamente o custo do crédito e o fluxo de investimentos global. Além disso, a temporada de resultados corporativos nos EUA ganha força, com gigantes da tecnologia anunciando seus balanços.
Este panorama complexo, que inclui também a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e desdobramentos geopolíticos, marca uma das semanas mais importantes do mês, conforme informações divulgadas pelas fontes.
Boletim Focus e Balança Comercial: O Cenário Econômico Brasileiro em Destaque
O Brasil tem uma segunda-feira (26) repleta de divulgações econômicas que moldarão as expectativas do mercado. O Banco Central inicia o dia com a publicação do Boletim Focus, um relatório semanal que compila as projeções de economistas e analistas para os principais indicadores do país, como inflação (IPCA), Produto Interno Bruto (PIB), taxa Selic e câmbio. Este boletim é uma ferramenta fundamental para investidores e formuladores de políticas, pois reflete o consenso do mercado sobre o futuro da economia.
Em paralelo, o BC também apresenta as estatísticas do setor externo, um conjunto de dados que inclui a balança comercial, o fluxo de investimento estrangeiro direto e as contas de transações correntes. Esses números são vitais para avaliar a capacidade do país de gerar divisas, sua vulnerabilidade a choques externos e a atratividade para o capital internacional. Um superávit na balança comercial, por exemplo, pode indicar maior solidez econômica, enquanto déficits persistentes exigem atenção.
A Fundação Getulio Vargas (FGV) complementa o panorama com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) das capitais. O IPC-S da terceira quadrissemana de janeiro de 2026 avançou 0,49%, acumulando alta de 4,49% nos últimos 12 meses. Este indicador oferece uma visão mais granular e em tempo real da inflação, auxiliando na compreensão das pressões de preços sobre o consumidor. A FGV também publica a Sondagem do Consumidor referente ao mês de janeiro, que mede a confiança dos consumidores na economia, influenciando diretamente suas decisões de compra e investimento.
Super Quarta em Foco: Copom e Fed Definem Rumo da Política Monetária
A grande expectativa da semana converge para a “Super Quarta”, um dia em que os comitês de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos anunciam suas decisões sobre as taxas de juros. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para definir a taxa Selic. A expectativa unânime do mercado é pela manutenção da Selic em 15%, um patamar elevado que reflete a persistente batalha contra a inflação e a necessidade de ancorar as expectativas de preços.
A taxa Selic, que serve como referência para todas as demais taxas de juros da economia, tem um impacto direto no custo do crédito para empresas e consumidores, influenciando investimentos, consumo e, consequentemente, o ritmo da atividade econômica. A decisão do Copom será crucial para sinalizar a trajetória futura da política monetária e a postura do Banco Central frente aos desafios inflacionários e de crescimento.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) também divulgará sua decisão sobre a taxa de juros. Após um ciclo de flexibilização monetária que foi retomado em setembro, o banco central norte-americano deve interromper este ciclo e deixar a taxa de juros inalterada no intervalo de 3,50% a 3,75%. A manutenção das taxas reflete uma postura de cautela do Fed diante de um cenário econômico global incerto e da necessidade de avaliar o impacto das políticas anteriores. A decisão do Fed tem reverberações globais, influenciando o fluxo de capital para mercados emergentes e o custo do dólar.
Resultados Corporativos nos EUA: Gigantes da Tecnologia sob os Holofotes
A temporada de balanços corporativos nos Estados Unidos entra em seu auge, com mais de 90 empresas do índice S&P 500 programadas para divulgar seus resultados trimestrais esta semana. Entre as mais aguardadas estão gigantes da tecnologia como Apple, Meta Platforms e Microsoft. Os resultados dessas empresas são cruciais não apenas para seus acionistas, mas também para o mercado como um todo, pois fornecem um termômetro da saúde do setor de tecnologia e da economia global.
Os relatórios de lucros e receitas dessas companhias podem influenciar significativamente o desempenho dos índices acionários, como o S&P 500 e o Nasdaq, e ditar o sentimento dos investidores. Expectativas superadas podem impulsionar o mercado, enquanto resultados abaixo do esperado podem gerar volatilidade e preocupações sobre o crescimento econômico e o consumo. A performance dessas empresas de tecnologia, em particular, é vista como um indicador da inovação, do poder de consumo e da transformação digital em andamento.
A análise dos balanços vai além dos números brutos, abrangendo também as perspectivas futuras das empresas, seus planos de investimento, fusões e aquisições, e a forma como estão navegando em um ambiente de desafios macroeconômicos e geopolíticos. O desempenho dessas companhias é um fator determinante para a confiança dos investidores e a direção dos mercados globais nos próximos meses.
Recordes no Ibovespa: Otimismo no Mercado Acionário Brasileiro
Apesar das incertezas no cenário global, o mercado acionário brasileiro tem demonstrado resiliência e otimismo. Na última sexta-feira, o Ibovespa bateu mais um recorde, superando a máxima histórica mais uma vez. O principal índice da bolsa brasileira fechou o dia com uma alta expressiva de 1,86%, atingindo 178.858,54 pontos, um ganho de 3.269,19 pontos, e ficando pela primeira vez acima dos 178 mil. Durante o pregão, o Ibovespa foi além, marcando uma nova máxima histórica intradia de 180.532,28 pontos, ultrapassando pela primeira vez a marca dos 180 mil.
Esse desempenho notável do Ibovespa reflete uma combinação de fatores, incluindo a expectativa de manutenção da taxa Selic, que, embora alta, pode sinalizar estabilidade no combate à inflação, e a percepção de melhora nas perspectivas econômicas internas. O fluxo de capital estrangeiro para o Brasil também tem sido um motor importante, impulsionado pela busca por ativos de maior retorno em mercados emergentes, especialmente em um contexto de taxas de juros elevadas.
O recorde do Ibovespa é um sinal positivo para os investidores e para a economia, indicando confiança no potencial de valorização das empresas listadas. Contudo, a volatilidade é uma característica inerente ao mercado de ações, e os próximos dias, com as decisões de juros e os dados econômicos, serão cruciais para confirmar a sustentabilidade dessa trajetória de alta.
Indicadores de Atividade nos EUA: CFNAI e Pedidos de Bens Duráveis
A economia dos Estados Unidos, a maior do mundo, também estará sob os holofotes com a divulgação de importantes indicadores de atividade. Às 10h30 (horário de Brasília), o Federal Reserve de Chicago publicará o Índice de Atividade Nacional do Fed de Chicago (CFNAI) para os meses de outubro e novembro. O CFNAI é um índice ponderado de 85 indicadores individuais da atividade econômica nacional, projetado para medir a atividade econômica geral e pressões inflacionárias. Uma leitura positiva sugere crescimento acima da média, enquanto uma negativa indica contração ou crescimento abaixo da média.
No mesmo horário, o Departamento do Comércio dos EUA divulgará os pedidos de bens duráveis de novembro. Este relatório mede o valor total de novos pedidos de bens duráveis, que são produtos de vida longa, como carros, aviões e eletrodomésticos. É um indicador importante da confiança das empresas e dos consumidores, refletindo investimentos em capital e planos de gastos futuros. Um aumento nos pedidos de bens duráveis pode sinalizar expansão da atividade manufatureira e crescimento econômico, enquanto uma queda pode indicar desaceleração.
Ambos os indicadores são observados de perto por analistas e investidores, pois fornecem informações valiosas sobre a saúde da economia americana, o que, por sua vez, influencia as decisões de política monetária do Federal Reserve e o sentimento do mercado global. Dados mais fortes podem reforçar a expectativa de uma economia robusta, enquanto números fracos podem reacender preocupações sobre uma possível desaceleração.
Agenda Presidencial de Lula e Desdobramentos Políticos Nacionais
No cenário político brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprirá uma agenda intensa nesta segunda-feira. Às 9h, ele se reúne com Sandra Brandão, chefe do Gabinete Adjunto de Informações em Apoio à Decisão do Gabinete Pessoal da Presidência da República. Às 11h, recebe o presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Gianni Infantino, um encontro que pode abordar temas como futuras competições no Brasil ou o desenvolvimento do esporte no país.
A tarde do presidente será dedicada a reuniões com membros de seu governo. Às 14h40, o encontro é com Marcelo Weick, secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, seguido, às 15h, por uma reunião com o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Às 16h, Lula se reúne com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Esses encontros são parte da rotina de coordenação governamental, abordando desde questões jurídicas e administrativas até políticas estratégicas para setores chave como o de energia.
Além da agenda presidencial, o cenário político nacional foi marcado por eventos recentes de grande repercussão. Uma manifestação convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), como ato final de uma caminhada de 240 quilômetros até Brasília, reuniu 18 mil pessoas na capital. O protesto teve como foco o pedido de liberdade para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é preso e condenado por crimes ligados à tentativa de golpe após a eleição de 2022. O mapeamento foi realizado pelo Monitor do Debate Político da USP, em parceria com a ONG More in Common.
Em outro desdobramento, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) voltou a identificar alterações indevidas em dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões. O órgão registrou a tentativa de expedição de mandado de prisão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O CNJ confirmou o episódio nesta quinta-feira, 22. Moraes já havia sido alvo de uma invasão hacker nos sistemas do órgão, na qual o hacker Walter Delgatti Neto expediu, a mando da então deputada Carla Zambelli (PL-SP), um mandado de prisão falso contra o ministro, assinado pelo próprio magistrado. Os dois foram condenados pelo caso pelo Supremo. Esses eventos ressaltam a fragilidade da segurança digital de sistemas críticos e a persistência de tensões políticas no país.
Cenário Geopolítico e Relações Internacionais: Trump, Irã e Europa
No âmbito internacional, as declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continuam a gerar repercussão. Trump afirmou que os EUA têm uma “armada” em direção ao Irã, mas expressou a esperança de não precisar usá-la. Ele renovou as advertências a Teerã contra a matança de manifestantes ou a retomada de seu programa nuclear. Autoridades dos EUA, sob condição de anonimato, confirmaram que o porta-aviões USS Abraham Lincoln e vários destróieres de mísseis guiados chegariam ao Oriente Médio nos próximos dias. Essa movimentação militar sublinha a persistente tensão entre Washington e Teerã, com implicações significativas para a estabilidade regional e os mercados de energia.
Em um contexto mais amplo de relações internacionais, o braço de política externa da União Europeia levantou questões sobre os amplos poderes de Donald Trump sobre seu novo Conselho da Paz, conforme um documento interno visto pela Reuters. Trump havia pedido aos líderes mundiais que se juntassem à sua iniciativa, que visa resolver conflitos em nível global, mas muitos chefes de governo ocidentais têm relutado em participar. Em uma análise confidencial datada de 19 de janeiro e compartilhada com os países-membros da UE, o Serviço Europeu de Ação Externa expressou preocupação com a concentração de poder nas mãos de Trump, o que levanta debates sobre o futuro do multilateralismo e a governança global.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre o tema, afirmando que o multilateralismo está sendo “jogado fora” e apontando para a iniciativa de Trump de criar o que Lula chamou de “nova ONU”, a ser comandada pelo norte-americano. Em encontro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Lula reconheceu a larga superioridade bélica dos EUA e a precariedade das Forças Armadas brasileiras, mas rebateu, dizendo que o país “não tem armas mas tem dignidade” e não vai “abaixar a cabeça” para ninguém. Essa posição reforça a defesa brasileira por um sistema internacional mais equilibrado e multipolar.
As ações europeias, por sua vez, terminaram em baixa na última sexta-feira e registraram perdas semanais. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,1%, para 608,34 pontos, interrompendo uma série de cinco semanas de ganhos. O índice fechou a semana com queda de 1,1%, uma vez que o sentimento dos investidores foi prejudicado pelo aumento das incertezas geopolíticas e por qualquer possível nervosismo comercial resultante dos atritos com os Estados Unidos em relação à Groenlândia. Esse cenário demonstra como as tensões políticas e comerciais podem rapidamente impactar a confiança dos investidores e o desempenho dos mercados acionários globais.