Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, com juros elevados e acesso ao crédito mais restrito, o mercado imobiliário de Curitiba demonstrou uma surpreendente resiliência e valorização ao longo de 2025. A capital paranaense se destacou por um crescimento segmentado, onde diferentes tipos de imóveis e localizações apresentaram dinâmicas distintas de preços.

Essa valorização, que chamou a atenção de investidores e moradores, não foi uniforme. Enquanto propriedades de maior porte ganharam força em áreas consolidadas, as unidades compactas encontraram seu espaço em bairros com maior acessibilidade e infraestrutura, mostrando a adaptabilidade do mercado imobiliário de Curitiba.

O panorama detalhado dessa evolução foi revelado por um levantamento da Loft, empresa de tecnologia e serviços financeiros para imobiliárias, que analisou anúncios residenciais publicados nas principais plataformas digitais na capital do Paraná.

Imóveis Grandes Impulsionam Valorização em Bairros Tradicionais do Paraná

No segmento de imóveis com mais de 125 metros quadrados, a valorização foi notável em bairros de perfil mais tradicional. O Campo Comprido liderou com um impressionante aumento de 23% no preço do metro quadrado em 2025, atingindo a marca de R$ 13,2 mil. Em seguida, o Bigorrilho registrou alta de 14%, com o m² a R$ 15,8 mil, e o Mossunguê cresceu 11%, chegando a R$ 13,9 mil por metro quadrado.

Segundo Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, esse desempenho está diretamente ligado ao perfil dos compradores desses imóveis, que são menos dependentes de financiamento bancário. “Apesar das condições desafiadoras impostas pelas taxas de juros, algumas tipologias conseguiram se destacar em 2025”, afirma Takahashi. “Para esse tipo de imóvel, o financiamento tem um peso menor, o que ajuda a sustentar a demanda.”

Outras regiões tradicionais e bem localizadas também acompanharam a tendência de alta no mercado imobiliário de Curitiba. Bairros como Juvevê, com 11% de valorização, Batel, com 4%, e Cabral, com 3%, além de Hugo Lange, reforçaram que o movimento de crescimento se concentrou em áreas de padrão médio e alto da cidade do Paraná.

Unidades Compactas Ganham Destaque em Regiões Mais Acessíveis

O cenário foi um pouco diferente para os imóveis compactos, com até 65 metros quadrados. Nestas unidades, os maiores crescimentos foram observados em bairros que oferecem mais opções de moradia com valores de entrada mais acessíveis. O Centro da capital paranaense foi o destaque, com uma valorização de 19% no preço do metro quadrado.

Logo após, o Boa Vista registrou um aumento de 15%, e a Cidade Industrial cresceu 12%. Santa Cândida e Pinheirinho também se destacaram, com valorização de 12% e 11%, respectivamente. Essas regiões atraem demanda por moradia que busca a conveniência de serviços, transporte e boa infraestrutura urbana no mercado imobiliário de Curitiba.

Fábio Takahashi explica que, no segmento de imóveis menores, especialmente fora dos bairros mais caros, as famílias tendem a depender mais do financiamento. No entanto, o “tíquete mais baixo permite que parte da demanda siga ativa”. Áreas como Água Verde, Novo Mundo, Tingui e Portão registraram aumentos mais moderados, indicando maior sensibilidade às condições de crédito e renda.

Juros Altos Redefinem o Perfil da Demanda no Mercado Imobiliário de Curitiba

O estudo da Loft reforça uma tendência clara observada em 2025: o encarecimento do crédito fez com que o mercado imobiliário de Curitiba se tornasse mais segmentado. Imóveis maiores mantiveram uma demanda sustentada em bairros tradicionais, enquanto os compactos prosperaram em regiões mais acessíveis, impulsionados por preços mais baixos e maior liquidez.

Essa dinâmica criou um panorama de valorização seletiva, onde fatores como a localização, a tipologia do imóvel e o perfil de renda do comprador se tornaram ainda mais decisivos na definição dos preços. Para quem busca investir ou morar no Paraná, entender essas nuances é fundamental para navegar no mercado imobiliário de Curitiba.

A metodologia do balanço da Loft considerou anúncios residenciais publicados nas principais plataformas digitais, com tratamento de dados para remover duplicidades e inconsistências. Os valores foram comparados entre o quarto trimestre de 2025 e o mesmo período de 2024, abrangendo bairros com pelo menos 200 anúncios ativos para garantir a consistência estatística do levantamento.

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