O Mercado Livre, uma das maiores plataformas de e-commerce da América Latina, realizou um corte significativo em seu quadro de funcionários nos últimos dias. A onda de demissões, que atingiu 119 colaboradores na região, sendo 38 deles no Brasil, gerou grande repercussão e debate.
A medida acontece em um momento de intenso investimento da companhia em inteligência artificial, o que levanta um questionamento importante sobre o impacto da tecnologia no mercado de trabalho e na redefinição de cargos. Muitos se perguntam se a IA está, de fato, substituindo funções humanas.
Embora o Mercado Livre tenha confirmado os desligamentos e os classifique como uma “medida pontual”, veículos de imprensa como a Folha de S.Paulo e o Infomoney trouxeram diferentes perspectivas sobre os motivos e as implicações desses cortes, conforme informações divulgadas.
O Impacto da Inteligência Artificial nos Cargos de UX Writers
Conforme apurado pela Folha de S.Paulo, a maioria das demissões ocorreu na última quinta-feira, dia 8, e impactou diretamente a equipe de experiência do usuário, conhecida como UX. Os profissionais mais atingidos foram os “UX writers”, responsáveis pela produção de textos e conteúdo para a plataforma.
A reportagem da Folha sugere que a crescente adoção de tecnologias de inteligência artificial na empresa foi o principal motivador desses desligamentos. A IA estaria assumindo tarefas que antes eram executadas por esses especialistas em comunicação, alterando a dinâmica das equipes.
A Versão do Mercado Livre: Uma “Medida Pontual”
Ao Infomoney, o Mercado Livre confirmou os 38 desligamentos no Brasil, mas fez questão de ressaltar que não houve substituição direta de pessoas por inteligência artificial. A empresa classificou o processo como uma “medida pontual”, sem alterar a estratégia de crescimento.
Em nota, a companhia explicou: “No Mercado Livre, estamos evoluindo os perfis de Experiência do Usuário (UX) para integrar de forma mais eficaz as áreas de Design e Conteúdo. Essa transformação busca fomentar estruturas mais ágeis e colaborativas, aproveitando a tecnologia para continuar melhorando a experiência de nossos usuários”, afirmou.
O comunicado conclui que, “como parte desse processo, 38 pessoas deixaram a companhia no Brasil. Trata-se de uma medida pontual que não altera nossa estratégia de crescimento no país nem na região”, reiterando a visão da empresa sobre a reestruturação interna e o foco na tecnologia.
O Cenário Futuro e a Adaptação dos Profissionais
Funcionários do Mercado Livre, ouvidos anonimamente pela Folha de S.Paulo, relataram que os colaboradores que permaneceram terão acesso a novos recursos de inteligência artificial. A expectativa é que designers passem a incorporar a função de escrita, utilizando a tecnologia como suporte.
A empresa, que já utiliza IA há anos, intensificou essa abordagem em 2025, exigindo que os trabalhadores documentassem o uso da tecnologia, com métricas rigorosamente acompanhadas pelos gestores. Isso demonstra uma clara tendência de integração da IA nas operações diárias e na otimização de processos.
O Mercado Livre emprega atualmente 55 mil pessoas no Brasil e 120 mil em toda a América Latina. Apesar dos cortes, a empresa projeta a criação de 42 mil novas vagas na região para 2025, indicando um foco em outras áreas de crescimento e inovação.
A relevância da inteligência artificial para a companhia é tamanha que Marcos Galperin, fundador e ex-CEO do Mercado Livre, anunciou que se dedicaria a projetos envolvendo a tecnologia após deixar o cargo no ano passado, reforçando a prioridade estratégica da IA no futuro da gigante do e-commerce.