Apesar de enfrentar uma das maiores crises financeiras de sua história, o Corinthians surpreende ao manter sua posição como o terceiro clube mais valioso do Brasil. O cenário de endividamento massivo contrasta com o enorme potencial de mercado e a força da sua marca.
A situação paradoxal levanta questões cruciais sobre gestão, o futuro financeiro do time paulista e a possibilidade cada vez mais concreta de uma reestruturação profunda. Especialistas apontam que, sem mudanças drásticas, o clube corre sérios riscos.
Essa análise detalhada sobre o valuation dos principais clubes brasileiros foi apresentada por Amir Somoggi, sócio-fundador da Sports Value, durante sua participação no programa CNN Esportes S/A, conforme informações divulgadas.
A Contradição Financeira do Timão
O Corinthians vive um “estrangulamento financeiro como nunca se viu”, segundo Amir Somoggi. Apesar de gerar uma receita anual que ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão, o clube convive com uma dívida alarmante, que atinge a casa dos R$ 3 bilhões.
Somoggi fez uma comparação impactante, afirmando que “Nem o Flamengo pré Bandeira de Mello estava numa situação similar ao do Corinthians hoje.” Ele ressaltou que, embora o Flamengo daquela época tivesse uma dívida de mais de R$ 1 bilhão (em valores atuais), sua receita era muito inferior à do Corinthians de hoje.
A gravidade da situação levou o especialista a classificar o Corinthians como estando “na UTI”. Ele ainda apontou que a dívida acumulada, tanto por antigos presidentes quanto pela atual gestão, “implodiu essa possibilidade do clube não virar SAF” anteriormente.
Força Inabalável no Mercado, Apesar dos Desafios
Mesmo com o diagnóstico de uma crise financeira “muito grave”, o Corinthians se mantém firme na terceira posição do ranking dos clubes mais valiosos do país. O estudo da Sports Value posiciona o Timão atrás apenas de Flamengo e Palmeiras, demonstrando sua resiliência no mercado.
Para Somoggi, essa constatação evidencia a “força estrutural e de mercado” da equipe. “Hoje a situação do Corinthians é muito grave e ele tá lá em terceiro lugar no ranking. Quer dizer, com tudo isso ele continua forte”, destacou o especialista, sublinhando a capacidade do clube de gerar valor mesmo em meio à turbulência.
A capacidade de atrair grandes receitas, mesmo com a dívida crescente, é um testemunho da paixão da torcida e do reconhecimento da marca Corinthians no cenário nacional, o que contribui para o seu elevado valuation.
SAF como Último Recurso para o Corinthians?
Diante do cenário crítico, Amir Somoggi reitera a necessidade de uma transformação para garantir a sustentabilidade futura do Corinthians. Ele defende que o clube precisa de uma “reestruturação profunda” ou a adoção do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
“Talvez para o Corinthians não haverá outra solução do que virar SAF“, afirmou Somoggi. Segundo ele, sem um “choque de gestão” ou a conversão para SAF, o clube “vai precisar (…) para poder continuar acelerando”, alertando para o risco de um colapso financeiro.
A conversão em SAF permitiria ao clube atrair investimentos externos e implementar uma governança mais profissional, essencial para sanar as dívidas e explorar seu potencial de mercado, garantindo a longevidade do Corinthians.
O Potencial Inexplorado da Fiel Torcida
Apesar de sua força no ranking de valuation, o Corinthians, assim como o Vasco da Gama, tem um grande potencial de mercado que, segundo Somoggi, ainda não é totalmente explorado. O especialista citou a dimensão nacional da torcida corintiana, que figura entre as maiores do país, logo após Flamengo e Vasco.
“O Corinthians, depois do Flamengo e do Vasco, está ali como uma grande dimensão nacional. Mas ele não explora”, criticou Somoggi. Ele comparou a situação do Timão com a do Flamengo, que soube capitalizar melhor sua base de fãs e, por isso, “está tão na frente dos demais”.
A exploração mais eficiente da vasta base de torcedores e a implementação de estratégias de marketing e engajamento mais agressivas poderiam impulsionar ainda mais o valuation do Corinthians, transformando o potencial em receita e superando a atual crise financeira.